05/04/2019 às 08h32min - Atualizada em 05/04/2019 às 08h32min

Goulart vai ao pódio logo na estreia nas piscinas

Ex-lutador uberlandense supera tetraplegia e já desperta interesse de comitê

EDER SOARES
Ludy Goulart (esquerda) voltou aos esportes dois anos após lesão na coluna (Divulgação)
 
Quase dois anos depois de sofrer uma grave lesão na coluna em um evento de MMA na cidade Araguari e ficar tetraplégico, Ludy Goulart voltou ao esporte em alto estilo. Agora nas piscinas, ele surpreendeu inclusive o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) ao ganhar as medalhas de ouro nas provas dos 50m costas e 50m livres, isso logo em sua primeira competição oficial, que foi a fase Centro-Leste do Circuito Loterias Caixa, competição classificatória para as etapas nacionais. As provas foram disputadas no Praia Clube no último final de semana, onde Ludy treina sob os comandos dos técnicos Alexandre Vieira e Lucas Oliveira.

Para participar das fases nacionais do Circuito Brasileiro, Ludy precisa agora treinar muito para conseguir bater os tempos impostos pelo CPB, que é de 1m44s em ambas as provas. “Eu sempre consegui pegar o topo do pódio em outras competições, mas estava voltando de umas férias e só voltei a treinar em fevereiro. Outra questão é que eu não estava treinando em piscina de 50 metros, como foi disputada essa competição, mas sim em piscina de 25 metros”, disse Ludy.

Classificado pelo Comitê Paralímpico como classe S2, atletas com grau de perda de movimento muito grande, o uberlandense despertou o interesse da entidade máxima do esporte paralímpico nacional, que pode passar a apostar no novo nadador para representar o Brasil em competições internacionais futuras. “É uma classe com grau de dificuldade grande e que tem poucos atletas competindo. Eles ficaram interessados pelo meu desempenho logo em minha primeira competição oficial e porque precisam de nadadores na minha categoria”, disse.

Ludy não esconde que tem como meta disputar as Paralimpíadas. “Venho conseguindo baixar meus tempos a cada treinamento e creio que conseguirei pela minha evolução chegar ao ponto que preciso. Estou empolgado, juntamente com meus treinadores [Alexandre Vieira e Lucas Oliveira], para crescer nessa nova oportunidade que surgiu.  Vamos lutar para isso. Para 2020, eu não sei se dá tempo de conseguir classificação, mas com certeza para o futuro passa a ser minha meta. É preciso esperar e trabalhar com calma e dependendo sempre da minha evolução.”

MMA

Antes de integrar o Movimento Paralímpico, Ludy praticou esportes marciais desde criança. Começou aos quatro anos no judô, depois no jiu-jitsu, até aderir ao MMA. Em maio de 2017, durante uma luta decisiva pelo cinturão na categoria até 84 kg, Ludy sofreu uma grave lesão ao tentar aplicar um golpe no adversário. Prontamente atendido ainda na área de luta, o lutador estava imóvel e deixou o ginásio do Zebrinha, em Araguari, imobilizado e sem o movimento dos braços e das pernas. Ficou constado depois que o então lutador lesionou severamente duas vértebras (C5 e C6), que resultou em tetraplegia.

Pouco tempo depois dessa noite trágica, o técnico do Praia Clube de Uberlândia, Alexandre Vieira, o convidou para integrar a equipe de natação paralímpica da agremiação.

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