24/03/2019 às 08h00min - Atualizada em 24/03/2019 às 08h00min

A paixão passada adiante

Nos jogos no Itaquerão, Liah Mattos leva crianças que não têm condições financeiras para ver jogos do Corinthians

EDER SOARES
Foto: Divulgação
Uma mineira de 33 anos vem emocionado muitos apaixonados por futebol. Liah Mattos é produtora de eventos e atualmente mora em São Paulo. Corintiana fanática, ela raramente deixa de ir aos jogos do Timão e desde o no passado encontrou um motivo a mais para amar ainda mais o futebol. Antes das partidas, ela percorre as imediações do Itaquerão procurando crianças de entre oito e 12 anos e que não têm condições financeira para assistir aos jogos.

A ideia começou em meados de maio do ano passado e nada foi planejado. Ela havia comprado dois ingressos, sendo um para um primo que não pode ir até São Paulo devido à greve dos caminhoneiros. “Ele me pediu para repassar este ingresso para alguém. Aí ficar vendendo ingresso na porta do estádio eu não iria fazer. Então decidi escolher alguma criança para dar o ingresso, mas alguém que não tivesse condições. Isso virou uma rotina. Sempre que eu tenho condições de ir aos jogos e comprar um ingresso ou que eu ganhe dois, faço isso”. Uma das regras para a escolha é que a criança seja corintiana e que tenha o consentimento dos pais.

Liah nasceu em Patos de Minas e viveu por muitos anos em Uberlândia, onde ainda tem laços. Em 2010 se mudou para o Rio de Janeiro e em 2017 passou a morar na capital paulista. “Sempre amei futebol. Na minha adolescência cheguei a jogar em alguns clubes de Patos de Minas, participei de torneios interestaduais pela escola Antônio Luiz Bastos, em Uberlândia. Atualmente, jogo em uma escolinha de futebol chamada ‘Donas da Bola’. Nunca tive influência de familiares, desenvolvi essa paixão na adolescência mesmo. Tenho ido bastante ao estádio e quando não vou acompanho pela TV, mas raramente deixo de assistir ou de ir no estádio. Somente se tiver fora de São Paulo mesmo”, disse.

Liah já levou mais de dez crianças aos jogos do Timão e pretende expandir a ideia. “Quero continuar e se possível fechar algumas parcerias com outros clubes, sempre voltado para o futebol. Desde que tive um vídeo divulgado, tenho recebido bastantes histórias de crianças que gostariam de participar, inclusive de outros clubes também, e tenho recebido histórias de pessoas que fazem coisas parecidas”, afirmou.

Quando perguntada se alguma das crianças marcou, ela garante que não tem como escolher, mesmo assim faz alguns relatos.  “Todos me marcaram e me marcam muito.  Algumas semanas atrás, levei um morador da comunidade de Carvalho. Ele me disse que às vezes não consegue ir à escola porque, quando chove, o bairro alaga e que não tem mochila para colocar o material. Com isso acaba molhando e sacolinha de mercado não protege”, disse Liah, que relembrou o caso do Gabriel, que virou matéria nacional. 

“O Gabriel sempre tentava juntar dinheiro para ir e sempre que estava próximo de conseguir a mãe precisava comprar algo pra casa: arroz, carne, comida no geral. Todos com histórias bem parecidas, de luta, de incertezas mas, com um coração enorme e uma vontade muito grande de mudar a situação”, afirmou. 

FAMÍLIA

A mãe e a irmã ainda moram em Uberlândia e sempre que dá um tempo, a corintiana vem na cidade para ver a familiares e amigos.  Além do Corinthians, outra paixão de Liah está em Patos de Minas.  “Como sou natural de Patos de Minas, minha grande paixão mineira foi e ainda é o Mamoré. Minha tia tinha um bar dentro do estádio, então todos os finais de semana eu estava lá e entrava com os jogadores em campo. Bons tempos”.

Para finalizar, a produtora de eventos manda um recado para dirigentes de todas as modalidades esportivas. “Essas crianças estão em todos os lados, basta reparar. Gostaria que todo clube pudesse ter um projeto social que leve essas crianças para o esporte, que incentive essas crianças a lutarem por seus sonhos, sejam eles quais for. Não custa absolutamente nada fazer uma ação dessa para alguém que precisa e que ame o esporte como um todo. Não se limitar só ao futebol. Seja qual for a sua causa, seu sonho, encontre um caminho para ajudar os menos favorecidos. O sorriso e a alegria de uma criança é algo que me desmonta. Deitar a cabeça no travesseiro e agradecer por ter condições de proporcionar esses momentos, é fantástico. Saber que você fez e está fazendo o seu melhor, também”, disse.

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