20/03/2019 às 09h07min - Atualizada em 20/03/2019 às 09h07min

Exposições retratam memórias e sustentabilidade em Uberlândia

Gláucia Queiróz e Cacau Inêz abrem mostra conjunta e Rafael Naufel chega ao Mercado Municipal

DA REDAÇÃO
Gláucia Queiróz e Cacau Inêz se inspiram na memória afetiva da infância | Foto: Divulgação
Duas novas exposições estão em cartaz em diferentes espaços da cidade. O ITV Cultural apresenta “Memórias sobrevivem”, de Gláucia Queiróz e Cacau Inéz e o Espaço Cultural do Mercado recebe “Esculturas Sonoras”, de Rafael Naufel. O Espaço Cultural do Mercado recebeu melhorias recentemente e para inaugurar essa nova fase traz as peças de Naufel, artista e músico que além da estética das suas obras tem uma preocupação especial com o descarte de materiais.

O resultado de “Esculturas Sonoras” traz instrumentos construídos a partir de material que seria descartado e ganham novo significado que além de úteis trazem uma beleza singular. Quem conferir a mostra poderá ver 30 peças do artista, que também leva para o espaço peças de uma outra exposição recente, “Histórias de Arame”.

Já na ITV Cultural, Gláucia Queiróz e Cacau Inêz dialogam com memórias. Assim como existem momentos que devem ser guardados para sempre, há outros que não deveriam nem ter existido, mas deixam rastros. Essa junção de boas e más recordações forma a exposição “Memórias sobrevivem”.

Enquanto Gláucia traz a memória afetiva da infância, quando brincava sobre as lonas de caminhão na oficina do pai, Cacau faz um tributo ao desastre ambiental ocorrido em Mariana, em 2015, quando uma barragem de rejeitos rompeu jogando lama para todo o lado e matando 19 pessoas.
Em ambos os trabalhos, as artistas utilizaram materiais alternativos. Os mesmos que fizeram parte dos cenários retratados. Gláucia usou a própria lona de caminhão como suporte para silkar as fotos de quando era criança e, no lugar de tinta, Cacau usou 50 tons de terra para reproduzir as cenas da tragédia de Mariana sobre papel reciclável.

As 13 peças, mesmo com linguagens e mensagens diferentes, acabaram se casando nas cores sóbrias, no desejo de memorizar, e formando esse encontro de duas colegas que faculdade, formadas no ano passado já na maturidade, que acabaram se tornando grandes amigas.

A uberlandense Gláucia Queiróz dividiu parte da sua vida entre as artes plásticas e a culinária. Já fez bolos decorados, já teve um café, além de pintar telas. A academia foi uma chave para ela entrar em um mundo de possibilidades, onde aprendeu a usar novos materiais, como é o caso das lonas surradas de caminhão. A inspiração veio do pintor gaúcho, fotógrafo e gravador Carlos Vergara, que por diversas vezes usou lona crua como base para seus trabalhos, assim como o artista mineiro Aecio Sarti.

No memorial disposto nas paredes da ITV Cultural, Gláucia traz momentos da infância e homenageia o pai, o mecânico aposentado Manuel Queiróz, que por ironia está em uma cama sem memória, devido ao estágio avançado de Alzheimer. Cláudia Inêz, ou simplesmente Cacau, também faz uma referência ao pai, José Domingues. Nascida em Arapuã, no Alto Paranaíba, aprendeu com o patriarca da família o respeito pelo meio ambiente.

SERVIÇO 1
O QUE: Exposição “Esculturas Sonoras”
QUEM: Rafael Naufel
ONDE: Galeria de arte do Mercado Municipal (RuA Olegário Maciel, 255, Centro)
QUANDO: até 30 de abril, de segunda a sexta-feira, das 12h às 18h
ENTRADA FRANCA
INF.: 3235-7790
 
SERVIÇO 2
O QUE: Exposição “Memórias sobrevivem”
QUEM: Gláucia Queiróz e Cacau Inéz
ONDE: ITV Cultural (Av. Getúlio Vargas 869, Centro)
QUANDO: até 30 de abril, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h
ENTRADA FRANCA
INF.: 3230-7600
 
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