08/03/2019 às 08h38min - Atualizada em 08/03/2019 às 08h38min

Suor, areia e batom

Projeto "Maria catraca" existe há quatro anos em Uberlândia e busca devolver autoestima e confiança entre as mulheres através do pedal

EDER SOARES
Foto: Divulgação
Em pleno Dia Internacional da Mulher, a reportagem do Diário de Uberlândia não poderia deixar de falar sobre o brilho delas dentro do esporte na cidade. E entre tantas modalidades uma delas vem ganhando cada vez mais destaque num espaço que até alguns anos atrás era predominantemente masculino. Trata-se do projeto de ciclismo só para mulheres “Maria Catraca”.

O grupo, inspirado no projeto “Women's Ride” criado por uma ONG norte-americana de apoio a mulheres do Irã, que por questões religiosas eram impedidas de pedalar, nasceu em Uberlândia há quatro anos e foi o pioneiro do segmento na cidade. Atualmente, o “Maria Catraca” conta com mais de 160 mulheres que pedalam em trilhas (mountain bike) e também no asfalto (speed). O grupo é liderado por Luciana Maradei, fundadora e quem também organiza os eventos que tem a chancela da Federação Mineira de Ciclismo. Os treinamentos acontecem todos os dias, em horários alternativos que podem se adequar ao dia a dia das participantes.

Lu Maradei, como é mais conhecida, conta que a proposta do grupo feminino de ciclistas é o de resgatar vidas, incentivar a prática esportiva e propiciar um convívio social saudável. “Em Minas, a gente vê que muitas vezes as mulheres não são impedidas de pedalar, mas elas mesmas se sabotam. Ainda temos muitos homens e poucas mulheres. Elas deixam de ir para que o marido vá, mas ela não vai, pois se ocupa por uma série de coisas. No entanto, tudo isso é possível de se conciliar com o esporte. Quando eu comecei a fazer o grupo muitos questionavam: ‘Mas como um grupo somente para mulheres?’ As pessoas não entendiam direito”, disse Maradei.

“Hoje temos vários grupos de pedal, mas o Maria Catraca tem como pegada principal motivar as mulheres, para que elas saiam de casa para cultivar amizades perdidas e tenham um contato social saudável, e que não venha a atrapalhar no casamento ou no relacionamento, pois ela irá encontrar no grupo mulheres que têm os mesmos problemas que ela. Ela irá fazer isso em um momento de lazer, em um treino, em uma trilha e ainda mexendo o seu corpo e aumentando a sua autoestima. Ela passa a perceber que é capaz de fazer exercícios e contam suas histórias”.

Em Uberlândia existem outros grupos de pedal femininos como o “Ultra Girls”, “Meninas do Pedal”, “As Meninas”. Estes grupos, na maior parte, são interligados e uns contribuem com os outros. Lu Maradei organiza provas em Uberlândia e região com categorias para mulheres, o que geralmente não acontece em provas mistas convencionais, que existe uma única categoria feminina sem limite por idades.

A psicóloga Servolides Silva, de 43 anos, é casada e mãe do Pedro e da Maria Júlia. Ela prática o ciclismo há um ano e faz parte do grupo das “Speedeiras”, que pedala por rodovias. Ela garante que pedalar contribuiu muito para o seu desenvolvimento pessoal e profissional.

“No grupo temos atletas experientes e iniciantes, o que permite trocarmos conhecimento, porém o mais importante é a companhia de uma e outra nos treinos. Fazer parte de um grupo gera felicidade, o sentimento de pertencer é motivador e dá energia para unirmos forças na luta diária para nossas conquistas”, conta a psicóloga. “Vejo que nós mulheres já conquistamos muito espaço na sociedade com nosso trabalho, dedicação, inteligência e amor em tudo que nos dispomos a executar, porém por muito tempo estivemos destinadas a um ambiente privado que não permitia nossa participação em vários âmbitos importantes da sociedade”, completa.

Apesar de ter um grupo de pedal só para elas, as dificuldades ainda persistem. “No esporte não é diferente, na sua totalidade, a participação ainda é predominantemente masculina. A presença feminina vem se tornando maior, mas ainda sentimos dificuldade na aceitação e inserção. O preconceito existe, é visto na dificuldade de credibilidade e visibilidade das nossas conquistas. Mais um desafio que enfrentamos, além do que o esporte já nos desafia”.
 
EVENTOS
 
No mês das mulheres, ao menos dois eventos de ciclismo devem agitar os grupos de pedal feminino. Na próxima terça-feira (12) acontece o Café “Women's Ride”, a partir das 8h, no auditório da CDL, e não tem taxa de participação. Os interessados devem confirmar presença através do endereço:
https://cdludi.org.br/eventos/cafe-empreendedor-evento-gratuito/

A quarta etapa da Copa Le Tour de Ciclismo (masculino e feminino) está marcada para o dia 24 deste mês, a partir das 7h, nas imediações do condomínio Cyrela, zona sul de Uberlândia, com a participação de 14 categorias. As Inscrições podem ser feitas pelo www.squadramondo.com.br  .

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