30/01/2019 às 08h38min - Atualizada em 30/01/2019 às 08h38min

Chefe da inteligência contradiz Trump

FOLHAPRESS
Trump e Kim Jong-un devem se reunir novamente em fevereiro, oito meses depois do primeiro encontro em Cingapura | Foto: White House
É pouco provável que a Coreia do Norte esteja disposta a abandonar todas suas armas nucleares; o Irã não está aprimorando seu programa para produzir uma bomba atômica e, o Estado Islâmico continua ativo no Oriente Médio, disse ontem o diretor de Inteligência dos EUA, contradizendo três pontos da política externa do presidente Donald Trump. As informações fazem parte do relatório de ameaças globais que o órgão envia ao Congresso todos os anos e é assinado por Dan Coats, diretor Nacional de Inteligência do governo Trump.

"Continuamos acreditando que é pouco provável que a Coreia do Norte esteja disposta a abrir mão de todas as suas armas nucleares e capacidade de produção, embora pretenda negociar uma desnuclearização parcial para obter importantes concessões internacionais e americanas", disse ele a um comitê do Senado americano nesta terça (29), segundo o jornal The New York Times.  A sessão foi realizada exatamente para debater o relatório enviado aos congressistas. 

O ditador norte-coreano Kim Jong-un deve se encontrar com Trump até o fim de fevereiro para uma nova rodada de negociações da questão nuclear, mas Coats não acredita que o assunto será resolvido de maneira definitiva. "No limite, o seu líder [Kim] vê as armas nucleares como algo crítico para a sobrevivência do regime", afirmou ele aos senadores. O diretor também citou o Irã e afirmou que não há informações de que o país tenha intensificado seu programa nuclear recentemente.

"Não acreditamos que o Irã esteja empreendendo atualmente as atividades principais que julgamos necessárias para produzir um dispositivo nuclear", disse Coats. Ele acrescentou, porém, que as autoridades iranianas "publicamente ameaçaram ultrapassar os limites" do acordo nuclear de 2015 caso não recebessem os benefícios esperados. Trump abandonou o acordo nuclear com Teerã em maio de 2018. Na ocasião, disse que o pacto não estava impedindo o país de produzir armas nucleares.

Coats também contradisse as declarações de Trump de que o Estado Islâmico estava derrotado. Segundo o relatório, o grupo radical islâmico ainda possui milhares de combatentes no Iraque e na Síria, capazes de representar uma ameaça para o Oriente Médio e outras partes do mundo.  Além disso, diz o texto, o Estado Islâmico "mantém oito facções, mais de uma dezena de redes e milhares de partidários dispersados em todo o mundo, apesar das perdas significativas em termos de líderes e territórios".

Coats chamou atenção ainda para o aumento da presença da China e da Rússia em atividades de ciberespionagem e ataques online. De acordo com ele, os dois países têm trabalhado juntos nessa área, criando uma ameaça para Washington.
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