28/12/2018 às 08h21min - Atualizada em 28/12/2018 às 08h21min

Cora Capparelli é a personalidade de destaque no Calendário 2019

Publicação foi lançada ontem ao lado da retomada do projeto Selo Amigos da Cultura

NÚBIA MOTA
Evento de lançamento do Calendário 2019 ocorreu ontem no auditório Cícero Diniz da Prefeitura | Foto: Valter de Paula/Secom/PMU
Em uma homenagem singela, mas cheia de emoção, a musicista Cora Pavan de Oliveira Capparelli foi aplaudida de pé, ontem de manhã, pelo público que ocupava o auditório Cícero Diniz da Prefeitura Municipal, um dia depois dela comemorar o aniversário de 93 anos. Dona Cora, como é conhecida, é a personalidade de destaque do Calendário 2019, lançado pela Secretaria Municipal de Cultura e já disponível nos espaços culturais da cidade, como as bibliotecas, Arquivo Público, Museu e Teatro Municipal, Oficina Cultural e Casa da Cultura.  No evento, ainda foi retomado o projeto Selo Amigos da Cultura, em reconhecimento às empresas e pessoas físicas que contribuíram com o segmento durante este ano.

Ao todo, 111 pessoas receberam certificados, entre representantes da sociedade civil, entidades e instituições indicadas por diretores dos espaços administrados pela Secretaria de Cultura, assim como outros oito contemplados pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Pmic). “A gente já começa a selecionar, para o ano que vem, quem vai estar envolvido, seja por meio de repasse de recursos do PMIC, seja através das ações. O decreto prevê que as empresas podem usar o selo onde quiserem. É uma visibilidade para o empresário e para a pessoa física, que hoje também têm várias formas de incentivar, não só por meio de trabalho voluntário, mas através do ICMS, do ISS, do IPTU”, disse a secretária Mônica Debs.

Já o projeto do calendário, retomado no ano passado, foi feito por meio de edital público, com foco nas áreas de artes visuais e literatura, e traz as obras de 14 artistas selecionados.  O tema escolhido para o novo trabalho foi “Nossa Cidade”. Por isso, a cada mês, uma fotografia, pintura ou poesia sobre Uberlândia recebeu um espaço, desde trabalhos recentes como a fotografia “O olhar solto”, de Dyego Póvoa, feita em 2017, e a aquarela “Margens do Rio Uberabinha”, de Maria Ignez Sampaio, a registros do passado, como a foto que abre a publicação, com a vista parcial da cidade, feita em 1930 pelo fotógrafo Oswaldo Naghettini. 
Como ocorre a cada edição, uma pessoa sempre ganha destaque no calendário. Em 2018, o material homenageou Iolanda de Lima, fundadora da Secretaria de Cultura e, nesse ano, foi unânime a escolha da equipe da pasta pelo nome de dona Cora. “Eu fico muito emocionada. Acho que vocês me homenageiam muito e eu não mereço. Fico muito feliz, mas também fico acanhada de receber tantas homenagens. Eu lutei muito, junto ao meu pai, para conseguir ir para São Paulo estudar, fazer um curso que eu sempre quis e poder trabalhar anos e anos da minha vida para educação de Uberlândia. Deus é muito misericordioso para mim”, disse Cora Pavan, acompanhada de dois dos três filhos, o engenheiro Vittorio Amílcar, responsável por escrever o texto que acompanha a foto de dona Cora no calendário, e a musicista e professora universitária Cristina Capparelli.

No início da década de 1940, enquanto grande parte das mulheres se dedicava aos afazeres domésticos, a uberlandense Cora, na  época com 17 anos,  conseguiu fugir do destino imposto pela realidade da época e se formar em dois cursos superiores. Os diplomas de Canto e Música pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e de História e Geografia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) não se limitaram apenas ao benefício daquela estudante. Com eles, a musicista proporcionou o sonho de outros, que assim como ela, queriam ter uma profissão regulamentada.

A neta de italianos, filha única do comerciante e político Angelino Pavan e da modista Adélia de Oliveira Pavan, não mediu esforços para ver multiplicados os profissionais nas áreas de música e artes plásticas, dois cursos fundados por ela na cidade, os primeiros de nível superior e que deram origem ao que hoje é ministrado pela universidade. Aos 93 anos,  completados nessa última quarta-feira (26), a senhora que dá nome ao Conservatório Estadual, iniciado com recursos próprios há 55 anos e doado ao estado, nunca deixou de tocar piano, trabalhar e fazer projetos musicais em Uberlândia. “A dona Cora foi uma mecenas. Ao longo da vida, ela nunca deixou de fazer pela cultura. Nesse ano, entre as pessoas inscritas no Pmic, lá estava o nome dela, com um projeto destinado ao órgão da Catedral. É uma pessoa que todos os sábados, reúne na casa dela um grupo de pessoas para cantar e ensaiar. Está extremamente ativa. A conheci na década de 70, como uma pessoa importantíssima dentro de Uberlândia e eu, uma menina bobinha lá de Araguari. E a gente falava que Uberlândia tinha uma escola de música, centro irradiador de cultura, e víamos, em dois ônibus, segunda e quinta-feira, passar toda a tarde aqui, estudando. Ela enchia a gente de conteúdo, porque éramos adolescentes e queríamos ir para a rua, mas ela com todo o jeitinho fazia com que a gente aproveitasse ao máximo as aulas. Dona Cora é uma referência como pessoa, como lucidez de ações e visão de futuro”, disse Mônica Debs.

SERVIÇO: Para adquirir o calendário 2019, basta ir a um dos espaços culturais da cidade, como a  Biblioteca Municipal, Arquivo Público, Biblioteca Sesi,  Casa da Cultura, Espaço Cultural do Mercado, Museu Municipal e Casa da Banda, entre outros que podem ser vistos no portal da Prefeitura Municipal www.uberlandia.mg.gov.br. A publicação é gratuita.
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