24/12/2018 às 13h52min - Atualizada em 24/12/2018 às 13h52min

Humor na terceira idade

Aos 74 anos, o ator Michael Douglas vive protagonista em série que aborda velhice e morte de forma humorística

FOLHAPRESS
Michael Douglas vive Sandy Kominsky na série "O Método Kominsky" | Foto: Reprodução Facebook
Sandy Kominsky não está mais na flor da idade e, antes astro de sucesso, agora ganha a vida treinando aspirantes a ator para comerciais de xampu. Teve casamentos fracassados e sua filha adulta mal o suporta. Por essas e outras, quando Michael Douglas foi convidado para interpretar o rabugento protagonista de "O Método Kominsky", nova série de humor da Netflix, disse que só havia uma maneira de receber a proposta. "Aos 74 anos?", ele questionou. "Graciosa e alegremente", fala Douglas, em entrevista ao jornal The New York Times, sobre a atração. "Eu disse que, se eles estavam procurando o que a velhice tem de cômico, eu era o cara certo."

Lembrado até hoje por filmes como "Atração Fatal" (1987) e "Instinto Selvagem" (1992), o ator teve seus personagens transformados em símbolo de uma espécie do machismo americano característico das décadas de 1980 e 1990. Levou ainda Oscars, pelos longas "Wall Street - Poder e Cobiça" (1985) e "Um Estranho no Ninho" (1976, do qual ele foi um dos produtores).

Mas, se um dia foi idolatrado, Douglas hoje vive em paz com o conhecimento de que essas glórias não duram para sempre. Depois de superar um câncer, chegou a ser acusado de desvios de conduta sexual. Planos de longa duração não são o seu estilo. "Jamais pensei com muita antecedência no que faria a seguir", diz o ator ao jornal, em seu suntuoso apartamento, em Nova York. "Eu consigo compreender um cara cuja vida não saiu exatamente como ele esperava."

Hoje, Douglas tem três filhos: Cameron, da união com Diandra Luker, Carys e Dylan, de seu casamento com Catherine Zeta-Jones. Ele também sobreviveu a um câncer estágio 4: "Um grande tumor, do tamanho de uma amêndoa, na base de minha língua". O ator retomou sua carreira em "Minha Vida com Liberace", filme de Steven Soderbergh para a rede HBO, em 2013. A interpretação lhe valeu um Prêmio Emmy. E então surgiu "O Método Kominsky". Chuck Lorre, criador da série, queria um programa sem trilha de risadas, que lhe permitisse tratar de questões como velhice e mortalidade, usualmente fora do humor de situação.

DUPLA DE IDOSOS

"Acabo de completar 66 anos, e nasci programado para ver o humor que existe nisso", diz Chuck Lorre, criador da série "O Método Kominsky", em entrevista ao jornal The New York Times. "Dentro de um corpo envelhecido existe uma testemunha que ainda acredita ter 18 anos. Quando não estou chorando, é engraçado", completa ele.

Cerca de um ano atrás, Lorre começou a delinear o relacionamento entre os dois personagens principais da série da Netflix: um poderoso agente do mundo do entretenimento (interpretado por Alan Arkin) cuja mulher morre de câncer no primeiro episódio, e Kominsky (Michael Douglas), que por conta disso se vê forçado a perceber que o tempo que lhe resta na Terra, além de degradante, será também limitado.
Lorre afirma que logo pensou em Douglas para o papel. "Há uma elegância sublime na maneira pela qual ele se apresenta ao mundo", disse o produtor. "Somando seu talento à sua experiência, ele saberia bem como interpretar cada momento, tanto os pungentes quanto os humorísticos, com grande elegância e de maneira detalhada", finaliza Lorre.
 
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