20/12/2018 às 08h58min - Atualizada em 20/12/2018 às 08h58min

Fundo falso de armário tinha armas e dinheiro

FOLHAPRESS
Algumas munições eram de uso exclusivo do Exército | Foto: PC-GO
A Polícia Civil de Goiás apreendeu ontem cinco armas de fogo e o equivalente a R$ 405 mil em dinheiro na casa de João Teixeira Farias, o João de Deus, em Abadiânia (GO). O material estava escondido em várias partes do quarto do médium, entre elas o fundo falso de um guarda-roupa.

A quantia estava distribuída em malas e no esconderijo do armário. Havia cédulas de várias moedas, incluindo reais, dólares americanos e canadenses, pesos argentinos, euros e francos suíços.

Já as armas, todas sem registro, estavam num baú, numa gaveta e numa caixa. Trata-se de dois revólveres de calibre 32 e um de 38, uma pistola 380 e uma garrucha, esta última com numeração raspada. Havia ainda munições diversas, entre elas algumas de uso exclusivo do Exército, e uma arma de brinquedo.
O delegado-geral de Goiás, André Fernandes, disse que o médium vai responder por posse ilegal de armas de fogo. A origem do armamento, bem como do dinheiro, ainda vai ser investigada.

A delegada Karla Fernandes, coordenadora da força-tarefa que apura os supostos abusos sexuais cometidos por João de Deus, afirmou ser plausível que a fonte dos recursos seja doações de fiéis, o que, segundo ela, não precisa ser declarado ao Fisco. Segundo registros contábeis encontrados, só a livraria mantida pelo médium girava R$ 500 mil por mês.

As buscas em três endereços, entre eles a Casa Dom Inácio de Loyola, local dos atendimentos de João de Deus, levaram mais de quatro horas. Peritos do Instituto de Criminalística de Goiás usaram substância que serve para detectar material genético, como sangue e sêmen, no recinto em que, segundo mulheres denunciantes, ocorriam as violações.

A defesa de João de Deus informou que seu cliente tem R$ 34,2 milhões em sua conta bancária no banco Itaú de Anápolis (GO). Em nota, o advogado Alberto Toron contestou a informação de que o médium retirou a quantia depositada. "Em diligência realizada na data de ​hoje, na agência 9664 do banco Itaú em Anápolis, a defesa obteve a informação de que não houve qualquer movimentação ou resgate de R$ 35 milhões da conta bancária de João de Deus, conforme alardeado pelo Ministério Público em seu pedido de prisão", disse o criminalista. "O saldo total de sua carteira de investimentos, na data de hoje, é de R$ 34.281.815,06", acrescentou.

Até a sexta (21), a Polícia Civil espera concluir o primeiro inquérito do caso João de Deus. Ele deve ser indiciado por posse sexual mediante fraude, cuja pena é de até seis anos de reclusão em regime fechado, por suposto abuso de uma mulher que procurou atendimento em 24 de outubro.

Ela contou aos policiais que João de Deus a levou para o quarto de atendimentos individuais e a massageou na região sob o ventre, com a justificativa de dissipar uma energia ruim. Em determinado momento, teria notado que o médium estava com o pênis de fora e reagido, deixando o recinto.

Segundo as investigações, João de Deus ofereceu um quadro religioso à mulher e a presenteou com uma pedra. Em depoimento, ele confirmou ter oferecido a obra de arte, mas disse não se recordar da pedra. E negou ter molestado a paciente. "A prisão preventiva está decretada com base nele [esse inquérito], então há prazo para ele ser concluído", explicou Fernandes.

João de Deus está preso desde o domingo no núcleo de custódia de Aparecida de Goiânia. Na terça (18), a Justiça negou liminarmente seu pedido de libertação.
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