05/12/2018 às 07h34min - Atualizada em 05/12/2018 às 07h34min

“E a cor a gente imagina” é acessibilidade na dança

Dois bailarinos, um deles cego, estão em turnê que passa por minas Gerais

DA REDAÇÃO
Oscar Capucho (acima) e Victor Alves (abaixo) dão sequência a uma pesquisa iniciada em “Sentidos” no ano de 2014 | Foto: Fernanda Abdo/Divulgação
O bailarino e diretor da Laia Cia. de Danças Urbanas, Victor Alves, e o ator, bailarino independente, cego desde os nove anos, e ex-integrante do grupo de teatro Nós Cegos, Oscar Capucho, estão percorrendo vários municípios de Minas Gerais com o espetáculo “E a cor a gente imagina”, que também conta com duas oficinas, ministradas cada uma por um deles.

Eles já passaram por Ouro Preto, Tiradentes, Viçosa, Diamantina, e na sexta-feira (7) chegam a Araxá. O projeto já passou por Rio de Janeiro e São Paulo e de Araxá segue para Vitória (ES). O espetáculo aborda as diferenças e relações entre o corpo cego e o que enxerga, em um mundo predominantemente visual. Também traz reflexões que reforçam a importância de tornar a acessibilidade mais presente no cotidiano, além de ser acessível, pois toda a programação conta com audiodescrição e interpretação em libras.

Nas oficinas trabalham os sentidos além da visão, por meio de elementos das artes cênicas, o ritmo e expressões corporais, com foco no House Dance. As oficinas são dedicadas prioritariamente ao público cego e de baixa visão. Caso não sejam preenchidas pelo público-alvo, em sua totalidade, ficarão abertas para o público geral. O projeto foi contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2017-2018.

Esse é o segundo trabalho dos artistas juntos e é tido como a continuidade da pesquisa iniciada em 2014, com “Sentidos”. Ao final das apresentações, o público participa de uma conversa com os artistas, com a equipe do Svoa – responsável pela audiodescrição – e com os intérpretes de Libras, sobre as impressões obtidas pelos espectadores, o processo de criação da dança e o dia a dia desses profissionais que trabalham com acessibilidade.

As inscrições para as oficinas de Araxá podem ser feitas pelos links: https://goo.gl/forms/nWW3nTn9QjejW79b2 (Oficina de Sensibilização Corporal, com Oscar Capucho), dia 7, e https://goo.gl/forms/KXzKvAH7ecCgzarb2 para Oficina de House Dance, com Victor Alves, dia 8. O espetáculo será apresentado no Sesi Prof. Djalma Guimarães no dia 7, às 19h30. Os ingressos custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada).
 
OFICINAS
 
Além da apresentação, o projeto “E a cor a gente imagina” conta com uma parte prática e. A oficina Sensibilização Corporal com Oscar Capucho tem o objetivo de aguçar os sentidos além da visão e trabalhar a espacialidade por meio de elementos da dança e do teatro. Assim, as pessoas videntes que participarem utilizarão vendas nos olhos, pois é uma atividade pensada para pessoas cegas ou com baixa visão.

A segunda oficina, House Dance com Victor Alves, aborda o ritmo e a expressão corporais através de elementos das danças urbanas, com foco no estilo House Dance. Podem participar jovens com idade a partir de 12 anos e experiência mínima de um ano em qualquer tipo de dança.
 
ARTISTAS
 
Victor Alves é bailarino e diretor da Cia. De Danças Urbanas, de Belo Horizonte (MG), e assina a direção de “E a cor a gente imagina”. Oscar Capucho é ator, do grupo de teatro Nós Cegos, e assina os textos e a dramaturgia do espetáculo. Ambos possuem vivências em dança contemporânea e somaram suas experiências para a construção desse trabalho, que é o segundo da dupla. A primeira montagem, “Sentidos” (2014), foi contemplada em 2015 no edital Cena Música, da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte.
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