04/12/2018 às 10h30min - Atualizada em 04/12/2018 às 10h30min

O amor que não nos destruirá

New Order faz show impecável na Arena Sabiazinho que contou com um público aquém de sua grandiosidade, porém, bastante devoto

ADREANA OLIVEIRA
Foto: Adreana Oliveira
Um setlist com 21 músicas, uma a mais do que o apresentado em Buenos Aires (ARG) e em São Paulo (SP). Um New Order inédito em terras uberlandenses, um show sem precedentes para a cidade. Bernard Summer (vocal, guitarra), Stephen Morris (bateria), Gillian Gilbert (teclados), Phil Cunningham (guitarra) e Tom Chapman (baixo) subiram ao palco às 22h cravadas. Um brinde à pontualidade britânica. Histórico, ter por aqui dois integrantes do Joy Division (Summer e Morris).
Ao chegar na Arena Sabiazinho a primeira impressão é de que o show teria um público aquém de sua grandiosidade, o que chega a frustrar um pouco. Porém, quando os primeiros acordes de “Singularity” ecoaram por ali o público presente, em sua maioria, demonstrou uma grande devoção à banda e a partir daí começou uma grande festa.

Summer estava simpático. Pedia um pouco mais de retorno aqui, um pouco mais ali, sempre com aquela altivez inglesa. Desejou boa noite algumas vezes, pediu palmas, em outro momento questionou se o público compreendia realmente o que estava falando e no final disse que o público de Uberlândia foi “fucking fantastic”.

Até a tecladista Gillian, que tem sempre uma postura mais firme, parece ter esboçado mais sorrisos do que o comum. Em poses para a câmera o campeão era Cunningham, sempre muito cortês. E Chapman teve todo o respeito do público que, em seu íntimo, chegou a desejar ver Peter Hook naquele palco. Mas nada estragaria aquela noite. A outra metade do Joy Division no palco, Morris, conduzia tudo perfeitamente.

Hits como “Blue monday” e “Bizarre love triangle” obviamente fizeram mais barulho, mas ali, com fãs de perfis e idades bem diferentes, todos, de alguma forma, aproveitaram cada música. Emoção mesmo ficou para o bis com três canções de Joy Division. A primeira, “Atmosphere”, que levou a repórter às lágrimas. Em “Love will tear us apart” a inscrição “Ian Forever” ganhava o telão em alguns momentos e o público sentia que o sonho estava para acabar.

Por mais que houvesse quem insistia em se exibir para a própria câmera do telefone celular de costas para o palco (o que considero o maior desrespeito para com o artista), o quem mais se via eram rostos felizes, olhos fechados, pessoas dançando como se ninguém estivesse olhando.

DIFICULDADES

Em tempos de sucesso efêmero e hits instantâneos pré-fabricados e de qualidade questionável, realizar um show como esse do New Order não é fácil, muito menos em cidades como Uberlândia. Afinal, eles não figuram estão “bombando” nas rádios e redes sociais apesar de uma história linda e importante para a música mundial.

Percebe-se que é preciso mais carinho, mais atenção do poder público em acontecimentos como esse, que projetam a cidade para todo o país e também para o mundo. A economia da cultura parece ainda não ter encontrado seu lugar por aqui. Quanto mais público, mais gente será recrutada para trabalhar, mais gente vai comentar, mais gente vai ter coragem de fazer grandes produções por aqui. A roda gira. Muito se fala em internacionalização da cidade, mas pouco se vê fazer pelo público cada vez mais preso dentro de casa, na segurança de seu lar com o controle remoto na mão e sem problemas com estacionamento.
 
SETLIST NEW ORDER - UBERLÂNDIA
1 Singularity
2 Regret
3 Age of consent
4 Restless
5 Crystal
6 Academic
7 Your silent face aka KW1
8 Tutti Frutti
9 Subculture
10 Bizarre love triangle
11 Vanishing point
12 Waiting for the Sirens' Call
13 Plastic
14 The perfect kiss
15 True faith
16 Blue monday
17 Temptation

BIS
18 Atmosphere (Joy Division)
19 Decades (Joy Division)
20 Love will tear us apart (Joy Division)
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