27/11/2018 às 08h27min - Atualizada em 27/11/2018 às 08h27min

Bolsonaro confirma o 5º militar no alto escalão

General Carlos Alberto dos Santos Cruz será secretário de governo

AGÊNCIA BRASIL
Cruz ocupou a Secretaria de Segurança Pública do governo Temer | Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O presidente eleito, Jair Bolsonaro, anunciou ontem o general-de-divisão Carlos Alberto dos Santos Cruz como novo secretário de governo. O órgão tem status de ministério. O oficial irá assumir a função que hoje é desempenhada pelo deputado Carlos Marun (PMDB-MS). A principal missão de Cruz será a articulação com o Congresso Nacional e com partidos políticos e o diálogo com estados e municípios. É também através da Secretaria de Governo que o futuro presidente estabelecerá relações com organizações civis e entidades representativas da juventude. Cruz ocupou a Secretaria de Segurança Pública durante o governo do presidente Michel Temer (MDB), entre 2017 e 2018, e foi apontado como o possível ocupante do mesmo cargo no futuro governo.

Nascido na cidade de Rio Grande (RS), em junho de 1952, o general formado na Academia Militar das Agulhas Negras (Resende-RJ), comandou as tropas da ONU na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH) entre 2007 e 2009. Cruz também fez parte do grupo de conselheiros da ONU para a revisão do reembolso aos países contribuintes de tropas em missões de paz.

Quando entrou para a reserva do Exército Brasileiro em dezembro de 2012, assumiu a chefia de assuntos militares da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República. No ano seguinte, voltou para ativa, designado pelo Secretário Geral da ONU, como comandante das tropas na Missão das Nações Unidas para a Estabilização da República Democrática do Congo (Monusco).

QUINTETO

Com a indicação do general de divisão Carlos Alberto dos Santos Cruz para o cargo de ministro da Secretaria de Governo, chegam a cinco os militares em cargos de primeiro escalão na gestão de Jair Bolsonaro - ele próprio capitão reformado do Exército. A Vice-Presidência também será ocupada por um militar, o general da reserva Hamilton Mourão, que pretende assumir outras funções no Planalto. Desde o fim da ditadura, há mais de três décadas, não se via tamanho envolvimento dos militares na vida partidária do país.
 
Confira os 5 militares que terão destaque no governo
 
Hamilton Mourão (vice-presidente)
General do Exército. Já declarou que sua função no governo será monitorar as atividades ministeriais e as políticas públicas. Segundo ele, a ideia é que fique sob o encargo da Vice-Presidência subchefias hoje controladas pela Casa Civil e pela Secretaria-Geral, como as relativas ao controle dos ministérios, de políticas públicas e do Programa de Parcerias de Investimentos.
 
Carlos Alberto dos Santos Cruz (ministro da Secretaria de Governo)
General de divisão do Exército. É atualmente conselheiro da ONU e já foi comandante das forças da organização no Haiti e no Congo. Era cotado para assumir a Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, que será comandado pelo ex-juiz Sergio Moro.
 
Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional)
General do Exército. Foi comandante da missão da Nações Unidas no Haiti (2004 e 2005) e diretor do Instituto Olímpico e do departamento de Comunicação e Educação Corporativa do COB (Comitê Olímpico do Brasil). Foi cotado para vice de Bolsonaro, mas não aceitou.
 
Fernando Azevedo e Silva (ministro da Defesa)
General do Exército. Ex-chefe do Estado-Maior do Exército, ele esteve à frente da Autoridade Pública Olímpica durante o governo de Dilma Rousseff. Neste ano, Azevedo e Silva deixou o Alto Comando do Exército para auxiliar a presidência do STF (Supremo Tribunal Federal), chefiada pelo ministro Dias Toffoli, por sugestão do comandante do Exército, general Villas Bôas.
 
Marcos Pontes (ministro de Ciência e Tecnologia)
Tenente-coronel da Força Aérea Brasileira (FAB). Engenheiro formado no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), foi o primeiro astronauta brasileiro a ir para o espaço, em 2006.
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