14/10/2018 às 09h00min - Atualizada em 14/10/2018 às 09h00min

Aventura em quatro rodas e em família

Jeep clube de Uberlândia conta com mais de 200 integrantes e atividades se estendem ao longo do ano

ÉDER SOARES
Fotos: Jeep Clube/Divulgação
Imagine uma trilha com muito barro, poeira e obstáculos naturais como mato alto, erosões, pedras. Some-se a isso uma boa dose de amizade, companheirismo e espírito de aventura. Essa é a receita básica para se tornar um jipeiro - ou jeepeiro. Uma modalidade que vai muito além de simplesmente gostar de um veículo 4x4 e rodar por estradas quase que intransitáveis. E detalhe: sempre em família. 

O Jeep Clube de Uberlândia realiza atividades ao longo de todos os meses do ano para mais de 200 pessoas associadas. No clube não existe competição, a amizade e solidariedade são o que move a integração entre os jeepeiros. Para participar do clube é preciso ser amante e defensor da natureza, não ter medo de aventuras e, literalmente, não pode ficar no atoleiro. 

Há certa discussão sobre qual o termo correto: Jeep ou Jipe. Jeep se refere ao nome da montadora norte-americana e que produzia o Jeep Willys no começo da década de 1940, durante a segunda Guerra Mundial. Já a palavra Jipe pode se referir ao conceito dos carros 4x4 off road ou “fora de estrada” - hoje existem várias marcas e modelos no mercado. Os dois conceitos, no entanto, são adotados pelos praticantes do estilo off road.

O clube de Uberlândia foi fundando em 1998 com nome de Jeep Clube do Triângulo, mas em 2005 teve o nome alterado para o atual.  O comerciante Celso Ferreira, de 56 anos, é o presidente do Jeep Clube.  “Naquela época, o clube era informal e então o organizamos, criamos CNPJ, até chegar ao número de 60 carros, o que no total corresponde a mais de 200 membros, já que em cada Jeep existem as famílias que também participam”, disse Celso.

Cada carro paga uma taxa de R$ 500 por ano, dinheiro destinado para a manutenção do clube e despesas gerais com os eventos que acontecem mensalmente. “Fazemos expedições, eventos, trilhas todas as semanas, como exemplo as jipadas, que é um evento fantástico. Viajamos para fora do país, para o Peru e Bolívia, e também promovemos muitos eventos sociais, como campanhas de alimentos e de cobertores”, afirmou o presidente.

Em meio à natureza, o Jeep Clube faz questão de ajudar o meio ambiente. Constantemente, os associados participam de plantio de árvores. “Este ano já plantamos mais de 100 mudas de árvores. Fizemos uma parceria com a Defesa Civil e sempre que convocados, ajudamos a ‘destombar’ carros, já que temos o guincho do Jeep Clube. Ajudamos a fiscalizar reservas, se tem desmate fazemos questão de denunciar. Trazemos lixo que recolhemos nos locais, as pessoas deixam muito plástico, garrafas pet e outras coisas que denigrem a natureza”, comentou Celso.

As jipadas são marcadas em fazendas da região, na qual participam jipeiros de várias partes do Triângulo. “São em média três dias fazendo confraternização, trilhas, com uma estrutura bem montada e até com shows de banda de rock, como aconteceu recentemente. É uma festa para toda a família”.

O aposentado Fernando Lasmar tem 56 anos. Ele é um dos membros mais antigos do Jeep Clube, com mais de 15 anos. “Sempre estou com minha família: filhos e netos. Para participar do Clube do Jeep e fazer tudo o que fazemos é preciso gostar muito. O jipe é um estilo de vida, de diversão. A melhor coisa que temos aqui é a amizade e solidariedade uns pelos os outros. Não tem nada igual”, conta.

A sede oficial do Jeep Clube de Uberlândia fica no Distrito Industrial. Ela é chamada carinhosamente de “Terrão”. “Lá, temos uma pista, na qual usamos também para treinar quem nunca pilotou um Jeep, até pegar o jeito. Temos toda uma estrutura para receber as pessoas”, completou Fernando. 


Celso Ferreira (sentado), presidente do Jeep Clube
 
MARCA
Nem todo veículo tem estrutura para suportar obstáculos
 
Segundo o presidente do Jeep Clube, é preciso tomar cuidado na hora da compra do veículo para quem pretende ser um jipeiro. Muitos entendem a marca Jeep como se qualquer carro da montadora fosse apropriado para fazer as aventuras. O Jeep começou a ser produzido entre 1941 a 1945, nas versões Willys MB (produzida pela Willys) e o Ford GPW (produzido pela Ford), durante a Segunda Guerra Mundial. 

O modelo é considerado como o “pai” de todos os carros “fora de estrada”, porém já está ultrapassado. Carros da Jeep como o Renegade, Compass e Cherokee não têm estrutura para suportar os osbstáculos. Da marca originalmente norte-americana, que atualmente foi adquirida pela italiana Fiat, está no mercado o Jeep Wrangler, enquanto o velho e bom Jeep Willys é mais utilizado para trabalhos na zona rural.

“A pessoa, muitas vezes levada por gente de má fé, compra um Renegade, que é fabricado pela Jeep, e chega aqui querendo participar do clube, mas se trata de um carro que não tem a mínima condição de ir para as estradas de terra e passar pelas condições que um carro “fora de estrada” apropriado consegue suportar. Então fazemos também este papel de orientar as pessoas sobre qual veículo ela precisará”.

Existem modelos “fora de estrada” que podem ser encontrados a partir de R$ 25 mil, mas um veículo melhor equipado e com melhores condições não sai por menos de R$ 50 mil. Celso Ferreira tem uma garagem na qual é especializada na venda de jipes. 

“Tem pessoas que às vezes chegam aqui, acham o carro bonito e compra sem andar. Depois não gosta, pois acha o carro muito duro. Mas não tem como você ter um carro robusto e confortável. É preciso gostar muito do veículo “fora de estrada” e principalmente das atividades que são feitas”, disse Celso, que completou falando sobre o Jeep Willys.

“Hoje, o cara quer ar condicionado. E como você vai pegar a estrada andando em um carro que chega somente a 60 km por hora? Você pega um Troller que chega até a 160 km por hora. Fomos para o Peru rodando mais de 8 mil km”, afirmou. 
 
Veículos “Fora de Estrada” mais usados no mercado:
 
Marca Modelo
Jeep Willys
Jeep Wrangler
Toller(Ford) Troller
Suzuki Jimny
Agrale Marruá
Toyota Bandeirante
Tac Stark
Curiosidade - Frases de jipeiros:
 
“A mulher eu troco, o cachorro talvez, o jeep nunca"
 
"Ela disse: eu ou o jeep!
Tenho saudades dela..."
 
"Quer sofrer? me acompanha..."
 
Não é o Jeep que é feio e desconfortável, você que é um chato...
 
“Volto sujo, mas de alma lavada”
 
“Jipe é que nem mulher de amigo, cê só olha, más num põe a mão”
 
"Vale mais um péssimo dia de jeep, do que um ótimo dia de trabalho"
 
"Jeep - De 0 a 100 em 15 minutos, mas com estilo"
 
"Deus um dia me disse: - Filho você esta indo para o mau caminho
Eu respondi:  - Senhor, não esquenta, estou de Jeep!"
 
"Do pó viemos, ao pó voltaremos..."
 
“Bons meninos vão pro céu. Jipeiros vão onde quiserem”
 
"Eu desatolo Ecosport"
 
“Coração de jipeiro não bate... trepida”
 
“Sangue de jipeiro não circula... faz off road”
 
“Se Maomé não vai até a montanha é por que não tinha um jeep”
 
“Tá com pressa? Passa por baixo!”
 
"Eu acredito em gnomos, pescadores, jipeiros e outros mentirosos"
 
Fonte: 4x4 Brasil

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