09/10/2018 às 08h14min - Atualizada em 09/10/2018 às 08h14min

Haddad e Bolsonaro traçam estratégias

Capitão reformado quer ir a debates, mas precisa de aval médico; petista reduz menções a ex-presidente Lula

FOLHAPRESS
Jair Bolsonaro e Fernando Haddad disputam 2º turno | Fotos: Tânia Rego/Abr e Ricardo Stuckert/Divulgação
Para se consolidar como o candidato antipetista no segundo turno, Jair Bolsonaro (PSL) pretende participar de debates presidenciais, atacar o PT e seus escândalos de corrupção e dizer que não terá governabilidade se o seu adversário, Fernando Haddad (PT), for eleito.Filho do capitão reformado, Flavio Bolsonaro (PSL-RJ) comemorou ontem o resultado das urnas e, em especial, destacou o crescimento da bancada do PSL no Legislativo. A legenda passou de 7 para 52 cadeiras na Câmara e de 0 para 4 assentos no Senado. "Isso significa que o Jair Bolsonaro já iniciará o próximo governo, se Deus quiser, com a grande e ampla base de apoio e mostra que o lado oposto dificilmente terá governabilidade. É mais um ingrediente para que todos avaliem que o caminho melhor é com Bolsonaro", afirmou Flavio, que foi eleito no domingo (7) senador pelo Rio de Janeiro. De acordo com ele, Bolsonaro já demonstrou interesse em comparecer aos eventos, mas a definição depende de uma avaliação médica, prevista para hoje ou amanhã.

O primeiro duelo entre os presidenciáveis no segundo turno está marcado para quinta-feira (11), na TV Bandeirantes. "Nós vamos ter a oportunidade de esclarecer àqueles que ainda estão se deixando enganar por um projeto de poder falacioso, mentiroso e corrupto que é do PT", afirmou Flavio. No último enfrentamento entre os postulantes ao Palácio do Planalto, Bolsonaro foi criticado por seus concorrentes por sua ausência. Ao mesmo tempo em que a TV Globo transmitia o debate na última quinta (4), a TV Record transmitiu uma entrevista exclusiva com o candidato do PSL.

O núcleo da campanha de Bolsonaro avalia estratégias a serem adotadas para a disputa no segundo turno. Por enquanto, a ordem é seguir o discurso de ataques ao PT, criticar a confiabilidade das urnas e defender o combate à corrupção. "O Jair com o foco, usando o seu forte, que são as redes sociais. Vai ter uma visita dos médicos para determinar se ele vai poder ir para a rua em algum momento, se ele vai poder sair de casa. Então o próximo fator importante vai ser essa perícia dos médicos que vão dizer até onde ele pode ir e até onde ele não pode ir", disse Flávio. Caso a avaliação seja de que o candidato do PSL tem condições de fazer viagens, deve ser priorizada a região Nordeste, única não visitada por ele durante a campanha e reduto de voto tradicionalmente petista.

HADDAD
Em sua primeira entrevista coletiva após o primeiro turno, o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, reduziu as menções ao ex-presidente Lula, e fez um aceno aos candidatos derrotados nas urnas. Haddad foi a Curitiba pela manhã para visitar Lula na Polícia Federal, onde ele cumpre pena por corrupção - mas deu entrevista em um hotel no centro da cidade, e não na frente da prisão, como sempre faz. Ele passou cerca de duas horas reunido com Lula, mas não quis detalhar a conversa, nem dizer qual a análise que o ex-presidente fez do resultado eleitoral. O petista também não quis responder se voltará a visitar Lula em Curitiba, e só mencionou o ex-presidente uma vez, ao longo de 18 minutos de entrevista, ao dizer que mantém uma "longa amizade" com Ciro Gomes (PDT), "desde o primeiro governo Lula".

Setores do PT defendem que o ex-prefeito de São Paulo reduza as menções a Lula e passe a conduzir a candidatura, que ele assumiu em meados de setembro. Para Haddad, sua ida ao segundo turno, com 29% dos votos, foi "um feito". Ele disse que pretende defender um projeto de "desenvolvimento com inclusão social", e destacou a "defesa do estado de bem-estar social" como uma das principais diferenças entre a sua candidatura e a de Jair Bolsonaro (PSL). "O neoliberalismo que ele [Bolsonaro] propõe vai agravar a crise; já não deu certo na Argentina e não vai fortalecer o poder de compra do trabalhador", disse.
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