05/10/2018 às 12h42min - Atualizada em 05/10/2018 às 12h42min

Esportistas esperam maior valorização dos próximos governos

Gestores, treinadores e atletas reclamam da falta de planos e ações visando ao crescimento do esporte

Éder Soares
Técnico do Lobos, Diogo Sartini, entende que o esporte vai muito além de apenas competição (Divulgação)

O esporte é reconhecidamente um meio transformador quando se pensa em uma sociedade de hábitos mais saudáveis, tanto no que tange a parte física quanto mental. No esporte não se formam campeões somente dentro das quadras, campos e pistas, mas principalmente na vida como cidadãos. A socialização é um dos fundamentos mais básicos ensinados para uma criança ou adolescente quando se inicia em determinada prática esportiva.
Neste domingo, milhões de brasileiros irão às urnas para eleger os novos governantes para os próximos anos. Entre as várias expectativas de melhorias para a população, desportistas de várias modalidades também ficam na expectativa de que os eleitos possam ter uma maior atenção com o esporte e, especialmente, trabalhar para que mais investimentos possam acontecer no setor.

O Diário de Uberlândia conversou com alguns “guerreiros” locais, que literalmente suam a camisa para conseguir viabilizar a participação de atletas em inúmeras competições de âmbitos estadual, regional, nacional e até internacional. Muitas vezes, a falta de apoio e inércia política para se pensar e trabalhar novas práticas públicas de apoio ao esporte, acabam impedindo que muitos talentos sejam revelados e outros tantos consigam realizar seus sonhos.

Professor de educação física, Leandro Garcia é treinador da equipe paralímpica Minas Olímpica/Futel, que representa Uberlândia nas principais competições pelo Brasil e no mundo. Ele é responsável pela preparação do medalhista paraolímpico Rodrigo Parreira. Desde 2003 como treinador, ele pede para que os governantes priorizem o esporte.
“Esperamos que independentemente do plano de governo de quem sair vencedor neste domingo, que o esporte seja prioridade. Não é só saúde, educação, segurança, que torna um país grande. Grandes nações, grandes culturas, têm o esporte como prioridade. O ser humano nasceu para se movimentar. E essa cultura do movimento vem se perdendo nas grandes cidades, principalmente com o aumento da tecnologia. Com isso a nossa sociedade tem ficado cada vez mais doente”, disse Leandro.

“Como profissional da educação física, eu aproveito o espaço para dar este alerta, seja a nível municipal, estadual ou federal. Vamos tratar o esporte com responsabilidade, que nós teremos resultados satisfatórios e com custo baixíssimo. É caro demais tratar uma doença, é caro demais tratar uma sociedade que não se movimenta, uma sociedade sedentária, obesa e depressiva. Quando temos uma preparação física melhor, nós temos mais saúde e mais energia, que é capaz de levar o nosso país para frente”, concluiu.

Alexsandro Damas é treinador e coordenador do Divas do Don Almir, equipe de futebol feminino da cidade, que luta
contra muitas barreiras a fim de manter o projeto para adolescentes carentes que sonham em se tornarem jogadoras profissionais. Ele garante que tem percebido descaso dos candidatos quando o assunto é esporte, e mais especificamente futebol feminino.

“Estamos acompanhando os programas políticos, mas é uma situação que nos deixa preocupados, pois se fala muito de economia, segurança, educação, que é muito importante, mas infelizmente não percebemos uma ênfase tão grande, ou praticamente nada em relação ao esporte, que é uma situação importantíssima e que influencia diretamente no crescimento e na questão de oportunidades ao ser humano”, disse Damas, que completou falando sobre o que espera para a melhora do esporte feminino.

“Infelizmente, não estamos vendo nos candidatos, para todos os cargos, nenhum se reportando de forma consciente em priorizar e fomentar o esporte. Especificamente no nosso caso, ao esporte feminino, que sofre muito com o preconceito e com a falta de investimentos. Simplesmente estamos esquecidos. Espero que [os eleitos] tragam mais incentivos, para que os clubes de futebol feminino possam se reestruturar e então fazer o seu papel de inclusão à sociedade”, disse.
 
LUTA ANTIGA
Atletas destacam falta de incentivo e políticas públicas
 
Bruno Xucrute é jogador do Uberlândia Rugby, mais um esporte que vem crescendo no país em termos de interesse do público, mas que sofre como outros com a falta de incentivos e políticas públicas para que possa se alavancar. “O governo destes últimos dois anos fez cortes bruscos no repasse ao esporte, principalmente nesse final de mandato. Também vimos o descaso da manutenção de muitos complexos esportivos após a passagem das Olimpíadas. No nosso esporte em especifico, um campo que era para ser referência no país e o melhor campo público de rugby, localizado dentro da UFRJ, infelizmente virou um matagal”, disse Xucrute, que que completou dizendo o espera dos novos governantes.

“Gostaria que as pessoas entendessem que na sociedade as necessidades são interligadas e se ajudam mutuamente. Segurança, saúde, educação, economia e esporte trazem benefícios de diversas formas um para o outro. Já está mais que provado que o esporte é formador de caráter, ajuda na educação, tira crianças e adolescentes das ruas, melhora a saúde, cria campeões e pessoas melhores. Por isso, tem de se estudar os candidatos não por apenas uma dessas propostas, mas pelo conjunto delas. O que é benéfico para a sociedade como um todo, reflete-se no indivíduo também direta ou indiretamente.  Não temos esportes só de quatro em quatro anos, temos todos os dias em todas cidades do Brasil”, finalizou.     

A atleta de maratonas e corridas Ariadenes de Souza, que representa o Praia Clube em provas por todo o país, entende que é preciso valorizar o esporte desde a base. “Acredito que a gestão que assumir poderia incentivar e valorizar o profissional de educação física, principalmente no âmbito escolar. Pois acredito ser neste espaço que as crianças são estimuladas e orientadas a um desenvolvimento que vai além do físico, ou até mesmo futuros atletas. Estaremos formando cidadãos e indivíduos capazes de se posicionar e refletir sobre o mundo em que vivem”, disse a corredora, frisando a necessidade de haver políticas que contemplem todas as idades como forma de aproximar mais a população do esporte. “Além disso, é necessário que haja mais patrocinadores, incentivadores e apoiadores em todas as modalidades esportivas, pois muitas áreas são deficientes desses incentivos e possuem grandes aspirações, bons atletas e potenciais em diversos esportes”.

Outro esporte em Uberlândia e no Brasil que briga com a falta de incentivo e planejamento é o futebol americano. O técnico e ex-jogador Diogo Sartini está de olho nos futuros governantes. “Primeiramente, em minha visão, estamos vivendo um momento muito difícil de polarização. As pessoas estão se engajando, mas de uma forma, ao meu ver, perigosa, pois não existem apenas dois lados. Estamos falando de um país que é continental e tem diferenças culturais gigantescas. Nessa hora é preciso pensar nas melhorias e nas discrepâncias. Não vejo hoje um candidato pronto e que tenha uma proposta que seja a melhor”, afirmou.

“Acho que seria importante que o esporte não seja encarado como uma medida recreativa, ou simplesmente competitiva. Eu vejo que o esporte vai muito além disso. O esporte é, primeiramente, uma questão de saúde porque existem estudos que apontam que a cada 1 dólar que você investe no esporte, 10 dólares você economiza na saúde. Acho que o grande problema do esporte que é as pessoas querem respostas a curto prazo. De um modo geral, acho que quando atrelarmos o esporte com a educação, como é feito nos Estados Unidos, a coisa vai melhorar. O esporte precisa estar englobado em todos os aspectos como educação e saúde, não pode ser tratado de uma forma isolada”, afirmou Sartini.
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