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02/10/2018 às 09h02min - Atualizada em 02/10/2018 às 09h02min

Americano e japonês levam o Nobel de Medicina

FOLHAPRESS
O americano James P.Alisson | Foto: Reuters/ABR/Divulgação
O Prêmio Nobel de Medicina de 2018 foi para o americano James P. Allison e o japonês Tasuku Honjo pelas descobertas ligadas ao combate do câncer com drogas que aceleram a função do sistema imunológico, a chamada imunoterapia.
A estratégia pode ser traduzida como remover o "disfarce" do tumor para que o próprio organismo lute contra a doença. A descoberta, de acordo com o Comitê do Nobel do Instituto Karolinska, na Suécia, formou um quarto pilar no tratamento contra o câncer, diferente de tudo que havia até então, como quimioterapia, cirurgia e radioterapia.

A pesquisa teve grande desenvolvimento nas últimas décadas e aumentou a efetividade de tratamentos contra vários tipos de câncer que não respondiam bem às drogas que existiam antes, como melanoma, câncer de pulmão e câncer de rim, por exemplo, diminuindo drasticamente a taxa de mortalidade relacionada a eles. Pioneiro na área, o imunologista americano James P. Allison, do MD Anderson Cancer Center da Universidade do Texas, teve a ideia de tentar soltar o "freio" do sistema imunológico conhecido como CTLA-4, um receptor presente na célula T, responsável por reconhecer células que não são normais no organismo.

A estratégia para conseguir isso foi preparar um anticorpo que se ligasse no receptor, impedindo que esse freio molecular pudesse ser ativado. Com isso, Allison conseguiu curar camundongos que tinham melanoma. O anticorpo ipilimumab (comercializado como Yervoy, da Bristol-Myers Squibb) age da mesma forma em humanos. Outro freio molecular, cuja inibição pode gerar efeitos ainda mais dramáticos, de acordo com o comitê do Nobel é o PD-1. Fruto da pesquisa liderada pelo médico e imunologista Tasuku Honjo, da Universidade de Kyoto, o bloqueio do PD-1 também abriu uma avenida de possibilidades, com possivelmente menos efeitos colaterais do que a terapia anti-CTLA-4.


O japonês Tasuku Honjo divide o prêmio com o norte-americano | Foto: Reuters/ABR/Divulgação

Entre as drogas hoje comercializadas que agem no funcionamento do PD-1 estão o nivolumab (Opdivo, também da Bristol-Myrers Squibb) e o pembrolizumab (Keytruda, da MSD). Ambas foram aprovadas recentemente, em 2014. Uma consequência natural do desenvolvimento dessas pesquisas foi a combinação das duas terapias, a qual gerou uma resposta ainda maior do que aquelas obtidas individualmente. Esse conhecimento se consolidou na última década, e cada vez mais tipos de câncer são tratados com a chamada imunoterapia.

A escolha do vencedor do mais importante prêmio da área é realizada por um grupo de 50 pesquisadores ligados ao Instituto Karolinska, na Suécia, escolhido por Alfred Nobel em seu testamento para eleger aquele que tenha feito notáveis contribuições ao futuro da humanidade para receber a láurea. O prazo para o comitê receber as indicações foi dia 31 de janeiro. Geralmente são centenas de indicados.

Podem indicar nomes membros do Comitê do Nobel do Instituto Karolinska, biologistas e médicos ligados à Academia Real Sueca de Ciências, vencedores dos Nobéis de Fisiologia ou Medicina ou de química, professores titulares de medicina de instituições suecas, norueguesas, finlandesas, islandesas ou dinamarquesas e acadêmicos e cientistas selecionados pelo comitê do Nobel -autoindicações são desconsideradas. A cerimônia de premiação propriamente dita dos vencedores deste ano só ocorre em dezembro.
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