20/09/2018 às 08h02min - Atualizada em 20/09/2018 às 08h02min

Forster quer um futebol feminino forte

Melissa Forster tem hoje 41 anos e, aposentada dos campos, atua como fisioterapeuta

Éder Soares
Melissa Forster fez carreira de sucesso no futebol feminino (Divulgação)
Desde pequena, a uberlandense Melissa Forster, de 41 anos, fez peripécias jogando futebol. Em um país no qual o futebol feminino sofre com o descaso e falta de investimento, a ex-atacante da Seleção Brasileira conseguiu fazer carreira e vestir camisas de grandes clubes como Saad Sport (SP), Palmeiras (SP), Santos (SP) e São Paulo.  Atualmente, a atleta está fora dos campos, mas, sempre que pode, bate uma bolinha com as amigas e ainda apoia um projeto social de incentivo ao futebol feminino na zona leste de Uberlândia.

Além de grandes clubes no Brasil, Melissa integrou o elenco da Seleção Brasileira na Olimpíada de Sidney (2000). Em 2003 ela foi para a Europa, onde atuou por equipes como Lazio e Lecce, ambos da Itália.  Já em 2009, decidiu retornar ao Brasil e logo de cara ingressou na Marinha como atleta militar, integrando a Seleção Brasileira Militar, por onde se sagrou bicampeã mundial.

A aposentadoria dos gramados aconteceu em 2014, depois de um curto e sofrido período na Portuguesa (SP). Mesmo formada em fisioterapia e atuando na área, ela não deixa de lado a paixão pelo futebol e tem o sonho de ver o futebol feminino brasileiro no topo do mundo. Ela é uma das apoiadoras do “Divas do Don Almir”, equipe do bairro da zona leste da cidade, que dá aulas de graça para garotas carentes e que participa de competições na cidade e pela região.

“Conheci o projeto através das redes sociais e passei a frequentar. Acho que é um projeto diferente, muito bem coordenado pelo Alexsandro Damas e que apoia o sonho de muitas meninas. Acho que Uberlândia precisa e tem condições de ter um time disputando o Campeonato Mineiro e até competições nacionais. Temos aqui jogadoras com muito potencial e que bastam ser trabalhadas e terem oportunidade”, afirmou Melissa, falando ainda sobre a falta de incentivo no futebol feminino, em Uberlândia e no Brasil.

“As dificuldades sempre existiram por inúmeros motivos e não se findarão, mas a coisa se arrasta ao longo das décadas. A falta de incentivo é gritante, mesmo assim consigo enxergar muitas jogadoras de talento, que precisam apenas de oportunidade”, disse Melissa.

DNA

Melissa tem linhagem no futebol. Ela é neta de Piorra, jogador que vestiu a camisa do Uberlândia Esporte Clube na década de 1960. “Dizem que ele era espetacular, um canhoto fora de série, mas que teve a carreira interrompida por lesões nos joelhos, problema que na época acabava com a carreira de talentos como o dele. Ele sempre me via brincando na praça do bairro Brasil, falava, me chamava porque eu era bem encrenqueira”, disse.

Melissa destaca que no início da carreira vislumbrou uma ascensão rápida no futebol, o que acabou não acontecendo. “Quando tinha meus 17 anos pensei: nossa, quando eu estiver com 30 anos já terei feito minha vida. Isso porque eu não tinha dúvidas de que seria atleta. Joguei em alto nível até quatro anos atrás, mas nada mudou”, explica.

Para a jogadora, ainda falta muito a conquistar no futebol feminino, mas aos poucos as coisas estão melhorando e as mulheres vem mostrando o seu valor. “Mostramos que temos condições de jogar futebol sem ter apoio de fato. Somos vice-campeãs olímpicas, coisa que não é fácil. Conquistamos o direito de mostrar que somos capazes e hoje temos uma voz. A Marta está aí, por várias vezes a melhor jogadora do mundo, para exemplificar isso.”

Para finalizar, Melissa faz questão de destacar o treinador que mais gostou de trabalhar em sua carreira, segundo ela, quem lhe deu a oportunidade primordial. “O Jeferson Gimenez foi aquele que me lapidou, assim que cheguei para jogar em São Paulo. É um profissional espetacular e que realmente me abriu as portas para o futebol do mundo”, afirmou. 
 
 
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