21/08/2018 às 08h10min - Atualizada em 21/08/2018 às 08h10min

Milton Nascimento faz show hoje em Uberlândia

Cantor e compositor prepara seu retorno à cidade com uma banda formada por grandes e talentosos amigos

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Milton Nascimento se apresenta em Uberlândia na quinta-feira (23) com o “Semente da Terra” | Foto: Nathalia Pacheco/Divulgação
Ele é o mais mineiro dos cariocas. Tem uma voz inconfundível, suave, profunda, forte. Só o seu falar é uma poesia. Milton Nascimento chega na quinta-feira (23), em Uberlândia, onde faz show no Center Convention, para matar a saudade de seu público daqui.

Aos 75 anos ele se mantém em atividade, compondo, tocando principalmente sendo feliz. Atualmente, Augusto Nascimento, seu filho adotivo, assumiu o posto de empresário do pai. Em maio passado eles estiveram no “Programa do Bial” e contaram que, apesar de já conviverem juntos há dez anos os papeis da adoção só saíram no ano passado.

Próximo do filho e dos amigos Milton está na estrada com “Semente da Terra” há dois anos e a cada final de semana a alegria aumenta.

Em mais de 50 anos de carreira e com mais de 30 álbuns, o artista tem inúmeras parcerias com músicos brasileiros – de Elis Regina a Criolo - e estrangeiros, de diferentes gerações. Fora do Brasil ganhou a simpatia e admiração de músicos como Duran Duran, Paul Simon, Björk, Peter Gabriel e Sarah Vaughan.

O reconhecimento internacional é reforçado por cinco prêmios Grammy. Confira abaixo trechos da entrevista concedida por Milton Nascimento ao Diário de Uberlândia.
 
ENTREVISTA

DIÁRIO DE UBERLÂNDIA - Milton, primeiramente obrigada por atender o Diário de Uberlândia. A cidade aguarda ansiosa sua chegada com "Semente da Terra". Como está a receptividade do público com esta turnê?
MILTON NASCIMENTO - Eu gosto muito de Uberlândia, e já estava sentindo falta de cantar aí. Ainda bem que falta pouco para que isso aconteça. Nós estamos com essa turnê na estrada tem quase dois anos, e a repercussão tem nos deixado muito felizes. E a cada show, a cada nova cidade a gente fica ainda mais alegre de estar nesse caminho.

Vi você e o Augusto Nascimento, seu filho, no “Programa do Bial” que tratou do tema adoção, e foi algo bem emocionante. Conhecemos sua história e sabemos o quanto suas mães têm um papel importante na sua vida pelo amor incondicional. "Maria, Maria" é um hino para as mulheres brasileiras, sejam elas mães ou não. Para você o que essa música representa?
Fernando Brant, autor da letra de “Maria, Maria”, costumava dizer que se inspirou em todas as Marias com quem conviveu durante toda a vida. “Maria, Maria” é o símbolo da força da mulher. E foi inspirada numa personagem real, a Maria que tinha três filhos e morava na beira da linha de um trem. Ela tinha uma força incrível, passava dificuldade mas colocava os filhos pra estudar. Ela cuidava deles e eu não faço ideia como. A história dela é muito bonita. É um exemplo na alma de cada um. O povo brasileiro, aliás, dá muito exemplo na forma que a gente deve enfrentar a vida.

Nesta turnê você faz uma homenagem aos Guarani Kaiowá em um momento em que nosso País passa por momentos difíceis em todos os setores que se pode imaginar. Com sua experiência e viagens pelo mundo, o que acredita que nós, brasileiros, podemos fazer para não deixar questões como esta dos kaiowá (levantada por você desde "Txai") caírem no esquecimento?
Essa é uma reivindicação muito ampla. Então, pra não correr o risco de fazer uma citação errada, a gente precisa recorrer aos pesquisadores sobre o tema. E eles sempre têm a resposta, sempre. Para quem quiser saber mais sobre o assunto, aconselho o filme "Martírio", de Vincent Carelli, e o livro "Os fuzis e as flechas", do Rubens Valente. É a melhor fonte para entender o que se passa com os índios brasileiros.

Em mais de 50 anos de carreira você transita por diferentes gerações, tem parcerias com grandes nomes nacionais e internacionais que sempre lhe rendem merecidas homenagens. O que pode nos dizer dos trabalhos realizados com Tiago Iorc e Criolo?
Eu sempre gostei de fazer parcerias com artistas de diferentes gerações e estilos. E minha parceria com Criolo e Tiago Iorc mostra bem isso. São duas pessoas das quais eu tenho uma admiração enorme, e isso foi fundamental para que a gente trabalhasse juntos. Mas a amizade está acima de tudo.

Você continua compondo, cantando e fazendo shows mostrando uma vitalidade incrível. Como recarrega suas energias?
Gosto muito de ficar em casa e receber os amigos. Meu maior combustível é a amizade, sem isso nada seria possível. E esse show representa bem isso. Pois além do meu filho, que também é meu empresário, essa turnê é toda formada por amigos. Desde a banda, ao pessoal de produção, da técnica, todo mundo aqui é muito próximo. Antes de pensar até no show em si a gente sempre quis um encontro de amizade. Todo mundo deu sugestões sobre o setlist, a começar pelo Danilo Japa, que é o diretor artístico deste show, passando por Augusto, e principalmente a contribuição do Wilson Lopes na direção musical e cordas, Beto Lopes (sete cordas), do baterista Lincoln Cheib, além do contrabaixo de Alexandre Ito, dos vocais de Barbara Barcellos, do piano de Kiko Continentino e dos metais de Widor Santiago.

O que gosta de fazer quando não está trabalhando? O que lhe faz rir?
Hoje em dia estou me sentindo na melhor fase da minha vida. O momento que estou vivendo é muito bom, então eu acho que isso também tem uma influência grande. E minha mudança para Juiz de Fora para morar com meu filho foi outra coisa que me ajudou muito nesse processo de retomada.
 
SERVIÇO
O QUE: Show “Semente da Terra”
QUEM: Milton Nascimento
QUANDO: Quinta-feira (23), às 22h, abertura do local às 20h
LOCAL: Center Convention (Av. João Naves de Ávila 1.330, Piso C, Bairro Tibery)
INGRESSOS: R$ 180 (inteira Setor 1) e R$ 90 (meia-entrada Setor 1), R$ 160 (inteira Setor 2) e R$ 80 (meia-entrada Setor 2) à venda na 247 no Uberlândia Shopping ou pelo site livepass.com.br (com taxa de conveniência)
INFORMAÇÕES: 3232-1288
 
DISCOGRAFIA
“Travessia” (1967)
“Courage” (1968)
“Milton Nascimento” (1969)
“Milton” (1970)
“Clube da Esquina - com Lô Borges” (1972)
“Milagre dos Peixes” (1973)
“Milagre dos Peixes Ao Vivo” (1974)
“Native Dancer com Wayne Shorter” (1974)
“Minas” (1975)
“Geraes” (1976)
“Milton” (1976)
“Clube da Esquina 2” (1978)
“Journey To Dawn” (1979)
“Sentinela” (1980)
“Caçador de Mim” (1981)
“Anima” (1982)
“Missa dos Quilombos” (1982)
“Ao Vivo” (1983)
“Encontros e Despedidas” (1985)
“Corazón Americano” (1986)
“A Barca dos Amantes” (1986)
“Yauaratê” (1987)
“Miltons” (1989)
“Txaí”(1990)
“O Planeta Blue na Estrada do Sol” (1992)
“Angelus” (Warner, 1994)
“Amigo” (1995)
“Nascimento” (1997)
“Tambores de Minas” (1997)
“Crooner” (1999)
“Gil & Milton - com Gilberto Gil” ( 2000)
“Pietà” – Warner (2002)
“O Coronel e o Lobisomem” (2005)
“Novas Bossas” (2008)
“Milton Nascimento & Belmondo” (2008)
“...E a Gente Sonhando” (2010)
“Uma Travessia, 50 Anos de Carreira Ao Vivo” (2013)
“Tamarear” (2014)
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