11/08/2018 às 06h13min - Atualizada em 11/08/2018 às 06h13min

Por um Brasil com mais Lenines

Cantor e compositor se apresenta domingo no Mineiro Beat e fala ao Diário sobre o que move sua arte

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Lenine e sua banda se apresentam domingo (12) no Mineiro Beat | Foto: Flora Pimentel/Divulgação
Uma conversa com Lenine jamais é uma conversa ordinária. O magnetismo que o artista passa por meio de suas músicas se estende ao seu interlocutor, mesmo que por telefone. Atração de domingo (12) no festival Mineiro Beat, que começa hoje na área externa do Teatro Municipal de Uberlândia (veja programação abaixo).

No tom da voz, a simpatia e humildade de alguém que nem parece ser detentor de cinco Grammy Latino, dois prêmios APCA e nove prêmios da Música Brasileira. Aos 59 anos, quase 40 deles dedicados à música, Lenine está em turnê com o mais recente trabalho, “Em Trânsito”, que faz pausa domingo em Uberlândia.

“Estamos no meio da ladeira que é o lançamento desse novo projeto e sou grato por conseguir rodar com ele por todo o Brasil”, disse Lenine, em entrevista ao Diário de Uberlândia na última teçra-feira.
Para ele, o estar em trânsito tem uma consonância com a realidade. Cair na estrada com esse projeto, acompanhado por sua banda é uma dádiva. Antes de gravar o CD e o DVD, eles fizeram um show. Um documentário está previsto para ser exibido no Canal Brasil.

“Eu ando muito bem acompanhado. O projeto teve um enfoque mais coletivo a partir do momento que decidimos fazer o show antes de qualquer formato. Esses músicos, alguns comigo há mais de 30 anos, tem uma conotação familiar. Meu filho (Bruno Giorgi) nasceu nesse núcleo. É o diretor do projeto e guitarrista da banda. Eles me ajudam a transpor tudo que componho de forma solitária”, contou. Além de Bruno, a banda conta com Jr. Tostoi (guitarras e vocal), Guila (baixo e vocais) e Pantico Rocha (bateria).

“’Em Trânsito’ foi instigado pelos meios que me cercam. O nome surge por conta da constatação dessa velocidade vertiginosa das mudanças que ocorrem e não conseguimos acompanhar. Vivemos uma distopia sem passado e sem futuro com a urgente necessidade de sobreviver no presente”, comentou o artista.

O primeiro single, “Intolerância”, tem o tom cinza que permeia a vida da maioria dos brasileiros. Além de artista, Lenine é um homem das letras, daqueles que sabe que o papel de cada um é definitivo na questão da sobrevivência inclusive do planeta. Um alento é a crença de que a arte, junto com a educação, ainda pode mudar esse cenário.

“Se eu não acreditasse nisso já teria deixado de fazer o que eu faço. Acredito realmente na possibilidade da música e da criação musical ser ferramenta de transformação e não fico só no nicho do entretenimento. A arte é uma alavanca, um trampolim, um elemento transformador que pode ter essa funcionalidade ampliada quando linkada com a educação”, diz o músico que ressalta o modo como a arte é uma questão fundamental e faz parte da estratégia de desenvolvimento dos países de primeiro mundo.

Lenine gosta de tocar em festivais plurais como o Mineiro Beat, que reúne cenas diferentes da música. “Procuro sentido de adequação a tudo”, afirmou.

Questionado sobre o que faria caso fosse eleito presidente do Brasil, ele ri. “É um exercício maluco que jamais vai acontecer. Posso reiterar que existe uma diferença fundamental entre o governo e quem está no governo. Eles são transitórios e não vi nenhum focar na educação porque demora uma geração para surtir efeito... não impactaria em sua gestão. O poder no Brasil está na mão de 30, 40 famílias que não conhecemos e distribuem migalhas nos três poderes, que brigam por elas. Infelizmente, dói e angustia saber que às portas de uma nova eleição, vai ser tudo mais do mesmo”.
 
LINE UP


Pabllo Vittar é a atração de sábado | Foto: Fernanda Tiné/Divulgação


A segunda Edição do Mineiro Beat traz 17 atrações de diferentes vertentes. Na arena, além dos dois palcos, haverá feira mix, pista de skate, praça de alimentação, espaço verde e espaço para escalada e slack line. Entre os artistas que representam a cena local está o rapper Vaine. Nascido em São Paulo, ele está em Uberlândia desde 2015,  quando ingressou, via Sisu, no curso de Artes Visuais da UFU. “Não conhecia nada sobre a cidade, o que foi assustador no começo, mas acabei encontrando caminhos mais produtivos pra mim, na questão musical principalmente. Apesar de São Paulo ser um polo cultural, Uberlândia me recebeu muito bem e pude contribuir mais numa cena de rap ainda em formação”, disse.

O rapper sempre colaborou com artistas de outros estilos. A primeira vez que subiu no palco foi com Kainã Bragiola, radicado em Uberlândia, em um show na cidade. “Isso fortalece a cena de rap/hip hop, porque faz o trabalho circular em diferentes espaço. Apresentamos nossa produção, que fica geralmente restrita ao nosso próprio nicho, o que não é um problema, mas é um agente limitador”, afirmou ele que no show de promete o melhor que o rap uberlandense tem produzido. “Podem esperar muitas histórias que narram um pouco das dores e alegrias do meu cotidiano e, inevitavelmente, acabam sendo, também, a história do público ali presente”, fisse ele que lançará o primeiro EP neste ano. No dia 18 Vaine ingressa no Spotify com o single "Tristeza Camará".

Pabllo Vittar dispensa apresentações. A cantora que começou a carreira em Uberlândia está ganhando o Brasil e o mundo. Recentemente estrelou "Prazer, Pabblo Vittar", no GNT e fez parcerias com grandes nomes da música nacional e internacional, além de figurar em programas e telenovelas da Globo. Sobre o projeto na GNT, Pabllo ficou satisfeita com o resultado. "Foi meu primeiro programa de TV e eu amei cada segundo. Nunca tinha apresentado nada e me apaixonei por essa experiência. E foi um programa que abordou temas importantes pra nossa sociedade atual e isso é gratificante, principalmente por ser um artista LGBT e drag queen", disse.
Pabllo está com saudade de performar em Uberlândia e promete um show cheio de energia, coreografia e talvez até umas surpresinhas. Neste mês a artista lança o primeiro single do novo álbum, em seguida o álbum completo e depois segue em turnê pelo Brasil. “Essa é a melhor parte”, disse.

Aos 23 anos, Pabllo diz que sua principal força para manter os pés no chão e a cabeça no lugar com os prós e contras da fama está na família, amigos, equipe e fãs. “Estamos sempre em contato e dividindo experiências, o que pra mim é importante".

SERVIÇO
O QUE: Festival Mineiro Beat
QUANDO: sábado (11) e domingo (12), das 16h à meia-noite
LOCAL: Teatro Municipal de Uberlândia
SERVIÇO: Ingressos pelo site ingressolive.com/mineirobeat ou lojas Chilli Beans (Pratic Shopping, Center Shopping e Uberlândia Shopping) a partir de R$ 40
CLASSIFICAÇÃO: 16 anos
INFORMAÇÕES: mineirobeat.com.br

PROGRAMAÇÃO

SÁBADO (11)
15h10 Sick
15h50 Udischool + LKS
16h30 Muñoz
17h10 Cícero
18h10 Rimas & Melodias
18h55 Mato Seco
19h55 Froid
20h55 Pabllo Vittar
22h Thascya + DJ Jade Baraldo

DOMINGO(12)
15h10 Translúcido
15h50 Vaine + Tiagobits + Kainã Bragiola
16h30 EPB Sessions
17h10 Venosa + Beto Bruno
17h55 Trio Ângulo Mineiro + Bocato e F. Rodovalho
18h40 Rincon Sapiência
19h40 Francisco El Hombre
20h40 Lenine
22h KVSH
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