03/08/2018 às 12h56min - Atualizada em 03/08/2018 às 12h56min

O que fazer com Hitler em mãos?

Cia. Teatro de Guerra apresenta monólogo com Ernane Fernandez em ficção escrita por Rafael Lorran

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Ernane Fernandez em cena de “Boa noite, Hitler!”, que será encenada na Escola Livre | Foto: Larissa Dardania/Divulgação
O que você faria se pudesse voltar no tempo como babá Adolf Hitler, sabendo o que ele se tornaria? Eliminaria o ditador ainda bebê, ou não? Este é o conflito que permeia o espetáculo teatral “Boa noite, Hitler!”, da Cia. Teatro de Guerra, que será apresentado hoje na Escola Livre do Grupontapé de Teatro.

A peça estreou em junho passado e vem sendo desenhada desde setembro de 2017. O monólogo traz o ator Ernane Fernandez, que também assina direção do espetáculo, com texto do dramaturgo Rafael Lorran, muito elogiado por Ernane. “Ele é de Uberlândia e tem alcançado reconhecimento também pelo Brasil e fez um texto maravilhoso que conseguimos trabalhar muito bem juntos”, disse Ernane.

Para o ator, enquanto protagonista e diretor, o principal desafio foi se autodirigir. “Geralmente quando se tem o diretor ele te conduz com um olhar de fora. Neste caso, eu mesmo me dirigindo, tive que ampliar minha percepção com relação ao processo. Foi como sair um pouco de mim para conduzir o processo”, afirmou.

Ele pensou e investiu em toda a produção como cenário, figurino, iluminação. “Esse foi outro desafio. Fiquei uns nove meses sozinho, ensaiando. Precisei de muita disciplina. Fiz um investimento para bancar todo esse processo que veio do meu bolso. Felizmente tive apoios fundamentais como da Associação de Teatro de Uberlândia (ATU), o espaço para os ensaios, a própria Escola Livre, entre outros”, contou Ernane.

O espetáculo tem como proposta de encenação valer-se de várias vertentes do teatro e de outras artes para a criação de uma estética única. Algumas dessas vertentes sobressaem e podem ser notadas com mais facilidade, como o teatro clássico, cinema, performance, melodrama, tragédia grega, simbolismo e o realismo fantástico, acreditando assim na possibilidade de usar mais de uma linguagem artística para a composição de um trabalho que possibilite diversas e potentes leituras a partir de uma dramaturgia textual como fio condutor.

A sonoplastia do espetáculo é composta por rock melódico e guiada por músicas de bandas como Guns N’ Roses, Nirvana, Pink Floyd e Scorpions tomando o lugar das tradicionais músicas de ninar e levando o trabalho para uma atmosfera dark e ao mesmo tempo terna.

Além de Ernane na atuação, encenação, cenário, figurino, pesquisa musical e direção e texto de Rafael Lorran, “Boa noite, Hitler” tem iluminação de Marianne Dias e Pedro Solirian com consultoria de Camila Tiago; apoio em costura de Thainá Maria, operação de som de Wesley Nunes e arte gráfica de Eduardo Bernardt. Os apoiadores são a ATU, Espaço Porta 84 e Cia. Teatral Confraria Tambor.

SINOPSE
“Boa noite, Hitler” traz à cena a inquietude de um ser humano – personagem que transita entre masculino e feminino - frente a um recém-nascido que futuramente se tornaria o maior ditador da história mundial: Adolf Hitler. Num jogo psicológico e de espaço-tempo, esse personagem residente em algum lugar do mundo e num tempo denominado moderno, volta ao passado com a missão de ser, por uma noite, a babá de Hitler. Esse “personagem do futuro” tem as informações sobre o histórico aterrorizador construído ao longo da história pelo nazismo e terá diante dele a chance de matar - ou não - Hitler ainda criança. Um dilema moral presente em toda trama.

SERVIÇO
O QUE: espetáculo teatral “Boa noite, Hitler!”
QUEM: Cia. Teatro de Guerra
QUANDO: hoje, às 19h
ONDE: Escola Livre do Grupontapé de Teatro (R. Tupaciguara, 471, Aparecida)
INGRESSOS: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada) disponíveis na bilheteria do teatro a partir das 18h
CLASSIFICAÇÃO: 14 anos
INFORMAÇÕES: 99240-5054
 
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