30/07/2018 às 08h19min - Atualizada em 30/07/2018 às 08h19min

Os desafios dentro e fora do campo

Adriano Aro assumiu recentemente a direção do esporte no Estado e pretende fortalecer o futebol amador e do interior

EDER SOARES | REPÓRTER
Foto: FMF/Divulgação
Com apensa 36 anos, o advogado Adriano Aro tem a incumbência de administrar o futebol mineiro, terceiro colocado no ranking por federações da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Desde junho, ele substitui Castellar Guimarães Neto, que deixou o cargo em Minas para assumir uma das vice-presidências da CBF. O jovem advogado tem laços fortes com a Federação Mineira de Futebol (FMF). Seu avô, José Guilherme Ferreira, administrou a entidade na década de 1960, depois o seu tio, Elmer Guilherme Ferreira, este à frente da FMF entre as décadas de 1980 e 2000. O Diário de Uberlândia convidou Adriano Aro para uma bate-papo. Ele falou um pouco sobre o cenário atual da FMF e seus objetivos para o crescimento do futebol mineiro.

Diário: Como a FMF avalia o futebol profissional do Triângulo e Alto Paranaíba?
Adriano: É uma das regiões mais promissoras do nosso Estado. Apesar da queda do Uberlândia para o Módulo II, o que muito nos entristece, sobretudo pela perda de jogos no Parque do Sabiá e pela excelente relação que mantemos com a diretoria do Clube, a região do Triângulo e Alto Paranaíba está a todo vapor no futebol mineiro. O Uberaba sempre chega forte nas competições que disputa e temos a presença da URT e da Patrocinense em nossa divisão de elite.  Sem dúvida nenhuma é um importantíssimo centro esportivo e comercial do nosso Estado. Há alguns anos mantemos nossa parceria com a Cemil, uma marca regional do Triângulo, que viabiliza e caminha conosco em várias ações do futebol mineiro.

Diário: Por favor, fale um pouco mais sobre a queda do Uberlândia.
Adriano: A divisão de elite de Minas perde muito com a queda do Uberlândia. Um excelente estádio e uma grande cidade que não vamos ter no Módulo I, em 2019. Diretores e atletas comprometidos com a causa do Clube, que mesmo se planejando como sabemos, não conseguiram se manter. Já vimos em outras oportunidades que o futebol em campo, em alguns momentos, trai o planejamento fora das quatro linhas. O que não podemos é desqualificar o trabalho da gestão como um todo. Se o gol não veio e, por consequência, os pontos não foram somados, há que se fazer uma avaliação segmentada e trabalhar de forma pontual. O UEC é um tradicional clube de Minas Gerais e temos certeza que, juntamente com o seu torcedor, voltará em breve a figurar na elite do futebol mineiro.

Diário: Você chega agora à diretoria, mas acompanha Castellar Neto desde que ele assumiu a FMF, quais você considera os principais avanços da entidade nos últimos anos?
Adriano: São vários os avanços que percebemos. Posso citar exemplos fundamentais que se tornaram referência positiva para a nossa gestão:  A mudança de endereço, com instalações modernas e ambientes reservados aos filiados, transformou a rotina dos nossos funcionários e público externo.
Além disso,  a criação do site, que funciona como um portal do Futebol Mineiro, otimizou em 100% a vida dos nossos filiados, que hoje realizam todos os trâmites referentes aos seus atletas online. Com a implantação do sistema, tanto o futebol profissional quanto o amador possuem agora a mesma estrutura de registro de jogadores, tabelas, artilharia, classificações, súmulas e borderôs (quando existentes). Essa dinâmica de informações transformou nossa relação com os nossos públicos.

Diário: Em relação à arbitragem, o que foi feito?
Adriano: O fortalecimento da Comissão Estadual de Arbitragem, com a vinda e manutenção do Giulliano Bozzano na liderança do grupo. Como instrutor FIFA, Bozzano reposicionou o nosso quadro de árbitros junto à CBF, além de manter a capacidade de revelação de novos talentos com trabalho sério e de credibilidade.

 Diário: Como você analisa o Mineiro da elite na temporada 2018?
Adriano: Os Clubes foram muito questionados pela mudança na fórmula de disputa e a inclusão das quartas de final do Campeonato Mineiro, mas o que se verificou foi uma visibilidade maior em função da cobertura jornalística. Além disso, evoluímos na questão do público presente nos estádios, com a torcida do Cruzeiro e América aumentando significativamente a média dos jogos em Belo Horizonte. No interior, o Uberlândia é também um exemplo concreto de torcida que comparece ao campo e fomenta o futebol mineiro. Essas observações quanto ao calendário e ao público presente nos jogos são sempre consideradas para que possamos melhorar a disputa a cada edição.

Diário: A FMF planeja alguma estratégia diferente para 2019 em relação às competições organizadas pela entidade?
Adriano: Somos norteados pelo Estatuto do Torcedor, que determina que as fórmulas de disputa sejam mantidas por pelo menos duas temporadas. Também possuímos nosso estatuto e nosso regulamento geral de competições, que balizam nossas ações e escolhas no decorrer do ano. Trabalhamos nossas estratégias junto às ligas e clubes para que os custos referentes às competições sejam bem diluídos entre federação e equipes participantes. Observamos atentamente nossas possibilidades de avanços, seja no quesito organizacional ou financeiro para que juntos possamos evoluir e qualificar o futebol mineiro.

Diário: A FMF é uma das principais Federações do Brasil e que já por alguns anos não consegue organizar a sua copa estadual do segundo semestre, a Taça Minas. O torneio pode voltar a acontecer no ano que vem? Existe algum plano para que ela possa ser viabilizada, como busca de patrocínios e vagas para a Copa do Brasil e Série D, como acontece em outros estados?
Adriano: A Taça Minas é um objetivo anual da FMF. De acordo com a CBF, para realizarmos a competição é necessário um quórum mínimo de clubes, o que ainda não conseguimos na nossa gestão. Além disso, promover a competição implica em custos e sabemos das dificuldades orçamentárias de todos. Não desistimos. Voltaremos a convidar os clubes para tentarmos somar o contingente mínimo necessário. Assim feito, pleitearemos junto à CBF uma vaga em uma competição nacional como prêmio ao vencedor do Torneio.

Diário: Existe alguma preocupação especial em relação às equipes do interior, que sofrem muito com a falta de calendário e com problemas financeiros?
Adriano: Sim. Estamos sempre atentos aos nossos filiados, sobretudo aos do interior. Frequentemente recebemos diretores e equacionamos medidas protetivas de diversas ordens. Também estamos, gradativamente, oferecendo cursos preparatórios e de aperfeiçoamento aos nossos filiados e seus gestores. O que não podemos fazer é acobertar problemas de gestão. Atualmente, vemos muitos aventureiros no futebol. Não podemos lidar com esse tipo de questão de forma inconsequente, injetando recursos onde o trabalho não é comprometido e organizado.

Diário: A FMF, por questões financeiras já alegadas, ainda não paga a taxa de arbitragem para os clubes. Existe uma previsão de quando isso possa acontecer para o alivio do caixa dos clubes, principalmente os do interior?
Adriano: Neste caso específico temos que pensar para todos. Não podemos captar recursos e distribuí-los de forma desigual. Por hora não temos nenhuma alternativa para este subsídio, mas temos como missão primordial a busca de parceiros e recursos para o fomento do futebol em Minas Gerais.

Diário: Como mandatário máximo da FMF, quais são as suas principais prioridades para os próximos anos de mandato?
Adriano: Avalio os quatro anos de gestão do Castellar como muito bons e tenho um compromisso de elevar ainda mais a qualidade dos serviços prestados pela FMF. Tenho o comprometimento de servir todos os meus filiados, mas confesso que teremos um cuidado muito especial com o futebol amador. Ainda que não consigamos revelar dezenas de craques pelo mundo, não podemos deixar de oferecer lazer e entretenimento de qualidade aos milhares de jovens que estão crescendo em nossas cidades. Jovens que precisam de alternativas e têm no futebol um lugar para sonhar.  Vou promover o maior campeonato de futebol amador da história da FMF, uma disputa entre ligas municipais do todo o estado. É um sonho e um compromisso que assumi com nossos filiados e que cumprirei em meu mandato como presidente.
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