18/07/2018 às 08h21min - Atualizada em 18/07/2018 às 08h21min

Vacinação vale para adultos e crianças

Notícia falsa tem gerado dúvidas sobre quem deve se imunizar contra a doença, que tem registro de surtos no Norte do país

MARIELY DALMÔNICA | REPÓRTER COM AGÊNCIA BRASIL

Campanha de vacinação contra o sarampo acontecerá entre 6 a 31 de agosto (OMS/ONU/Agência Brasil)
Durante esta semana, tem circulado nas redes sociais uma falsa informação sobre a vacinação contra o sarampo dizendo que adultos com menos de 50 anos devem receber a dose no próximo mês de agosto. A verdade é que a campanha de vacinação, que acontece entre os dias 6 e 31 do próximo mês, é focada em crianças a partir de um ano e menores de cinco anos, e os adultos podem se imunizar mesmo fora dos dias em que essa ação será realizada.

Segundo Waldênia Rodrigues Gomes, enfermeira da Vigilância Epidemiológica da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Uberlândia, a quantidade de doses é aplicada de acordo com a idade. “Aos 12 meses, a criança deverá receber a primeira dose da vacina tríplice viral. Aos 15 meses de idade, a criança deverá receber a segunda dose com a vacina tetraviral ou a vacina tríplice viral e a de varicela monovalente. De 2 a 29 anos, caso não tenha nenhum registro de dose da vacina tríplice ou tetraviral, deverão receber duas doses com intervalo de no mínimo 30 dias da primeira dose, e de 30 a 49 anos, caso não tenha nenhum registro de dose da vacina tríplice ou tetraviral, deverá receber apenas uma dose”, explicou.

Ainda de acordo com informações da enfermeira, durante a campanha de vacinação, em agosto, mesmo as crianças que já tenham recebido as duas doses da tríplice viral, serão vacinas.

Caso a pessoa tenha perdido o cartão de vacinação e não se lembra se já recebeu alguma dose, ela deve procurar uma unidade de saúde para receber a vacina, que evita o sarampo, a caxumba e a rubéola. Nesse caso, as doses também serão aplicadas de acordo com a idade. “Mas vale lembrar que o cartão de vacinas é um documento extremamente importante para o controle, tanto das unidades de saúde quanto do cidadão, de vacinas já aplicadas”, afirmou Waldênia.

Segundo dados da SRS, desde 2010 não há casos confirmados de sarampo na região. Foram registrados 10 casos suspeitos nos 18 municípios, mas todos foram descartados. Em Uberlândia, a cobertura da primeira dose da tríplice viral atingiu 95,9% da população. Já a segunda dose, o reforço, foi aplicada em 81,3% das pessoas nos quatro primeiros meses de 2018, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde.

Surtos no Brasil

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil enfrenta pelo menos dois surtos de sarampo – em Roraima e no Amazonas. Até o dia 27 de junho, foram confirmados 265 casos de sarampo no Amazonas, sendo que 1.693 permanecem em investigação. Já Roraima confirmou 200 casos da doença, enquanto 179 continuam em investigação.

Ainda segundo a pasta, casos isolados e relacionados à importação foram identificados nos estados de São Paulo (1), Rio Grande do Sul (6), e Rondônia (1). Outros estados têm casos suspeitos, mas que ainda não foram confirmados. Até o momento, o Rio de Janeiro informou oficialmente 18 casos suspeitos e dois casos confirmados de sarampo.

“O Ministério da Saúde permanece acompanhando a situação e prestando o apoio necessário ao Estado. Cabe esclarecer que as medidas de bloqueio de vacinação, mesmo em casos suspeitos, foram realizadas em todos os estados", diz o ministério.

Em 2016, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) o certificado de eliminação da circulação do vírus do sarampo.
 
Saiba quais são os sintomas do sarampo e como evitar

A médica Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), esclarece sobre a transmissão da doença, vacinação e como evitar.

Como se pega o sarampo?
"O vírus é facilmente transmissível. A doença se dissemina de forma similar à gripe, por vias respiratórias, através de um espirro, tosse, beijo e também pelas mãos. Então, é fácil ocorrer um surto de sarampo. Ele se alastra rapidamente."

Quais os riscos para quem contrai?
"Em caso de suspeita, a pessoa precisa procurar uma unidade de saúde. Ela não deve usar medicamentos por conta própria. O sarampo não tem tratamento e o papel do sistema de saúde é dar suporte à pessoa. Pode ocorrer necessidade de hospitalização, mas é raro. Na maioria dos casos, o paciente fica em casa. Mas quadros graves ocorrem e a doença pode inclusive levar à morte."

Como se proteger?
"A única maneira eficaz é através da vacina. Crianças, adolescentes e adultos devem se imunizar não apenas para se protegerem, mas para proteger também os que não podem se vacinar e que são os que correm o maior risco de complicações e de terem quadros que evoluem ao óbito. Estamos falando de pessoas com câncer, pessoas que vivem com HIV e estão imunodeprimidas, pessoas que estão fazendo quimioterapia ou outro tratamento com drogas que causam imunossupressão."

Quem já teve sarampo precisa se vacinar?
"Não. Quem tem certeza que teve a doença não precisa. O sarampo não ocorre duas vezes."

Quem não se lembra ou não sabe se foi vacinado precisa se vacinar?
"Quem não tem certeza, mesmo que ache que já tenha se vacinado, deve se vacinar. Se não tem a carteirinha que comprove a vacinação, não há nenhum prejuízo para a saúde do indivíduo receber uma nova dose."

Há alguma situação em que a vacina não é recomendada, por exemplo, após o consumo álcool ou drogas?
"Situações de vida comum, como o consumo de álcool, não contraindicam a vacinação. Uma das contraindicações é relacionada com as situações de imunodepressão. Grávidas não podem ser vacinadas. Para que estas pessoas fiquem protegidas, as demais precisam se vacinar."

Qual estação do ano ocorre mais transmissão da doença?
"Antigamente, o sarampo tinha maior ocorrência na primavera. Hoje, o que podemos dizer é que ambientes fechados ampliam as chances de disseminação das doenças que são transmitidas por via respiratória".

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