14/06/2018 às 07h51min - Atualizada em 14/06/2018 às 07h51min

A nova obra-prima de Deborah Colker

Cia de dança carioca volta a Uberlândia com “Cão sem plumas”, baseado na obra de João Cabral de Melo Neto

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA

A assinatura Cia de Dança Deborah Colker - não é segredo para ninguém - já é garantia de um espetáculo, na mais pura essência da palavra. Quem assistiu a alguma de suas produções ao longo de 24 anos de história. E a superação é algo que a coreógrafa e bailarina que dá nome à companhia busca constantemente. Hoje, no Teatro Municipal de Uberlândia, a companhia apresenta sua mais nova obra-prima, “Cão sem plumas”, um espetáculo em 4D, nas palavras de Deborah, baseado em poema homônimo de João Cabral de Melo Neto (1920-1999).

O poema, escrito nos anos 50, segue atual. “Esse poema fala sobre o descaso com as águas, com a natureza, com a população ribeirinha e as crianças. É uma obra absurdamente atual na qual falamos do rio Capibaribe, mas representa todos os rios do mundo e quem depende de suas águas”, disse a coreógrafa durante entrevista por telefone ao jornal Diário de Uberlândia, sobre o espetáculo que estreou no final do ano passado.

                                                                                                                                                             Cia Deborah Colker/Divulgação
                                                                     

                                                        “Cão sem plumas” venceu, no último dia 5, o prêmio Benois de la Danse, na Rússia

Deborah conta que trabalhou por dois anos no roteiro das cenas que compõe o filme gravado que faz parte do espetáculo. Foram 24 dias de oficinas e filmagens nas locações escolhidas pelo diretor cinematográfico, também responsável pela dramaturgia, Claudio Assis. “Filmamos onde nasce, onde cresce e onde se esconde esse rio no agreste nordestino. Passamos por algumas áreas que já são quase desertos e mostramos um pouco da cultura de quem vive por ali”, disse.
Essa é uma investida 100% brasileira de Deborah. Todas as filmagens foram feitas em cinco cidades pernambucanas. “Passamos por locações incríveis. É um espetáculo 4D: tem dança, cinema, poesia e música”, explicou ela.

A trilha sonora original traz dois pernambucanos, Jorge Dü Peixe, da banda Nação Zumbi e um dos expoentes do movimento mangue beat, e Lirinha (ex-voclaista Cordel do Fogo Encantado, poeta e ator), além do carioca Berna Ceppas, que acompanha Deborah desde o trabalho de estreia, “Vulcão” (1994).
Em julho de 2013 a companhia esteve em Uberlândia com sua turnê comemorativa de 20 – com performances de “Nó”, “Vélox” e “Tatyana”. A cidade foi a única do interior por onde passou a turnê.

Talentos
Para Deborah Colker, uma carreira de sucesso na dança não precisa, necessariamente, começar na infância. “Tem muitas escolas de ballet que acham que a pessoa deve começar a dançar com 8 anos de idade. A dança contemporânea, no meu caso, é importante porque tem muito da técnica clássica, que dá ao bailarino a propriedade para dançar qualquer coisa. Entre meus bailarinos, todos precisam dessa técnica”, contou.
Já para quem tem o intuito de tornar-se um primeiro bailarino de um repertório clássico, quanto mais cedo começar, melhor. Deborah explique que não se tem o domínio da técnica em três ou quatro anos, leva, no mínio, seis anos.

Prêmio
Hoje a bola começa a rolar na Copa do Mundo da Rússia. Porém, no campo da dança, o Brasil já é campeão. No último dia 5, “Cães sem pluma” foi o vencedor do prêmio russo Benois de la danse, um dos mais importantes da dança no mundo. “Significa muito para nós essa conquista na Rússia, considerada o templo sagrado da dança, afinal, é a casa do Bolshoi”, relata a coreógrafa.
Criada em 1994, a Cia de Dança Deborah Colker conta com patrocínio da Petrobras desde 1995.
 
SERVIÇO
O QUE: Espetáculo “Cão sem plumas”
QUEM: Cia. de Dança Deborah Colker (RJ)
QUANDO: hoje, às 20h
ONDE: Teatro Municipal de Uberlândia (Av. Rondon Pacheco, 7.070, Tibery)
INGRESSOS: R$ 140 (inteira) e R$ 70 (meia-entrada) à venda na bilheteria do teatro a partir das 17h e pelo site megabilheteria.com (com taxa de conveniência)
DURAÇÃO: 70 min
CLASSIFICAÇÃO: livre
INFORMAÇÕES: 3236-1568

FICHA TÉCNICA
Criação, Coreografia e Direção: Deborah Colker
Direção Executiva: João Elias
Direção Cinematográfica e Dramaturgia: Claudio Assis
Direção de Arte e Cenografia: Gringo Cardia
Direção Musical: Jorge Dü Peixe e Berna Veppas, participação de Lirinha
Desenho de Luz: Jorginho de Carvalho
Figurinos: Cláudia Kopke
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