13/05/2018 às 05h37min - Atualizada em 13/05/2018 às 05h37min

Conciliar maternidade e trabalho artístico é perfeitamente possível

Ser mãe se transforma em inspiração para quem tem rotinas diferenciadas dedicadas às artes

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
A DJ Thascya e a filha Sol | Foto: Arquivo pessoal
 
“Mamãe... mamãe”. “Filha, a mamãe está dando uma entrevista”, diz a DJ uberlandense Thascya com uma voz suave para a pequena Ivy, que completa, hoje, 2 anos. O horário da entrevista 8h30, foi algo que a repórter estranhou. Afinal, a vida de DJ é balada! “Eu acordo às 5h todos os dias”, revelou a artista, que também tem a filha Sol de três anos.

A mãe nasce junto com os filhos. Um novo mundo se abre para ela e os olhares da sociedade também mudam para a mulher. Algumas, sofrem com a pressão da maternidade e com dúvidas que parecem se multiplicar como bolhas de sabão sopradas ao ar. Seria hora de parar com tudo para se dedicar totalmente à maternidade? Para Thascya essa nunca foi uma opção. Na minha opinião é um erro a mulher deixar de viver a própria vida para ser ‘somente’ mãe. Todo mundo é único e ninguém pode viver a vida do outro. Tenho isso comigo desde bem novinha porque quero ser feliz comigo mesma. É preciso conciliar sua profissão, seu dia a dia com a maternidade para não se tornar uma pessoa frustrada”, conta ela.

A DJ lançará no dia 1º uma nova música pela multinacional Sony, está com a agenda cheia, tem um estúdio em casa onde passa boa parte do tempo, mas não deixa que essa correria interfira na agenda das meninas. “Além de gerenciar minha carreira, fazer música e cuidar da casa eu amo cuidar delas, estar perto e fazer com que cada uma tenha sua agenda individual”. Sol veio de surpresa para a vida da DJ, já Ivy foi uma escolha. “Eu queria que a Sol tivesse uma companheira, alguém do sangue dela, uma fortaleza para quando eu e o pai estivermos fora. “Quando ela chegou foi surreal. Eu não sabia que conseguiria amar alguém tanto quanto amo a Sol. Elas são tão parceiras, cada uma do seu jeito. Se sentem seguras e protegidas uma com a outra”.

Felipe Gonçalves Oliveira, seu “companheiro de vida”, pai das meninas, também é do meio artístico, integra a banda Sempre Bom, e como Thascya precisa se ausentar aos finais de semana. “Felizmente temos nossos pais para cuidar delas quando precisamos. Quando engravidei da Sol eu morava em São Paulo, tinha meu apartamento e aos 26 anos a carreira era prioridade. Voltei para Uberlândia para ter esse apoio da família”, disse a DJ.

A maternidade mudou muita coisa na cabeça de Thascya. O senso de responsabilidade aumentou, e ao mesmo tempo que bateu um medo do que estava por vir veio uma coragem que ela nem sabia que tinha. “Apesar de estar numa profissão ainda considerada machista, eu amo minha carreira, não me vejo trabalhando em outra coisa. Oito dias depois de dar à luz eu estava tocando. Nos primeiros meses eu retirava o leite duas vezes por dia para deixar pra Sol. Batia uma culpa às vezes. Com dois meses ela não quis mais peito. Chorei, fiquei mal, triste, mas sei que fiz o melhor que pude e foi uma escolha dela”, contou ela que quando está longe sempre faz chamadas de vídeo para falar com as princesas.

Para Thascya, ter uma agenda além da maternidade ajuda na sanidade, no autodesenvolvimento e a fazer as filhas felizes. “Me sinto realizada e colaborativa no mundo. De alguma forma inspiro outras pessoas que me motivam. Quero que minhas meninas se orgulhem da mãe e digo que toda mãe, sem exceção, têm uma força inigualável. A gente aprende mais com a pureza dos filhos do que ensinando a eles. Hoje, Sol e Ivy fazem parte da minha alta performance”, afirma a DJ que começa sempre o seu dia com meditação. “Isso mudou a minha vida”.

AJUSTE DO TEMPO

Para a psicóloga Marilda Coelho quando as mães conseguem conciliar a maternidade com as outras atividades é mais saudável, porém, depende do potencial de cada uma. “A maternidade traz maturidade e faz com que consigamos organizar melhor o nosso tempo. Na minha experiência clínica vejo mães que deixaram de trabalhar por conta dos filhos. Quando começamos o tratamento a primeira coisa que faço é passar uma atividade. A mãe boa é aquela que sabe a hora de cair fora, que não sobra. Umas entendem isso melhor que outras”, disse.

Marilda explica que mais que a quantidade de tempo que você passa com seu filho é preciso investir na qualidade desse tempo. “Se tem mais de um filho, faça de forma individual, a educação não vem por atacado. Você tem que dar o exemplo. Encontre algo que seu filho goste de fazer para compartilhar com ele, cada pessoa precisa de uma atenção diferenciada”.

O trabalho não traz somente uma recompensa financeira, tem a ver com realização pessoal. “Tenho pacientes que dedicam a vida toda aos filhos e quando eles saem de casa, quando o companheiro está com a vida arrumada se sentem perdidas, é quando surge a síndrome do ninho vazio. Ao fazer essa escolha da dedicação integral é preciso que a mãe entenda que é uma decisão individual dela, não adianta querer com juros e correção o tempo investido porque o outro não lhe deve nenhuma indenização”.

COMPANHEIRISMO

Produtora e cineasta ganhou um companheiro de set

A produtora e cineasta Nara Sbreebow é mãe de Hafez F. Chacur, que no último dia 2 completou 10 anos de idade. “Ele já é um pré-adolescente, como o tempo passa rápido”, disse ela durante a entrevista, que aconteceu enquanto ela fazia o almoço pro filhote. Já com dez produções audiovisuais em seu currículo, a cineasta afirma que tornou-se ainda mais produtiva depois do nascimento de Hafez.

“Eu optei por ficar mais parada nos primeiros meses dele para curtir bem essa fase bebê, que passa tão rápido. Foram aproximadamente nove meses de dedicação com pouco trabalho. Afinal, ele já frequentava sets de filmagens na minha barriga, não queria que ele pegasse birra de audiovisual por excesso”, brinca a cineasta também formada em Jornalismo.

Quando Hafez estava com pouco mais de um ano Nara precisou viajar a trabalho. A compreensão dos parceiros foi fundamental para que ela pudesse se dedicar às produções com o menino a tiracolo. “Ele cresceu nos sets de filmagens, ilhas de edição. Quando estava comigo eu parava para amamentar e quando não estava o pai trazia a mamadeira para eu encher e ele levar pro Hafez”, recorda a mãe que é natural de Uberaba, mas já reside em Uberlândia há muitos anos.

Nara afirma que não teve nenhum sentimento de culpa sobre o tempo dedicado à maternidade, principalmente por estar bem próxima de Hafez na primeira infância. Nesse momento ela trabalha em “Entre caçarolas e Cerrado”, um filme realizado por uma equipe 90% feminina.

“Acho o Hafez muito maduro para a idade dele e creio que isso se deve pelo fato de conviver muito com adultos. Brincava com os cabos no set e dizia que queria ser assistente de cinegrafista. Mesmo assim, ele vai à escola, faz natação, aula de piano e basquete, sempre está envolvido com crianças da idade dele”, disse Nara, que ganhou um filho e um companheiro para as produções.

MÉDICA E ESCRITORA

Primeiro livro embalado por gêmeos

A oftalmologista mineira Renata R. Corrêa sempre foi fã de literatura. Escreveu por muitos anos em plataformas independentes de publicação suas primeiras produções. O primeiro livro físico, de 2016, foi escrito após o nascimento dos gêmeos Luan e Luma. “Depois de um tratamento de três anos para engravidar, que não foi fácil, tive uma gravidez de risco e até eles nascerem minha vida era dentro de um consultório, trabalhando”, contou Renata que em 2014 foi diagnosticada com a Síndrome de Burnout, um distúrbio caracterizado pelo esgotamento físico e mental intenso, tema que ela discute em “Um ano sabático”. Após um anos de tratamento, ela está curada.

Com outros três livros publicados (“Contra todas as probabilidades”, “Amores e Desamores” e “As coisas não são bem assim”), Renata vê na literatura uma válvula de escape e a chegada dos gêmeos em 2016 lhe trouxe mais vontade, mais inspiração para escrever, mesmo que seja entre um soninho e outro dos filhos.

“A maternidade é uma dádiva, te enche de coragem, porém, tem seus momentos difíceis. Vejo muitas mães falando que não têm mais ‘vida’. Qualquer hobbie que você tenha pode se seu aliado na hora de manter o equilíbrio e uma rotina mais diversificada. Hoje eu durmo menos que dormia antes de ser mãe, mas faço muito mais coisas”, comentou.

A escritora, que exercita diariamente essa função, afirma que os cuidados com os filhos rendem muitas recompensas e muito prazer. “Se conciliarmos o tempo com eles e para eles a outras atividades estaremos formando famílias mais felizes”, disse.

Para Renata, a força e a coragem da mãe são insuperáveis e ao se permitir ter uma vida além da maternidade a mulher mantém sua identidade e inspira os filhos. O Diário de Uberlândia e nossas entrevistadas desejam a você que é mãe, um Feliz Dia!
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