01/04/2018 às 05h56min - Atualizada em 01/04/2018 às 05h56min

Giba: o poder da mente nas quadras e na vida

Ex-jogador ainda mantém a veia de líder e estrategista e agora ministra palestras e fala sobre como superar desafios e realizar sonhos

ÉDER SOARES | REPÓRTER

Foram 23 anos dedicados ao voleibol, esporte pelo qual Giba se sagrou como um dos maiores jogadores de todos os tempos. Depois de se aposentar oficialmente das quadras, em 2014, ele trabalha ministrando palestras motivacionais para eventos corporativos em todo o Brasil. A intensão no novo campo profissional é passar um pouco da sua experiência de vida dedicada ao esporte. A vontade de vencer e superar limites o levaram ao sucesso e, assim, Giba se tornou espelho para várias gerações de atletas.

Aos seis meses de vida, ele foi diagnosticado com leucemia. Aos 11 anos, caiu de uma árvore e machucou o braço em uma grade. Teve de tomar 150 pontos do pulso ao cotovelo. Já no esporte, em 1993, foi dispensado de uma peneira de vôlei, mas sendo convocado naquele mesmo ano para integrar a Seleção Brasileira Juvenil, pela qual foi eleito o melhor jogador do Campeonato Mundial daquele ano.

Pela Seleção Brasileira adulta, o ponteiro foi oito vezes campeão da Liga Mundial, tricampeão da Copa do Mundo, medalha de Ouro nas Olimpíadas de Atenas (2004), prata em Pequim (2008) e Londres (2012).  No dia 12 de abril, Giba estará em Uberlândia ao lado do cartunista Maurício Ricardo e o palestrante Alfredo Rocha. O Power Day acontecerá no Center Convencion, das 17h às 22h, e as inscrições podem ser feitas através do site do evento.

Na semana passada, o campeão olímpico esteve na cidade e recebeu O Diário de Uberlândia que falou um pouco sobre a sua nova fase profissional e relembrou detalhes que o levaram a ter uma carreira tão vitoriosa. 

Diário: Como está a sua relação com o voleibol nos dias de hoje?

Giba: Com o vôlei, hoje, sou padrinho do time Curitiba Vôlei, que está tentando conquistar uma vaga para a Superliga principal do ano que vem. Já na Federação Internacional de Vôlei eu fui eleito presidente da comissão de atletas, na qual dou opiniões sobre o que é melhor para os jogadores, fazer as datas, questão de descanso e viagens. Venho gostando bastante dessa parte administrativa.

Diário: Mesmo aos 41 anos e afastado a quatro anos do vôlei, você sente vontade de estar em quadra?

Giba: Quando eu penso em voltar a jogar, eu vejo na minha frente o Bernardinho e o Zé Roberto Guimarães, aí eu desisto. [disse soltando gargalhadas].

Diário: Bernardinho e o Zé Roberto Guimarães estão entre os melhores do mundo. Eles te ajudaram muito ao longo da carreira?

Giba: Deixando a brincadeira à parte, é claro, foram pessoas determinantes na minha trajetória. Eu comecei na Seleção quando era o Zé Roberto, fui o primeiro da minha geração, em 1995, e depois tive o Radamés Lattari. O  Bernardinho veio somente em 2001. É curioso porque quem viu a gente vencendo tudo em 12 anos seguidos, de 45 campeonatos ganhando 39 medalhas de ouro, às vezes sequer imagina a ralação que foi até conseguirmos tantos títulos. Aí é que vem a determinação e foco na vontade de conquistar os objetivos.

Diário: O que as derrotas em sua vida esportiva te trouxeram de positivo?

Giba: A vitória, às vezes, esconde algumas situações e faz você não querer ter um técnico como o Bernardinho, por exemplo, que como treinador eu digo que foi o meu melhor psicólogo, porque ele tirava o melhor da gente, quando o melhor era necessário, e nunca nos deixava ficar em uma zona de conforto.  A derrota, na maioria das vezes, te ensina muito mais do que as vitórias, pois existem ocasiões em que você se sai como vencedor, acha que é o melhor e se acomoda. Não tenho dúvidas em dizer que cresci muito mais quando das derrotas e devo muito disso às pessoas que foram meus comandantes porquê me fizeram enxergar isso. 

Diário: E o Bebeto de Freitas, falecido recentemente, qual o legado que ele deixou?

Giba: O Bebeto foi um dos grandes responsáveis pelo crescimento do vôlei no Brasil. Ele foi lá fora, como jogador, depois retornou como técnico. Faleceu tendo um cargo de dirigente de futebol, mas conseguiu fazer uma mescla de todas as escolas do voleibol mundial e revolucionou em sua época. Foi uma perda muito grande não só para o vôlei, mas para o esporte de uma forma geral, pois era uma mente brilhante e que ajudou em muito o vôlei.

Diário: Você atuou por anos no voleibol italiano, tido como a melhor escola do mundo. O que isso representou para você?

Giba: Na Itália é campeonato mundial o ano inteiro. Você tem todos os servos, todos os russos, todos os poloneses, italianos, brasileiros e todas as principais nacionalidades do voleibol. Em 2001 eu e o Gustavo Endres (central) fomos para lá. Em 2004, os 12 jogadores da Seleção Brasileira jogavam lá, foi o período em que ganhamos tudo. Lá é muito diferenciado dos demais países.

Diário: A cultura do vôlei na Itália é muito diferente daqui?

Giba: Eles têm uma cultura em que o time da Série A nunca está em cidade grande, sempre em cidade pequena. Modena, por exemplo, que é uma cidade de aproximadamente 300 mil habitantes, tem o time há 82 anos. A cidade respira o vôlei. Aqui, no Brasil, você depende muito da iniciativa privada. E as empresas não querem nem saber. Patrocinam dois ou três anos e depois param. Mas aquele vínculo com a cidade se perde, com as crianças e o sonho de se tornar um jogador se vai junto. Elas pensam: eu vou começar uma coisa que daqui a pouco vai se acabar?

Diário: Como será a palestra no dia 12 de abril?

Giba: É um modelo um pouco diferente, do qual a pessoa sobe ao palco sozinho. Estarei junto com o Maurício Ricardo e o Alfredo Rocha, um complementando um pouco a área do outro e agente também vai aprender, pois o mundo de hoje é uma busca constante. São três pontos de vistas diferentes. Se você não se mantiver atualizado o tempo inteiro fica para trás e perde campo de trabalho.

Diário: É uma palestra que irá preparar as pessoas para o dia a dia?

Giba: Vai preparar para as questões profissionais e pessoais também. A intenção principal da é mostrar que ninguém consegue fazer nada sozinho. Acho que no meu caso, o voleibol me ensinou isso, a viver e trabalhar em equipe. Acho que esta visão dos idealizadores e dos patrocinadores do evento.  Isso é muito importante e bonito de se ver.

Diário: Você vem fazendo palestras há quanto tempo?

Giba: Faço palestras corporativas há muitos anos. É uma coisa que eu gosto muito, de passar o meu conhecimento em cima de tudo aquilo que fiz dentro e fora das quadras. Fico feliz de ter ajudado muitos jogadores, que ainda crianças, como o Bruninho (atual levantador da Seleção Brasileira), que me viu ser campeão Olímpico e agora eu pude ver ele como campeão. É recompensador saber que eu o ajudei de alguma forma, isso me deixa muito feliz. Esse bate-papo com as pessoas é um pouco disso, misturar a minha história com a trajetória das empresas, no caso de Uberlândia, a Seven Proteção Veicular.

Diário: Qual o recado às pessoas, a partir de tudo que você viveu como atleta profissional?

Giba: Acho que o principal é a superação. Na verdade é mostrar que elas nunca podem desistir do sonho delas. Isso te trás muito: perseverança, concentração e foco. Acho que minha experiência como atleta acaba englobando tudo isso, o que é determinante também para outras profissões, seja de qual área for. A perseverança no sonho almejado é aquilo que pretendo passar para as pessoas.
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