29/03/2018 às 05h47min - Atualizada em 29/03/2018 às 05h47min

Christiane Torloni vive Maria Callas no espetáculo 'Master Class'

Junto a grande elenco, a atriz chega em Uberlândia com a peça, que é um grande sucesso da Broadway

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
“Chegamos cedo ao teatro e começamos a nos aquecer juntos. É um trabalho que exige uma precisão danada” | Foto: Marcos Mesquita/Divulgação

La Divina. Assim ficou conhecida Maria Callas no auge de sua carreira como uma figura única para a ópera mundial. Uma voz única, uma mulher forte, apaixonada, severa não só com os outros mais consigo mesma. Maria Callas se foi cedo, tinha 53 anos quando teve um ataque cardíaco no apartamento em que morava em Paris. Era 1977. No Brasil, a paulistana Christiane Torloni, aos 20 anos, já dava indícios do que se tornaria hojue: uma das maiores atrizes de sua geração. Torloni agora vive Callas no espetáculo “Master Class”, com temporada em Uberlândia de amanhã a domingo, no Municipal. Um trabalho que vem sendo desenhado a quase três décadas em uma parceria da atriz com o diretor José Possi Neto em cima do texto de Terrence McNally.

A versão brasileira do espetáculo que figura entre os de maior sucesso na Broadway está em turnê por 13 cidades depois de temporadas em São Paulo (2015) e Rio de Janeiro (2016). Na trama, McNally se baseia nas séries de aulas magnas (master classes) de Callas na Juilliard School, em Nova York. Mais que isso, traz um pouco da vida dessa norte-americana de sangue grego que segundo a atriz Christiane Torloni da uma “aula de humanidade”. Confira entrevista com a atriz.

DIÁRIO DE UBERLÂNDIA - Todos que acompanham a arte de maneira geral sabem o quanto o fazer teatral, da mesma forma que é muito prazeroso é muito trabalhoso e difícil. Para entrar numa empreitada dessas é preciso muita paixão. O que a fez entrar em “Master Class”?

CHRISTIANE TORLONI - Toda atriz procura uma grande personagem. E Maria Callas é uma grande personagem e um grande desafio para qualquer artista, ainda mais pelo fato dela já ter sido vivida pela Marília Pêra, uma das nossas maiores atrizes. Essa peça consagra a minha parceria de 30 anos com José Possi Neto. Em todas as montagens que fazemos, desde “A Loba de Ray-Ban”, temos fidelizado o público pelo Brasil. Uma coisa interessante é que esse espetáculo tem atraído um público diferenciado. Além do público que sempre vai me ver, que me acompanha há quatro décadas, vem um público que é apaixonado por ópera e isso deu uma química maravilhosa de plateia. Essa é a grande novidade desse espetáculo pra mim. Tem gente que nunca tinha me visto no teatro e foi pela Maria Callas.

Tem algo na vida ou obra da Maria Callas que tenha te surpreendido de alguma forma depois que você se aprofundou na história da personagem?

Acho que ela coloca a serviço da música, da arte, da beleza toda a experiência que ela tece na vida, incluindo a pessoal. O subtítulo da peça poderia ser “Ensina-me a viver”, é de uma profundidade e de uma humanidade... Apesar de toda a técnica, ela não acredita só em técnica. Só acredita naquilo que vem do coração e vai forçando isso nos alunos. É uma aula de humanidade. E tinha uma questão, talvez seja o que mais me inspire, é que ela não tinha uma relação com alguém que a desafiasse. Era Callas que desafiava Callas. Isso é uma outra maneira de ver tudo. A maioria das pessoas tem o desafio de fora para dentro. Ela não, vinha de dentro dela.

Como foram os primeiros encontros com o José Possi Neto? Entre a pré-produção e estreia foi quanto tempo de trabalho?

O processo de interpretação da Callas é o desdobramento de um grande processo de pesquisa que o José Possi e eu estamos fazendo há mais de 30 anos. Teve um momento, há mais ou menos 15 anos que nós nos debruçamos na Callas. É muito incrível porque quando você se aproxima da Callas, a história dessa mulher é uma história de superação, desde o nascimento dela, pois ela foi recusada pela mãe nos primeiros dias. Então, esse é um espetáculo para você se apoiar em alguém que, mais do que tudo, não desistiu do seu belo.

Como está o clima no elenco? Tem algo que você queira destacar sobre a interatividade com seus colegas?

O clima é o melhor possível. Chegamos cedo ao teatro e começamos a nos aquecer juntos. É um trabalho que exige uma precisão danada, que vai além da dança. Tenho duas sopranos e um tenor comigo – é uma maravilha! Agora estamos com um novo elenco, do antigo só mantemos o maestro e a atriz Julianne Daud. No palco são todos protagonistas, o que pra mim é uma benção estar tão bem acompanhada. Eu fico emocionada todos os dias vendo as meninas cantarem!

Como tem sentido a receptividade do público que já assistiu à turnê do espetáculo, ousaria dizer que tem um perfil específico do espectador ou está bem variado?

A receptividade do público tem sido a melhor possível! A peça tem um texto lindo e sempre digo que esse espetáculo é uma sessão de autoajuda disfarçado (risos). Ele fala muito em superação e as pessoas saem motivadas a se apaixonar, acreditar nos seus sonhos. Ele também tem um humor refinado que provoca as pessoas na plateia. E tem uma coisa que é superinteressante, que foi produzido para esse espetáculo, que é um pequeno documentário de seis minutos. Quando dá o terceiro sinal, ele é exibido e conta, basicamente, a história da vida da Callas e daqueles personagens que, durante o espetáculo, o público vai ouvir falar. Quando começa o espetáculo, todo mundo sabe a mesma coisa.

O que podemos esperar de Christiane Torloni neste ano? Além de “Master Class” tem algum projeto ainda no teatro, cinema ou TV?

Na TV, vou fazer “O Tempo não para”, novela das sete, escrita por Mário Teixeira. Vou fazer par com o Edson Celulari, um ator querido com quem já tive oportunidade de trabalhar na televisão. O outro projeto que eu estou me dedicando, já há uns 4 a 5 anos, é o “Amazônia, o despertar da Florestânia”, que é documentário que eu estou finalizando agora para fazer algumas ações em 2018 e lançando em 2019. Cinema é um processo incrível. O documentário é resultado de uma experiência que tive quando fiz abaixo-assinado pela preservação da Amazônia, em 2008. Ele traz encontros maravilhosos que tive durante o abaixo-assinado, quando conseguimos mais de 1 milhão e 200 mil assinaturas – um recorde no Brasil -, e depois quando a gente fez o processo da Renca pra impedir o Temer de vender metade da Amazônia.

Como uma roqueira adorei o seu “dia de rock, bebê”! Ainda tem seus dias de rock por aí, alguma banda ou artista que leve a balançar a cabeça como se não tivesse amanhã?

Eu sou rock and roll!

Para finalizar, você já esteve em Uberlândia? Se sim, se recorda quando, tem alguma lembrança especial? Se não, tem alguma expectativa, já ouviu algum comentário sobre a plateia teatral daqui?

Nunca tive oportunidade de estar em Uberlândia. Eu queria rodar o País com o espetáculo e Uberlândia não podia ficar de fora da turnê. A minha expectativa é a melhor possível, sempre fui muito bem recebida pelos mineiros e já soube que o Teatro Municipal é uma maravilha!

ELENCO & PERSONAGENS

Maria Callas: Christiane Torloni
Sharon Graham: Julianne Daud
Sophie De Palma: Paula Capovilla
Anthony Candolino: Fred Silveira
Emmanuel Weinstock: Thiago Rodrigues
Ator/Tenor Substituto: Jessé Scarpellini
Soprano Substituta: Raquel Paulin

SERVIÇO

O QUE: Espetáculo teatral “Master Class”
ONDE: Teatro Municipal de Uberlândia
QUANDO: hoje e amanhã (31) às 20h30 e domingo (1º) às 19h
INGRESSOS: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada) à venda no Bouclè Salon (rua Francisco Galassi, 940, esquina com avenida Liberdade, Morada da Colina), Brasal Incorporações (Rua vinhedos, 1.100, Jardim Karaíba), Loja Provanza (Center Shopping), na bilheteria do Teatro a partir das 12h e pelo site megabilheteria.com (com taxa de conveniência)
CLASSIFICAÇÃO: 12 anos
DURAÇÃO: 90 minutos
INFORMAÇÕES: 3224-1674
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