25/03/2018 às 05h55min - Atualizada em 25/03/2018 às 05h55min

Designers criativos e empreendedores

Mercado fashion uberlandense mostra que tem nomes fortes e ainda tem outras vertentes a explorar

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Coleção Gypsetter, da Pat.Bo | Foto: Divulgação


A moda uberlandense segue mostrando suas caras e suas criações pelo Brasil e pelo mundo. Três das principais estilistas que iniciaram suas carreiras na cidade estão com novas coleções (outono/inverno 2018) e cada uma, à sua maneira, consolida o próprio nome. Em contrapartida, jovens designers de moda buscam seus espaços em um cenário com menos definições e mais liberdade. Em comum, nas duas frentes, temos mentes criativas e empreendedoras, com foco no mercado sustentável e na moda que vai além da roupa.

Pouco mais de dois anos depois de se lançar na própria marca, Letícia Manzan vê seu nome ganhar mais espaço nos editoriais de moda pelo Brasil graças à coleção ‘Boudoir’ que, para ela, foi um grande desafio e encanta celebridades como Luciana Gimenez e Paula Fernandes, entre outras. “O sucesso dessa coleção me surpreendeu porque sempre tive dificuldade em desenhar uma roupa sexy. Mas percebi que é uma necessidade desse momento em que as mulheres estão se cuidando mais. A Manzan ainda não tinha essa pegada sexy, que se materializou em peças nas quais as mulheres valorizam suas curvas de um jeito fashion com a modelagem da lingerie, que é uma tendência mundial”, contou. A coleção traz muita transparência, bordados e a peça ‘must-have’ da coleção, o corselet. A cartela de cores vai do nude ao preto. O detalhe é que ela faz a roupa sob medida, inclusive as daminhas de honra que usam Manzan têm levado a muitos suspiros sempre que aparecem nas redes sociais.

Letícia Manzan em sua loja inaugurada neste ano em São Paulo | Foto: Rafael Cusato/Divulgação

Mas não é só na internet ou entre celebridades que a marca está presente. Para estar mais perto de suas revendedoras e consumidoras, além de inaugurar loja em São Paulo, Letícia começou outro projeto, o ‘Manzan Fashion Tour’, que consiste em encontros com a consu-midora final. “São enriquecedores, como em Rondonópolis recentemente. Temos muito a nos inspirar pelo mundo”, disse ela, que afirma que seu lado criativo impera e o lado empresarial é dividido com uma boa equipe. “A empreendedora é uma aluna que tem uma empresa para gerenciar, fruto de um sonho”.

Patrícia Bonaldi, hoje com a marca que leva seu nome e a Pat.Bo, foi uma das primeiras a incluir o nome de Uberlândia no mundo da moda. No inverno 2018 da Pat.Bo, batizado de Gypsetter, a inspiração vem da mulher livre, com a alma cigana, que busca autenticidade e valoriza destinos pouco disputados sem se prender a padrões. Na cartela de cores da coleção, destaque para os tons invernais como o amaranto (vinho), canola (amarelo), amêndoa e militar, que se sobressaem. 

“Tento passar em minhas coleções uma feminilidade com atitude, um romantismo que não pode ser confundido com fraqueza. A Patrícia criativa é calma e com a mente inquieta. Gosto de me trancar no atelier com a minha equipe durante o meu processo criativo. Para mim, esse processo é muito visual. Gosto de me vestir com os tecidos e inventar novas peças através dessa brincadeira. Quando a peça está pronta eu provo uma a uma para ver o caimento e me colocar no lugar da cliente para saber o que ela irá sentir quando vestir”, contou ela sobre seu processo criativo. A Patrícia empreendedora tem pensamento rápido e racional. “Sou focada e determinada ao tomar decisões”, afirmou. 

INTERNACIONAL

Com pouco mais de um ano com sua primeira loja fora do país, que está em Los Angeles, na Califórnia, Fabiana Milazzo tem visto seu nome ganhar cada vez mais espaços nos tapetes vermelhos em Hollywood. Para ela, o sucesso da marca é fruto de sua autenticidade e qualidade do produto. “Nossas peças conversam não só com as brasileiras, mas também com americanas, europeias, com a mulher em geral. Trabalho duro também conta muito, sem ele nada funciona. Eu e minha equipe sempre viajamos paara Los Angeles e convivemos de perto com o mercado norte-americano”, disse.

Uberlandense e apaixonada por sua cidade, Fabiana já expôs sua paixão pelo País em coleções como a ‘Brasil’. Ela lançou recentemente a coleção ‘Croácia’ e conta que já havia se inspirado no Tibet, que gerou a ‘Namastê’, em 2016, porém, a Croácia, é o primeiro país que deu nome a uma coleção. “Era meu destino de férias e eu me apaixonei pelo país, pelas paisagens, características de vida e também pelo trabalho da artista Lena Kramaric. Quando conheci as obras dela tive certeza que queria trazer a Croácia para o Brasil em minhas roupas. E assim fizemos”, disse a estilista.

Em uma parte da coleção, são explorados itens que fazem parte das paisagens croatas - como os campos de lavanda, a flor fritillaria, as construções da cidade de Dubrovinik. A outra parte aproxima o público da arte de Lena, trazendo a cartela de cores que ela usa em suas obras e também as pinturas em si, que viraram tecidos em vestidos, calças, saias, blusas.

Vestidos da coleção Croácia de Fabiana Milazzo | Foto: Renam Christrofoletti/Divulgação

Recentemente, Fabiana lançou a 2ª etapa da campanha “We can make a difference” (‘Podemos fazer a diferença’, em tradução nossa) que visa despertar a consciência para o consumo responsável. A marca busca firmar o compromisso de usar maté- rias primas de maneira sustentável, minimizando desperdícios e usando a força feminina como geradora de mudanças.

Em 2015, a 1ª etapa apresentou o projeto “Mulheres de Renda”, que aprimora a mão de obra de bordadeiras e gera emprego visando o empoderamento feminino. As aulas acontecem em parceria com a ONG Ação Moradia. Neste ano, a estilista lançou o “Renovarte” que, através do reaproveitamento de retalhos de tecido que seriam descartados, oferece uma proposta inovadora na moda de luxo feminina.

REPRESENTATIVIDADE

Liberdade de expressão está em todas as frentes

Faz pouco tempo que Henri Sants e Iusley Da Mata concluíram a faculdade de Design de Moda, na Esamc, em Uberlândia. Trabalham o lado criativo e empreendedor da moda mais consciente com liberdade em um mercado cada vez mais democrático.

“O processo, desde a criação, desenvolvimento e conceito é meu. Conto com ajuda do atelier Yasmin Brandão e no design/produção/apoio e com ajuda da Naira Antunes. Os modelos como o Murilo Lorran e Leonardo Araújo sempre estão disponíveis e compreendem bem o conceito da marca”, conta Henri Sants.
 

Peças da coleção de Henri Sants | Foto: Divulgação

Para ele, por mais que o lado criativo influencie no processo de construção da coleção em si, é preciso considerar que aquela coleção seja vendável e consiga atingir as reais necessidades do cliente. “É importante o empreendedor entender o que o cliente busca. Criar peças que expressem bem isso nem sempre é fácil, mas através de estudo e referências, encontramos um meio termo”. 

Henri acredita que Uberlândia tem chances de crescer mais no cenário da moda nacional em segmentos como o masculino e plus size, por exemplo. “Do cenário local temos grandes nomes na moda festa. Há uma necessidade de novos horizontes, como o conceito slow fashion que a Henri Sants apresenta”.

O designer de moda Iusley Silva da Mata, 23 anos, atualmente, além de gerenciar a própria marca Iusley Official e o Instagram homônimo também é conector do Clube Melissa. Ele enxerga na moda uma forma de se comunicar sem ter que verbalizar as ideias ou conceitos. Iusley começou a se interessar por moda aos 12 anos, ao ganhar uma coleção de revistas usadas. “Meu universo começou a se abrir. Sempre me indagava do porquê da separação entre gêneros. Comecei a estudar sobre androgenia e ver o quão interessante era fazer esse mix de gêneros. Vi que a luta por igualdade racial também poderia ser transmitida com meu estilo. Seja pelo meu cabelo afro, por turbantes que uso”, contou ele, que defende o fortalecimento da identidade negra e LGBT.

O designer de moda Iusley da Mata | Foto: Divulgação

Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »