22/03/2018 às 13h22min - Atualizada em 22/03/2018 às 13h22min

Pearl Jam faz show emocionante no Rio de Janeiro

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA

A longevidade de um artista depende muito de como seu legado é passado adiante. Ouso dizer que o Pearl Jam é a banda mais bem-sucedida de sua época, mesmo que não seja daquelas que o taxista ou o recepcionista do hotel conheçam. Seus fãs não têm uma “cara”. Usem ou não camisas xadrez, lá estão eles - e no dia a dia são executivos, educadores físicos, professores, viajantes, artistas plásticos, jornalistas e jovens estudantes.

Em sua turnê 2018, que passou pelo Rio de Janeiro na quarta-feira (21), os senhores de Seattle comprovaram que o espírito adolescente evoluiu, mas continua pautado por uma integridade ímpar, uma entrega no palco e uma emoção que contagia. Na plateia, tem filho que leva o pai, tem mãe que leva a filha, tem a menina descolada e a menina desleixada, todos convivendo em um mesmo espaço.
 

Show do Pearl Jam no Rio de Janeiro durou quase três horas | Foto: Adreana Oliveira

O estádio do Maracanã foi palco de um setlist de 29 músicas desenrolado ao longo de quase três horas de show. Eddie Vedder, sempre simpático, usou suas “colinhas” cuidadosamente guardadas entre as páginas de um caderno para se comunicar em português o máximo possível, algo que faz desde as primeiras passagens da banda por aqui, que foram na turnê de 2005.

Perfeição não está no DNA de Eddie Vedder, e ele é alguém que pode se dar ao luxo de esquecer a letra da própria música, ou pular uma estrofe, como aconteceu nos vocais em “Alive” ou na introdução de “Leaving here” na guitarra. Nessas horas a gente ri com ele.

A abertura com “Release”, do primeiro álbum da banda, “Ten”, é uma canção forte, soturna, na qual a voz de Eddie preenche o estádio, os ouvidos, os corações e, de alguns, até mesmo a alma.

Mas o Pearl Jam não se resume a seu frontman. O conjunto chega próximo da perfeição com sua tríade de criadores: o guitarrista Stone Gossard, o baixista Jeff Ament e o guitarrista Mike McCready. Na bateria, o colega do Soundgarden Matt Cameron chegou para ficar e o tecladista Boom Gaspar é hoje o sexto integrante da banda. Juntos, eles são incomparáveis, capazes de levar a uma catarse coletiva com músicas que compõem desde 1990.

Eddie contou aos fãs que Ament tem o apelido de xerife e fez o estádio gritar a palavra em coro. As guitarras de McCready e Gossard são pontuais, cada um no seu estilo. Matt Cameron, com a camiseta que estampa nas costas o rosto do saudoso vocalista Chris Cornell, seu companheiro no Soundgarden, mostra uma energia incomum com as baquetas.

Em quase três décadas de carreira, talvez o Pearl Jam não imaginasse que “Jeremy”, que fala da presença de armas em sala de aula, ainda soasse tão atual em 2018. E o Pearl Jam mantém-se ativo. O mais novo single, lançado neste mês, “Can´t deny me”, um protesto contra o governo Trump nos Estados Unidos, já é cantada por alguns fãs.

Apesar do show longo, dos 10 álbuns de estúdio, quatro não tiveram músicas no repertório do Maracanã: “No Code” (1999), “Binaural” (2000), “Riot Act” (2002) e “Backspacer” (2009).

Entre os pontos altos do show esteve a homenagem às mulheres feita pela banda com a música “Leaving here”. “Essa é para as mulheres de nossas vidas e para os homens fortes o bastante que ajudam na luta pela igualdade”, disse Eddie, que também dedicou “Wishlist” ao Red Hot Chili Peppers e por todo o seu legado.

Em tempo, o baterista do Red Hot, Chad Smith, participou de “Can´t deny me” e já no final do show ele voltou ao palco e dividiu a bateria com Cameron em “Rockin´in the free world”, quando também já estava seu companheiro de banda, o guitarrista Josh Klinghoffer, que entrou durante “Alive”.

O Pearl Jam volta a se apresentar no Brasil neste sábado (24), no Lollapalooza, em São Paulo, na segunda aparição da banda na versão brasileira do festival. Eddie Vedder fica um pouco mais. O vocalista tem shows solo no Citibank Hall, também em São Paulo, nos dias 28, 29 e 30 deste mês.

SUSTENTABILIDADE

Antes do show foi exibido no telão um vídeo com informações da Conservation International, uma ONG apoiada pelo Pearl Jam que desde 2013 calcula as emissões de CO2 de suas turnês e faz compensações com ações de reflorestamento.

OPENING ACT

O duo britânico Royal Blood abriu a apresentação da noite na passagem de Pearl Jam pelo Rio de Janeiro e começou seu show pontualmente às 19h30. O duo não precisou se esforçar para fazer uma boa apresentação e fez o dever de casa. Afinal, não é nada fácil imprimir sua marca com o Pearl Jam vindo logo em seguida.

O CARTAZ

Cartaz do show alude à realidade da cidade e deixa sua crítica social | Arte: Rami Amar Zupa
 
O Pearl Jam tem uma imagem forte, mas nunca foi de promover seus rostos em seus pôsteres de turnê. Sempre convidam artistas para fazer algo que remeta à realidade do país ou da cidade visitada. No cartaz do Rio o artista Rami Amar Zupa mostra aves com armamento e uniforme militar. Para o bom entendedor... Alguns gostaram, outros não. Segundo Zupa, a arte é uma homenagem aos moradores das favelas que “apesar da desigualdade obscena ainda encontram formas de construir casas nas montanhas”.
 
SETLIST

Pear Jam – Tour 2018 – Estádio do Maracanã, RJ, 21-3-2018

Início: 21h30
Final: 00h15
 
  • - Release
  • - Low Light
  • - Elderly woman behind the counter in a small town
  • - Don´t go
  • - All night
  • - Animal
  • - Given to fly
  • - In hidding
  • - Jeremy
  • - Corduroy
  • - Even Flow
  • - Immortality
  • - Wishlist
  • - Mind your manners
  • - Lighting bolt
  • - Garden
  • - Can´t deny me
  • - Porch
  • - Sleeping by myself
  • - Inside job
  • - Daughter (com Glorified G)
  • - Do the evolution
  • - Black
  • - Leaving here
  • - Blood
  • - Better man (Com I wanna be your boyfriend)
  • - Alive
  • - Rocking in the free world
  • - Yellow Ledbetter
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