18/03/2018 às 05h36min - Atualizada em 18/03/2018 às 05h36min

Esporte na infância pode ir além da brincadeira

Crianças que se movimentam e mantém exercícios físicos regularmente tornam-se adultos mais saudáveis

ÉDER SOARES | REPÓRTER

A infância é a fase das descobertas. Movimentar-se e praticar esportes são fundamentais para o desenvolvimento fisiológico, mental e social dos pequenos. Alguns especialistas indicam que a prática esportiva que envolva competição comece a partir dos oito anos, pois, antes, as crianças ainda estão desenvolvendo a fase motora, ou seja, a coordenação dos movimentos básicos. Alternativas como teatro e dança, que priorizam a expressão corporal, são boas opções antes dessa idade.

Entre as inúmeras vantagens da atividade física estão o domínio e o conhecimento do corpo, o desenvolvimento físico, psíquico e social da criança; e a melhora do sistema cardiocirculatório, da flexibilidade e do equilíbrio. As crianças que se movimentam, brincam e praticam exercícios físicos regularmente tornam-se adultos mais saudáveis: apresentam menos risco de obesidade, diabetes e hipertensão, e ganham mais equilíbrio motor e condicionamento.

Pala iniciativa pública a cidade conta com 19 núcleos de iniciação esportiva organizados pela Fundação Uberlandense do Turismo, Esporte e Lazer (Futel). Pela parte privada, além de escolinhas de futebol, judô, tênis, entre tantas outras, há os centros de treinamentos e clubes de tradição como o Praia Clube, que mantém oito modalidades diferentes de iniciação e o Sesi Gravatás, com referência no atletismo. Projetos sociais em bairros como Shopping Park, na zona sul da cidade, também são opções para as camadas mais carentes. Então há opções para o exercício físico sob orientação. Porque convenhamos, com podem seres tão pequenos liberarem tanta energia?

O projeto social de tênis Grand Winner funciona na rua Vidigal, sem número, no bairro Patrimônio, zona sul da cidade, bem ao lado do Praia Clube. O professor de tênis Digah Cavalcante atende, gratuitamente, aproximadamente 30 crianças e adolescentes entre seis e 18 anos de idade. “Aqui, nós iniciamos com a meninada a partir dos seis anos. Eles vêm com muita vontade de praticar e aprender o tênis e eu fico muito grato, afinal começando mais novo se aprende mais rápido e também se adquire, em tempo menor, as técnicas deste esporte. É claro, sem falar nos benefícios em termos de saúde, desenvolvimento e socialização”, disse Digah.

FRANQUIAS

São comuns na cidade, as franquias de escolinhas de futebol de grandes clubes do Brasil como Corinthians, Flamengo, Grêmio, Cruzeiro entre outros. O quanto mais cedo começar, melhor segundo os próprios professores. Guilherme é ex-jogador do Uberlândia Esporte Clube, Cruzeiro, Vitória e Bahia. Atualmente, ele dá aulas para crianças com faixa etária entre cinco e 15 anos, na unidade do Flamengo, no bairro Santa Mônica, zona leste da cidade.

“Geralmente começamos aos cinco anos com o trabalho de forma mais lúdica, sem colocar tanto os aspectos de fundamentos, que eles só começam a entender a partir dos sete anos, quando já começam a desenvolver as valências físicas, aspectos cognitivos e de socialização, pois a principal preocupação é formar o homem e não o profissional do Flamengo”, afirmou.

No caso da Futel são 12 modalidades esportivas: futebol, natação, futsal, ginástica olímpica, judô e basquete. O coordenador de iniciação esportiva da Futel, Gilvan Guimarães Fernandes, fala um pouco sobre a importância no esporte na fase infantil.
 
“Além da importância social, no caso do nosso projeto, que é de trazer para a criança a oportunidade de ter uma atividade física regular de qualidade, com profissionais formados e em um ambiente agradável, tem a questão do desenvolvimento da criança, dando para ela uma globalização do movimentos, que seria até a oportunidade de acesso a mais de uma modalidade de esportes e ter um atendimento para que ele possa ter a visão de vários esportes, o que possibilita um  maior desenvolvimento da parte cognitiva e psicológica”, disse Gilvan. 

Bairros mais distantes têm opções

Valmir Antônio e sua esposa, Carla de Souza, fizeram a rematrícula de seus dois filhos na escolinha de futebol do Poliesportivo Tancredo Neves, bairro Planalto, zona oeste da cidade. Os meninos já participam há cerca de um ano e meio, e os pais prezam pela iniciativa. “Isso aqui é muito importante para a integração das crianças do bairro. Estamos em um setor mais periférico da cidade, onde muitos meninos não têm oportunidade de ter uma ocupação no contra turno. Então, uma escolinha em um local com tanto potencial, é excelente”, disse Valmir.

Luan Lemes de Oliveira participa das aulas de futebol do Poliesportivo Segismundo há mais de sete anos. Hoje, com 15, ele relata a influência da escolinha em sua vida. “Eu gosto muito de fazer aula aqui, porque a gente aprende várias coisas além do futebol. Aprendemos sobre companheirismo, respeito e como ser uma pessoa boa. Fiz muitos amigos aqui no poli”.

COMO PARTICIPAR

O diretor-geral da Futel, Sílvio Soares, conta que em 2017 o projeto começou com aproximadamente 2.700 alunos, mas que neste momento o atendimento à crianças e jovens já passa dos 4 mil. “A expectativa é de que esse número cresça ao longo deste primeiro semestre, podendo alcançar a meta traçada de sete mil atendimentos”.

As matrículas para as 12 modalidades de iniciação esportiva, oferecidas nos 19 núcleos esportivos da Futel, continuam abertas enquanto houver vagas.  As inscrições podem ser feitas sempre das 8h às 11h e das 14h às 17h, são gratuitas e voltadas especialmente para crianças e jovens entre 7 e 17 anos e somente pais ou responsáveis podem realizar. Para tanto é preciso levar certidão de nascimento ou carteira de identidade do aluno (original e xerox ou xerox autenticada), atestado médico, atestado escolar e uma foto 3x4. Outras informações podem ser obtidas nos locais de matrículas ou pelo telefone 3235-6289.

ESPECIALISTA

A psicologia dentro das quadras

O psicólogo Lucas Lara, especialista em psicologia do esporte voltado para a formação de crianças e jovens, destaca alguns aspectos fundamentais do esporte na fase de desenvolvimento da vida humana. “A iniciação esportiva é um processo de socialização para a criança e jovem, e possui implicitamente determinados valores, conhecimento, condutas, rituais e atitudes próprios do grupo social no âmbito que se realiza a iniciação. Desta forma, a iniciação não é apenas o momento de início da prática de um esporte, mas a totalidade de uma ação que envolve o processo e o produto”, disse Lara, que completou falando um pouco sobre o papel da psicologia dentro do contexto da iniciação esportiva.

“O psicólogo do esporte entende a atividade como um instrumento que pode ser utilizado na busca de autonomia dos indivíduos, na transmissão de educação, na manutenção ou no alcance da saúde, no desenvolvimento da autoestima. Essa forma de compreender o esporte pode auxiliar no desenvolvimento das crianças na iniciação, ocupando o lugar de mediador das relações da tríade: professor, família e criança, ou seja, buscando facilitar as relações, realizando um trabalho interdisciplinar com os professores de educação física, aproximando a família deste contexto de desenvolvimento infantil, auxiliando na compreensão das necessidades da criança, proporcionando a esta mais autonomia e conhecimento sobre si mesmo.

MANSOUR

A escolha por mais de uma modalidade

O projeto Viva Mansour, que funciona no Poliesportivo do bairro Mansour, zona oeste de Uberlândia, atende diariamente cerca de 200 crianças e adolescentes, somente na parte da manhã, com idades entre 7 a 17 anos. As modalidades oferecidas são: natação, futebol de campo, multi esporte e futsal. No multiesporte são trabalhados os fundamentos de futebol, handebol, vôlei, basquete e futsal. Muitas dessas crianças participam de mais de uma modalidade. Na natação os alunos são divididos por turmas, de acordo com a faixa etária e nível de aprendizagem. O objetivo é desenvolver habilidades motoras e coordenação de forma global, também vivenciar outras modalidades esportivas.

“A importância da iniciação no esporte não é apenas formar atletas, mas também criar hábitos saudáveis, disciplinar as crianças, socialização, afastar das ruas e do mundo das drogas, valorizar amizades, respeito ao próximo, integrá-los à sociedade. E conto sempre, com apoio e colaboração dos pais, empenhando-se a não deixarem seus filhos faltarem das aulas”, disse Cymara Martins Costa, professora de natação e hidroginástica.
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