29/01/2018 às 07h24min - Atualizada em 29/01/2018 às 07h24min

Renna não descarta retorno como técnico

Atacante de 39 anos tem planos de iniciar a carreira de treinador e gostaria de ter chance no Verdão

ÉDER SOARES | REPÓRTER
Renna posa ao lado do mascote do Verdão, em jogo do Campeonato Amador / Foto: Wilson Barbosa

Ídolo da torcida do Uberlândia Esporte Clube, o atacante Renna ainda continua batendo a sua bola na região de Alagoinhas (BA), onde mora. Aos 39 anos, Reinaldo dos Santos Fagundes já planeja o seu futuro e a parada oficial nos gramados. A intensão do jogador é continuar no futebol, mas fora das quatro linhas, como treinador.

Provavelmente, a última estada no profissionalismo poderá ser na segunda divisão do Campeonato Baiano, pela equipe do Colo Colo, que tem sede na cidade de Ilhéus. Além da nova função como treinador, Renna pretende apoiar os dois filhos na carreira, que também são atacantes.

Renna atuou por cinco temporadas vestindo a camisa do Verdão: 2007 (segundo semestre) – 2008 (segundo semestre) – 2009 – 2010 e 2011. Jogando pelo UEC, o atacante marcou 35 gols em partidas oficiais, sendo artilheiro da Taça Minas em 2007 e 2009. O atacante deixou o Uberlândia Esporte depois do Campeonato Módulo II de 2011, após a frustrante não classificação do time para a elite do Estadual.

“Muitas vezes as coisas não deram certo no Uberlândia e a culpa caiu sobre mim, mas tenho a consciência limpa, pois sempre fiz o melhor pelo clube que aprendi a gostar durante estes anos”, disse o jogador.

Mesmo que seja fora de campo, Renna tem um sonho de, um dia, retornar ao Verdão. “Tenho o sonho de um dia ainda ver o Uberlândia na Série B do Brasileiro, que é, no mínimo, o lugar onde ele deveria estar. Quem sabe, de alguma forma, eu possa voltar ao clube um dia, isso só o tempo dirá”.

Rena começou a carreira nas categorias de base da Catuense (BA) e passou por clubes como Atlético de Alagoinhas (BA), Fortaleza (CE), Náutico (PE), Atlético (PR), Vitória (BA) e Ipatinga (MG). Abaixo, segue um bate-papo da reportagem do Diário de Uberlândia com o atacante.
 
Diário: O que você andou fazendo nos últimos anos?
 
Renna: Tive, em 2014, jogando aí no CAP Uberlândia. Em 2015 joguei o Amador de Uberlândia, pelo América, depois joguei pelo Jequié (BA), recebi outras propostas para jogar, mas não quis porque já estava com o pensamento de parar de jogar e as equipes que entraram em contato já tinham histórico de não pagar. Eu não queria mais me estressar com isso. Logo depois, ano passado, disputei o Campeonato Intermunicipal, que é um dos maiores campeonatos amadores do país. Este ano, tive uma proposta para disputar a segunda divisão do Campeonato Baiano pelo Colo Colo e neste domingo (28) estou viajando para me apresentar.
 
Você quer mesmo ser treinador?
 
Depois que comecei com a ideia de parar, passei a pesquisar a questão de cursos para treinador, mas acabei não fazendo ainda. Aqui em Alagoinhas acabei recebendo uma proposta da Catuense para ser treinador da equipe sub-20, mas por questões pessoais com a atual presidência do clube, eu acabei não acertando. Mas acho que essa minha experiência no Colo Colo, ainda como jogador, poderá me ajudar muito como experiência, pois vou trabalhar com o técnico Ferreira, que já foi campeão baiano e com quem poderei aprender muito.
 
O que você acha que mudará a partir do momento em que deixar o campo para ir para fora dele como treinador?
 
Acho que a visão muda, pois você precisa ter uma visão mais ampla de toda a situação de um clube. Independente de jogar ou não você tem que sempre procurar se qualificar, fazendo cursos para se aperfeiçoar e atualizar.
 
Em quem você se espelha como treinador?
 
Tem o Gilmey Aimberê, que me acompanhou quando eu comecei a jogar. Hoje ele está no Palmeiras como auxiliar técnico na Taça São Paulo. Sempre foi um profissional muito dedicado, muito trabalhador, estudioso, humano e muito humilde. Tem treinadores de maior nome que gosto muito, como o Tite, que tem provado que tem um potencial muito grande e é inteligentíssimo, além de outros como o José Mourinho, que a gente precisar ter sempre como espelho no início de nossas carreiras.
 
Em relação ao Uberlândia Esporte, você tem vontade voltar ao clube um dia?
 
Tenho vontade sim. O melhor de tudo é que, quando saí do clube, em 2011, eu saí deixando portas abertas. Graças a Deus saí dessa maneira, não tenho ressentimento com nada e nem mágoa de ninguém. Sou muito feliz por fazer parte, um pouquinho que seja, da história quase centenária desse clube. Para mim, seria um prazer imenso retornar um dia, quando eu começar os meus trabalhos como treinador, seja na base, ou se Deus me abençoar, um dia como treinador até do profissional. Cada um tem o seu clube do coração, mas o Uberlândia é um clube que eu aprendi a amar.
 
Você acompanha o Verdão, mesmo estando longe?
 
Eu procuro acompanhar, sim. Estou sempre me interagindo com torcedores através das redes sociais, principalmente com aqueles que tenho mais intimidade para saber como o clube anda. Graças a Deus, o clube está vivendo um momento de ascensão, com pessoas que amam o clube à frente. É assim que precisar ser, para que ele possa ser reconhecido internacionalmente um dia, já que nacionalmente ele é, pois quem é que não conhece o Uberlândia, por toda a sua história!
 
Qual o recado você manda para a torcida do Verdão?
 
O recado que eu tenho a mandar é que eles apoiem os seus jogadores, pois todos que foram escolhidos neste momento, não foi por acaso. Primeiro com a permissão de Deus, depois tiveram pessoas capacitadas para poderem estar aí. Acredito que a diretoria, e principalmente os torcedores, precisam ter paciência, pois é início de temporada e os jogadores ainda precisam se adaptar ao clube e à cidade, à formatação implantada pelo treinador. Os momentos em que os jogadores mais precisam de apoio são nos momentos de derrota, porque é essa a ligação que um torcedor precisa ter com os profissionais que defendem o seu clube. Nem sempre o jogador está em um dia feliz e esse é o momento da torcida pegar o time pelo braço e dizer: ‘vamos lá porque estamos juntos’.
 
Seus filhos também estão no caminho do futebol?
 
Tenho um filho com 18 anos, o Reinaldo, e o Ryquelme, que vai fazer 17 anos. O mais velho já esteve no Bahia e passou pela Catuense (BA) e ABC (RN), onde acabou não ficando. Recentemente disputamos, juntos, o Intermunicipal aqui da Bahia. Estou vendo outras coisas para ele. Já o Ryquelme também tem algumas situações encaminhadas, tem alguns treinadores interessados em vê-lo melhor.
 
Que conselho você dá como pai, atleta e futuro treinador, para seus filhos e quem está começando como jogador?
 
O conselho que tenho dado para eles é que no futebol não existe segredo. Quando você nasce com talento, você só precisa se dedicar, ter responsabilidade, ter comprometimento com o clube e sua carreira. E agora é esperar o momento certo, pois quando a oportunidade aparecer é preciso agarrar com unhas e dentes, pois no nosso país existem milhares de atletas com o sonho de ser jogador.
 
Como você analisa a sua passagem em cinco temporadas pelo Verdão? Você se sente frustrado por não ter conseguido o que mais queria, que era levar o Verdão ao Módulo I do Mineiro e à Série B do Brasileiro?
 
Eu cheguei no segundo semestre de 2007, fui para o Ipatinga e voltei no segundo semestre de 2008. Em 2009, rompi o ligamento do joelho esquerdo, voltei a jogar no Módulo I de 2010, mesmo que no final do campeonato, e saí depois do Modulo II de 2011. Se você analisar que disputei basicamente apenas duas competições, sendo Mineiro, Taça Minas Gerais e uma Série D, a minha média de gols é muito boa, já que foram 35 gols marcados somente em jogos oficiais. Se for contar amistosos, acredito que cheguem a quase 50 gols. Então eu não me sinto frustrado não, pelo contrário, acho que minha passagem pelo Uberlândia foi positiva. Eu fiquei triste por não colocar o clube onde nós queríamos que fosse, mas isso acontece no futebol. Apesar de tudo, havia uma identificação e eu era cobrado por ser uma referência na época.
 
Tem alguém que você mais sente falta de Uberlândia?
 
Sem dúvidas é uma figura maravilhosa, a primeira que foi me buscar no aeroporto, quando eu cheguei pela primeira vez na cidade, que foi o Zecão. Esse homem eu garanto que onde ele estiver, Deus preparou o melhor para ele, pois era uma pessoa de caráter e com um coração puro. Eu tive o prazer de conhecer a pessoa que foi o Zecão.
 
Você passou por clubes importantes do Brasil, antes de vir para o Uberlândia. Com o talento que você tem, por que não jogou em algum dos gigantes do futebol brasileiro?
 
Eu estava estourado no futebol, fiz gol na Série A do Brasileiro pelo Fortaleza, contra Vasco, Coritiba e outros clubes. Foi aí que apareceram propostas de outros clubes: Corinthians, Atlético Paranaense e outros. Fui vendido para o Atlético, mas quando você chega em certo patamar de sua vida, você precisa de pessoas certas do seu lado - é claro que eu tive os meus erros individuais, pois eu não tinha maturidade para lidar com a situação. Uma hora eu estava em um clube ganhando X e de repente estava em outro ganhando absurdamente mais e arrodeado de jogadores conhecidos como Washington ‘Coração Valente’, Dagoberto, Jadson e Fernandinho. Aquilo para mim foi um impacto, era muito novo e por isso não aconteceu.
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