09/01/2018 às 05h59min - Atualizada em 09/01/2018 às 05h59min

A arte sem fronteiras de juny kp!

Pinturas do multiartista de São José do Rio Preto, inclusive duas premiadas, podem ser vistas até o dia 25

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
“Quando olho para trás, vejo o futuro” é a exposição de juny kp!, de Ribeirão Preto, em cartaz na Galeria do Mercado / Foto: Divulgação

 

O que você vê quando olha para trás? Alguém pode ter uma resposta bem diferente da sua caso essa remeta ao passado. O artista plástico juny kp! - esta é a grafia de seu nome, com todas as letras minúsculas e ponto de exclamação no final – está com uma exposição na Galeria de Arte do Mercado Municipal que tenta dar uma outra visão para a pergunta que abre este texto.

“Quando olho para trás, vejo o futuro” fica em cartaz até dia 25 de janeiro em Uberlândia e a responsável pela mostra na cidade é a artista plástica Alessandra Franco, ou Ropre AC, admiradora do trabalho de juny, um multi-artista, dentro e fora das galerias.

Natural de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, ele soma 25 anos de carreira e de uma luta pela democratização das artes. No trabalho dele o espaço acadêmico e a rua se complementam formando diferentes telas para fazer fluir sua imaginação.

“Quando olho para trás, vejo o futuro” é um projeto contemplado pelo prêmio municipal de fomento de Rio Preto, o Nelson Seixas, e ao todo levou dois anos de produção. Os visitantes da Galeria do Mercado poderão ver 10 pinturas. Destas, duas circularam por Salões Nacionais: (sem título: preto) foi 1º lugar no Salão de Arte de São José do Rio Preto e (sem título: branco) foi selecionada no 45º Salão de Arte Contemporânea de Santo André.

O artista mostra um pouco da memória de sua cidade natal de um jeito bem particular motivado pela arte que faz o homem lembrar-se de si e reinventar-se. “A arte tem naturalmente um conteúdo político, uma vez que este, obrigatoriamente, como disse o crítico Mário Pedrosa, é condizente com a consciência social de cada época”, disse.

A exposição passa pela cidade, pelo urbano, pelas influências que o ambiente urbano causa na arte e vice-versa. Uma vez perdida a crença ingênua na natureza, a arte vai se amparar quase que exclusivamente no urbano.

Criado dentro da cultura do hip hop, ele faz um trabalho interessante levando arte para as ruas mas também está nas galerias de arte. Sobre o que é mais complicado hoje em dia: a arte sair das galerias ou a arte urbana chegar às galerias, ele disse ao jornal Diário do Comércio de Uberlândia que hoje diria que é sair das galerias. “A arte urbana está na moda e é tendência em editoriais de moda, no Instagram, entre os arquitetos. O mundo das galerias é um mundo focado no mercado. em uma produção que a arte como commodity. Produção, venda e lucro”, afirmou.

Além de multi-artista e um pai super zeloso, juny kp! é idealizador e diretor-criativo da Casa de Criar (www.casadecriar.com.br), um escritório de arte que reúne vários artistas. Em parceria com a esposa, Carol Manzato, professora e psicopedagoga, eles iniciaram a empreitada há dois anos e meio e enxergam nele um papel de resistência.

“Seria pretensioso eu dizer qual o impacto que temos na cidade, mas eu diria que somos um espaço de resistência, um espaço de fazer política por meio das exposições e das atividades formativas. O objetivo é formar público e fazer fluir produção artística de pessoas bacanas e que pensam como a gente pensa. nossos passos estão sendo dados de maneira local, estadual, nacional e internacional. Pensamos além e de modo resiliente”, explicou.

 

ARTE POSSÍVEL

Para juny kp! Viver de arte no Brasil é algo possível. “Eu vivo de arte e educação. Sou pago pelo meu trabalho artístico há 25 anos e sou professor há 14 anos. A questão é que são poucos os que vivem de arte”, disse o artista.

Para ele, o que falta é essa ampliação de nicho. “E para isso, devemos formar o olhar das pessoas, para que, no futuro, haja mais artistas profissionais”, comentou ele que fez questão de agradecer à Ropre AC pela conexão que possibilitou a exposição em Uberlândia.

O artista participou do programa de Mestrado no departamento Cinema, TV e Rádio da ECA/USP (2010) e é especialista em “Fundamentos de Cultura e das Artes” pela IA/Unesp (2006). É bacharel em Tradução pelo IBILCE/Unesp e como artista plástico, trabalha com multimeios e intervenções urbanas. Seu terreiro é a rua. O esquecimento da memória, a veracidade da mentira e a certeza da dúvida são suas linhas de pesquisa atuais.

Em 2017 circulou como performer com o espetáculo de dança-teatro “Quero ser preto” e participou do 45º salão de arte de Santo André/SP.

 

SERVIÇO

O QUE: Exposição "Quando olho para trás, vejo o futuro"

QUEM: juny kp!

ONDE: Galeria de Arte do Mercado Municipal (rua Olegário Maciel, 255, Centro)

QUANDO: até 25 de janeiro de segunda a sexta-feira das 12h às 18h

ENTRADA FRANCA

INFORMAÇÕES: 3235-7790


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