16/10/2015 às 16h03min - Atualizada em 16/10/2015 às 16h03min

FM da vida real: Pereirinha se torna o segundo português a marcar no Brasileirão

por Leandro Stein
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Divulgação

O torcedor do Atlético Paranaense já se acostumou. Nos últimos anos, o clube vai além do trivial em sua política de contratações. A nacionalidade nem de longe é um pré-requisito para os rubro-negros buscarem novos técnicos e jogadores. Foi assim, por exemplo, nas vindas de Lothar Mätthaus ou Miguel Ángel Portugal, em empreitadas que não deram certo. Ou nas apostas feitas sobre o espanhol Fran Mérida e o indiano Romeo Fernandes. Já na última janela de transferências, o Furacão trouxe Bruno Pereirinha, meio-campista com passagens por Sporting e Lazio, além das seleções de base de Portugal. Nesta quarta, se tornou o segundo português a anotar um gol no Brasileirão, no empate por 2 a 2 com o Cruzeiro.

Pereirinha nem chegou com tanto cartaz ao Paraná. Afinal, o versátil meia nunca cumpriu as expectativas que gerou quando garoto. Não convenceu no Sporting, rodou por diferentes clubes por empréstimo e era uma mera opção no banco da Lazio. Mesmo assim, surgiu como uma oportunidade interessante ao Atlético. Depois de estrear em julho e sofrer com problemas de lesão, o luso fez sua terceira partida pela equipe nesta quarta. Saiu do banco aos 33 do segundo tempo, apenas um minuto antes de fazer o segundo gol sobre o Cruzeiro.

O tento coloca Pereirinha como o segundo português de nascimento a anotar um gol no Brasileirão – o que exclui da conta naturalizados, como Deco e Liedson. O pioneiro foi Fernando Peres, curiosamente defendendo o Vasco. O ponta habilidoso surgiu no Belenenses e fez fama no Sporting durante a década de 1960, chegando a disputar a Copa do Mundo de 1966. Já em 1972, depois de ser vice-campeão da Taça Independência com a seleção lusa, o veterano atraiu o interesse dos cruz-maltinos. Fez parte do elenco campeão brasileiro de 1974, disputando dez jogos e marcando um gol. Depois, passou também pelo Porto e voltou ao Brasil para defender o Sport, conquistando o Pernambucano de 1975. Ainda jogou pelo Treze, da Paraíba.

Fernando Peres foi o mais bem sucedido, mas não o único português a passar pelo Brasil. Na década de 1940, o artilheiro Pipi Carvalho teve uma rápida passagem pelo Botafogo, onde enfrentou problemas com Heleno de Freitas e voltou ao Benfica. Jacinto João veio renomado à Portuguesa, após passar por Vitória de Setúbal e pela seleção, fazendo jus à fama no Canindé entre 1975 e 1976. O Vasco ainda apostou em outros lusos, incluindo Fernando Augusto e Lito. Já os últimos a aportarem no país foram o zagueiro Paulo Madeira e o meia José Dominguez, nos anos 2000, que decepcionaram por Vasco e Fluminense.

Pereirinha tenta escrever agora a sua própria história. E, se conseguir ganhar o seu espaço, pode ter o respeito  que a maioria de seus compatriotas não teve no Brasil. Quem sabe, para provar a máxima de que a vida cada vez mais imita o Football Manager. Basta só esperar o dia em que o lendário Tó Madeira apareça no Brasileirão.

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