20/12/2017 às 17h04min - Atualizada em 20/12/2017 às 17h04min

Arte para contemplação e interação

MUnA abre três novas exposições para encerrar 2017, ano que marca as duas décadas de atividades do museu

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Abertura da exposição na última sexta-feira (15) no MUnA contou com performance do grupo de dança Substantivo Coletivo da UFU / Foto: Adreana Oliveira

 

No ano que marca o seu 20º aniversário o Museu Universitário de Arte (MUnA), da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), está com uma nova série de exposições abertas desde sexta-feira (15). “Corpos (in)Dóceis” de Paulo Augusto, “Praça Siteótica” de Andressa Boel e “Sr. Joaquim” de Thaís Valadares ficam abertas à visitação até 27 de janeiro.

Logo ao entrar pela porta principal do MUnA o visitante terá o impacto de uma imagem ampliada de um homem sentado cobrindo a cabeça com a camisa. Esse tipo de fotografia fez parte da rotina de Paulo Augusto durante muitos anos quando trabalhou como repórter fotográfico. Destinadas às páginas policiais dos jornais, hoje essa imagens ganham outro contexto dentro da exposição “Corpos (ind) Dóceis”.

As outras imagens espalhadas pelo museu devem gerar uma certa empatia do visitante que possivelmente não daria essa atenção a elas nos jornais. “A foto sai dessa narrativa da mídia para um espaço de certa forma sacralizado da arte e tira o senso comum que a acompanha. De alguma forma ela toca o espectador nesse espaço reservado para olhar e pensar as imagens, algo que não se faz geralmente ao ler um periódico”, disse o fotógrafo que também é artista plástico.

Essa exposição, segundo Paulo Augusto, veio de um longo processo. Ele observava os registros de outros colegas e quando começou a trabalhar em jornal fez um arquivo com algumas de suas fotos paralelo ao de seu trabalho no jornal. A forma como o sujeito abordado – seja ele criminoso ou não – incomodava o fotógrafo quando a mídia se colocava no papel de julgar. “Havia um certo escracho que não é papel do jornalismo fazer”, comentou.

A forma como esses homens tentam proteger as suas identidades, as artimanhas para cobrir o rosto coloca o fotógrafo e o fotografado em situações opostas. Paulo Augusto, em sua pesquisa, aborda a violência do ato fotográfico como forma de denunciar a violência simbólica. “Se fala muito em violência, no ato violento e pouco se fala sobre o estado de violência em que vivemos. Pagamos impostos e não temos um serviço de saúde, educação e nem lazer como devia ser direito de todos, como podemos julgar, por exemplo, uma criança que entra no tráfico se ela não tem acesso ao mínimo para ter uma vida decente?”, questiona.

Durante a abertura da exposição o grupo Substantivo Coletivo, formado por alunos e professores de dança da UFU executaram a performance que leva o nome da exposição, o que se repetiu em três ocasiões até hoje. Os dançarinos interagiam com o cenário geral e reproduziam por meio de seus corpos, o que as fotografias passam, uma certa angústia.

 

PODE TOCAR!

Instalação permite ao visitante mais interação

A goiana Andressa Boel chegou a Uberlândia há cerca de 15 anos. Aqui fez graduação e e mestrado em Artes visuais na UFU e apresenta no MUnA um site specific. A “Praça Siteótica” surgiu a partir de um outro site em uma praça do bairro Santa Mônica, a Said Chacur. No “Plante na Praça” Andressa plantou um girassol e convidava as pessoas a plantarem também. “A praça começou a ser mais frequentada, estava sem visibilidade e com o tempo a população dos arredores abraçou a ideia”, disse a artista.

No MUnA tudo que está na sala pode ser tocado, modificado. “Vai se montando o site a partir da visita das pessoas, da interação delas”, explicou. Você pode sugerir um nome para a praça, regar os girassóis e colaborar com a montagem do espaço. Na entrada, no dia da abertura, algumas pessoas tinham dúvidas sobre se podiam pisar ou não na grama. “Pode tirar os sapatos, sentir a grama sob seus pés”, disse Andressa. Sobre o trabalho no Santa Mônica ela se sentiu abraçada pela população e teve um retorno muito positivo. A expectativa para o MUnA é que, neste espaço mais fechado e mais voltado para a contemplação, os visitantes também se sintam cocriadores do trabalho. “É um processo de montagem coletivo que deve proporcionar uma experiência diferente com a arte”, disse a artista que faz doutorado na Universidade de Campinas.

 

THAÍS VALADARES

A terceira exposição em cartaz no MUnA é da artista plástica Thaís Valadares, natural de Belo Horizonte, que apresenta trabalhos das séries “Tarjas” e “Sr. Joaquim”. No caso de “Tarjas” as pinturas em óleo sobre tela e os desenhos negam e afirmam a individualidade de cada um. Na outra série ela pegou emprestado o nome de seu pai, que inspirou as imagens selecionadas para a obra. Nela a memória é retratada de forma inconsciente e visceral.

 

SERVIÇO

O QUE: exposições “Corpos (In) Dóceis”, “Praça Siteótica” e “Sr. Joaquim”

QUEM: Paulo Augusto, Andressa Boel e Thaís Valadares

ONDE: Museu Universitário de Arte (MUnA) (Praça Cícero Macedo, 309, Fundinho)

QUANDO: até 27 de janeiro, de segunda a quinta, das 8h30 às 18h30; sexta, das 8h30 às 18h30 e sábado, das 10h às 17h. Exceto feriados

ENRADA FRANCA

INFORMAÇÕES: 3231-9121


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