10/12/2017 às 05h57min - Atualizada em 10/12/2017 às 05h57min

UEC terá três competições em um ano

Time uberlandense se prepara para Campeonato Mineiro, Série D do Brasileiro e Copa do Brasil

ÉDER SOARES | REPÓRTER
Fabrício Tavares é o responsável pelas contratações de jogadores / Foto: Éder Soares

 

Com o fechamento da última rodada da Série A do Campeonato Brasileiro e a definição dos oito times que representarão o Brasil na Taça Libertadores da América, o Uberlândia Esporte Clube se encaixou nos critérios técnicos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e disputará a Copa do Brasil, segunda competição mais importante do país, em 2018. O sorteio com os confrontos da primeira fase deverá acontecer no dia 14, quando o Verdão conhecerá o seu adversário.

Além da Copa do Brasil, competição que o UEC não disputa desde 2004, o time terá pela frente mais dois campeonatos importantes no próximo ano. Pelo Campeonato Mineiro, a meta é se classificar entre os quatro melhores e tentar chegar a final da competição, repetindo o feito de outro clube do interior, a Caldense, vice-campeã em 2015.

A Série D do Brasileiro é o objetivo maior do clube e que abre o caminho para uma subida gradual no cenário nacional. A partir da competição, o Verdão terá a chance de buscar o acesso para a Série C e, sendo bem sucedido, no ano seguinte, começar a escalada rumo à Série B, que proporciona grande visibilidade, com direito a uma maior cota de TV e portanto melhores condições de manter o clube, com equilíbrio, na vitrine nacional.

O Verdão não participa da Copa do Brasil há 14 anos. Já a última vez que o clube disputou a quarta divisão nacional foi em 2009, primeiro ano em que ela aconteceu.

Para uma temporada atípica na vida do clube, a diretoria já se planeja para não fazer feio dentro e fora das quatro linhas. A Copa do Brasil poderá ser mais um suporte financeiro, já que a cota de TV teve reajuste de 60% e chegará a R$ 500 mil em 2018, fora as rendas dos jogos. O dinheiro servirá para ajudar na manutenção da equipe para a Série D, que é uma competição altamente deficitária.

Segundo o presidente eleito do Verdão, Flávio Gomide, que tomará posse no início de janeiro, o clube está pronto para dar muitas alegrias ao seu torcedor. “São três competições fortes e que requerem um elenco forte e experiente para suportar as cobranças do nosso torcedor, um torcedor que é exigente e apaixonado. O trabalho está sendo feito com muito critério por toda a diretoria e pelo nosso departamento de futebol. Estou muito otimista, assim como acredito que a imprensa e torcida. Estamos todos muito ansiosos para que comece 2018 logo”, disse.

 

DIRETOR DE FUTEBOL

Fabrício Tavares parte para o segundo ano como o responsável direto pelas contratações de atletas. Ao levar para a vida futebolística sua experiência como administrador de empresas, o diretor vem se esforçando para formar um elenco de qualidade técnica por um custo que esteja dentro da realidade financeira do clube. “O mercado brasileiro é muito concorrido e é preciso paciência para o fechamento com atletas de boa qualidade. O Uberlândia tem uma excelente estrutura e boas referências, o que ajuda muito. Ainda temos algumas negociações pela frente, mas o que posso dizer, sem citar nomes, é que traremos sempre jogadores com referências e que honrem a camisa do Verdão”, disse Fabricio, que falou ainda sobre as três competições em 2018.

“São competições importantes e pesadas, mas que estamos nos preparando para ir bem em todas elas. O planejamento começou há meses para que o índice de erros seja o menor possível. Mantivemos uma base da equipe de 2017, o que é muito importante, e trouxemos jogadores de qualidade e com maturidade suficiente para que possam nos ajudar neste 2018, que promete muitas emoções. O Uberlândia será uma equipe muito forte e complicada para qualquer adversário”, afirmou.  

 

COPA DO BRASIL

Haender cita erros que geraram eliminação em 2004

Na primeira e única vez em que disputou a Copa do Brasil, no ano de 2004, o Verdão acabou não passando da primeira fase. A equipe, então presidida por Eduardo Anchieta, conquistou o título da Taça Minas Gerais de 2003, por consequência conseguindo o direito de disputar a competição nacional.

O centroavante Haender, que atuou profissionalmente por inúmeras equipes do futebol brasileiro, fez parte do elenco que enfrentou o Juventude, em partida única que aconteceu no Estádio Parque do Sabiá. Naquela oportunidade, com uma equipe muito jovem, o Verdão acabou não sendo páreo para o time gaúcho, que na época disputava a Série A do Brasileiro, e foi derrotado por 3 a 0, o que resultou na eliminação do campeonato. 

“O grande problema é que não tínhamos um time para perder de 3 a 0, apesar do Juventude ser muito bom. Nosso time era jovem e formado por jogadores promissores, muitos deles sendo pretendidos por times maiores, inclusive o Geison (lateral) foi para o Juventude por causa deste jogo, e outros jogadores como o Milagres, que já era um goleiro conceituado no cenário nacional. Eu estava numa fase muito boa, sendo até artilheiro do Mineiro. Era um time que daria para disputar o segundo jogo e fazer um jogo mais duro na primeira partida”, disse Hander, que lembrou ainda dos problemas de preparação.

“Tivemos muitos problemas durante a nossa fase de preparação para a Copa do Brasil. Nós não fizemos nenhum jogo e nenhum coletivo, em três meses. Fizemos apenas três jogos treinos, contra Cruzeiro, Villa Nova e com um time amador da região. O problema foi a qualidade dos treinos, fizemos muito treino tático e muito pouco coletivo. Essa falta nós sentimos na hora do jogo. Falávamos entre nós que a falta de coletividade poderia nos prejudicar e isso aconteceu. Não jogamos bem e o Juventude ganhou sem fazer tanto esforço. Erramos muito e não conseguimos nos encontrar”, afirmou o ex-atacante, que completou falando sobre as dificuldades financeiras.

“Tínhamos muitas dificuldades na época, mas um dos erros do clube foi contratar um treinador (Jurandy Gama) que vinha trabalhando somente com categorias de base no América Mineiro e nunca tinha trabalhado numa equipe profissional. Isso atrapalhou muito, além da crise financeira do clube, que passava por dificuldades e precisou fazer um time bem modesto”.

 

Ficha técnica do jogo de 2004

UEC

Milagres; Geison, Thiago Paiva, Anderson Primon e Bigu; Douglas, Rudson, Guilherme e Rafael; Haender e Renato.

Técnico: Jurandy Gama

 

Juventude

Márcio; Mineiro, Indio, Neto e Raone; Evandro, Donizete Amorim, Marcelo e Camazzola; Michel e Joãozinho.

Técnico: Plein

 

SÉRIE D 2009

Portões fechados comprometeu desempenho em casa

Em 2009, primeiro ano na elite do Campeonato Mineiro, depois de conquistar o acesso no Módulo II, em 2008, o Verdão começou mal a competição, sendo derrotado nas três primeiras rodadas para Cruzeiro, América e Uberaba. Os resultados provocaram a demissão do técnico José Maria Penna. Na quarta rodada assumiu o técnico Wellington Fajardo, que acumula cinco passagens pelo UEC.

Fajardo conseguiu uma grande reação na competição, retirando o clube da zona de rebaixamento e ainda classificando para a Série D do Brasileiro daquele ano, que foi o primeiro em que a CBF instituiu a quarta divisão. O clube foi beneficiado também com a desistência do Rio Branco de Andradas, que deixou de disputar a Série D e depois daquele ano encerrou as suas atividades como equipe profissional.

Mantendo a base da equipe e fazendo contratações pontuais, a diretoria também manteve Wellington Fajardo para o comando técnico. O Verdão ficou em uma chave que tinha ainda Uberaba e os paulistas Ituano e Mirassol. O clube terminou a fase de grupos empatado na primeira colocação com o Uberaba, porém ficou com a vice-liderança pelo critério de gols marcados.

Na primeira fase de mata-mata, o Uberlândia enfrentou o Araguaia (MT). No primeiro jogo, no Estádio Parque do Sabiá, com portões fechados em função do surto de gripe suína que assolava o país, o placar terminou 3 a 2 para o Verdão, mas no jogo de volta, na cidade de Alto Araguaia, o alviverde foi superado pelo rival, por 2 a 0, e acabou eliminado precocemente da competição.

O técnico Wellington Fajardo entende que o fato de ter jogado no Parque do Sabiá sem a presença do torcedor foi determinante para eliminação. “Estávamos em uma fase muito boa, invictos e o torcedor estava muito confiante. Lembro-me que colocaram um telão do lado de fora do Parque do Sabiá e tinham mais de 4 mil pessoas. Era jogo para, no mínimo, 10 mil pessoas e nós teríamos muito mais empolgação para vencer o jogo com uma margem maior de gols”, disse Fajardo, que falou ainda sobre o jogo no Mato Grosso.

“Foi um jogo difícil, um campo em péssimas condições em todos os aspectos, gramado e vestiário. Uma situação muito complicada, pois não tinha condições de colocar a bola no chão, campo muito pequeno. Infelizmente perdemos de 2 a 0 e fomos desclassificados. O que acredito é que se as coisas acontecessem dentro de um curso normal, principalmente no jogo de ida, poderíamos ter feito um placar mais largo e jogar com maior tranquilidade no Mato Grosso”.

 

Ficha UEC x Araguaia 1º jogo

UEC

Paulo César; Geison, Reginaldo, Rancharia e Marcel; Vertinho, William Santos, Leo Salino e Bruno Maranhão; Rena e Souza.

Técnico: Wellington Fajardo

 

Araguaia

Flávio Mendes; Raniel, Marinho, Luiz Carlos, e Wagner; Thiago Fofão, Valtinho, Alessandro e Evandro Paulista; Dinei e Gaúcho.

Técnico: Marcos Birigui


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