20/11/2017 às 14h37min - Atualizada em 20/11/2017 às 14h37min

Harmonitango homenageia Astor Piazzolla em álbum

Trio faz regravações de raridades e obras consagradas de argentino

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
José Staneck, Sheila Zaugy e Ricardo Santoro formam o trio Harmonitango / Foto: Cícero Rodrigues/Divulgação

 

A música erudita ganha mais uma produção de primeira linha. E a estreia do trio Harmonitango, que lança CD homônimo (A Casa Discos, Distr. Tratore, R$ 30), é uma grande homenagem ao bandoneonista e compositor argentino Astor Piazzolla.

Formado por José Staneck (harmônica), Ricardo Santoro (violoncelo) e Sheila Zaugy (piano) o Harmonitango regravou, em formação inusitada, raridades e obras consagradas do músico portenho, como “Adiós Nonino”, “Libertango”, “Deus Xango” e “Retrato de Milton”, entre outras. O CD traz 11 canções ao longo de pouco mais de uma hora e já na faixa de abertura, “La Muerte del “Ángel” mostra a que veio, esta é uma das melhores músicas do álbum.

Segundo o trio, todo o trabalho de produção deste disco partiu de uma busca por diferentes sonoridades e novas formas de expressão. A produção tem a assinatura de Sergio Roberto de Oliveira, morto em julho deste ano de câncer no pâncreas. No encarte, ele escreveu: “Astor Piazzolla é figura múltipla, complexa e apaixonante... pois é justamente a tradução desse Piazzolla múltiplo e complexo que nos apaixona neste álbum do Harmonitango.”

A partir de suas múltiplas influências, a música de Piazzolla também bebeu na fonte brasileira. No início de carreirao portenho foi ter aulas com a legendária Nadia Boulanger, mestre de alguns dos maiores criadores do século 20 como Igor Stravinsky, Leonard Bernstein, Aaron Copland, os brasileiros Claudio Santoro, Camargo Guarnieri e Almeida Prado, além de nomes fundamentais da música popular moderna, como Egberto Gismonti e Quincy Jones. E foi a própria Boulanger quem lhe incentivou a desistir da carreira erudita e mergulhar de vez no tango, ritmo que tanto o fascinava.

Neste CD estão presentes duas de suas maiores criações: “Adiós Nonino”, dedicada ao seu pai que acabara de perder, em 1959; e “Libertango”, tema consagrado pelas interpretações do compositor e das várias releituras mundo afora.

Paulo Jobim, também no encarte, elogia o trabalho do trio formado no Rio de Janeiro em 2010. “Este CD é uma joia. O trio respira junto, vibra na pausa com uníssonos e vozes perfeitos e com arranjos muito fieis ao original de Piazzolla.”

O Harmonitango já se apresentou em diversas salas de concerto do Rio de Janeiro, Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, Brasília, Goiânia, Maringá, Londrina, entre outras, sempre com grande receptividade do público e da crítica especializada, e tem como seu principal objetivo a divulgação da música de Piazzolla e também dos grandes compositores brasileiros, sempre com arranjos feitos pelos próprios músicos.


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