29/10/2017 às 05h29min - Atualizada em 29/10/2017 às 05h29min

Zeca Pagodinho é uma força da música brasileira

Em 30 anos de carreira sambista, não se deixou levar pelas glórias da fama e mantém os pés no chão

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Zeca Pagodinho prepara disco novo para 2018 e segue com turnê de disco premiado / Foto: Divulgação

 

Zeca Pagodinho é uma das figuras mais emblemáticas da cultura brasileira. Nome forte do samba foi eleito no 28ª Prêmio da Música Brasileira, em julho passado, o prêmio de Melhor Cantor de Samba pelo projeto “O Quintal do Pagodinho 3 Ao Vivo”. A turnê desse disco passou por Uberlândia no sábado (21), onde o cantor se apresentou no Praia Clube. Antes ele concedeu uma entrevista exclusiva por e-mail ao jornal Diário do Comércio falando sobre a carreira, escolha de repertório e suas percepções do momento político social pelo qual o Brasil passa.

Com 30 discos lançados, entre gravações ao vivo e de estúdio, Zeca Pagodinho é praticamente uma unanimidade e querido em todas as rodas. Apesar do status de ídolo, mantém firmes suas raízes e segue cercado por amigos de longa data e está sempre disposto a ajudar novos talentos da música brasileira. Seu mais novo projeto, “Samba do Zeca”, levará mensalmente o clima de seu Quintal de Xerém, distrito de Duque de Caxias, no Rio, para o Jockey Club do Rio de Janeiro. Entre este mês e janeiro, ele levará ao palco artistas consagrados da MPB e bambas da nova geração. A estreia foi no dia 1º de outubro com Maria Rita e Pretinho da Serrinha e a próxima, em 26 de novembro com atrações ainda a confirmar.

E após mais de 30 anos de carreira ainda existem parcerias por fazer. “Sempre tem, a gente está sempre querendo se movimentar. As ideias vão surgindo pelo caminho. Atualmente estou satisfeito com essa turnê e com o ‘Samba do Zeca’”, disse o cantor

No documentário "O Jaqueirão do Zeca" (2004), dirigido por Denise Moraes e Ricardo Bravo, conhecemos um pouco sobre a forma de Zeca interagir com outros artistas e escolher músicas para um novo disco. Mas montar um setlist para o show requer alguns cuidados, como não deixar alguns clássicos de fora e para isso Zeca conta com uma banda cheia de talentos. “Geralmente o repertório apresenta músicas do disco que está sendo lançado na época e os sucessos da carreira que o público reclama se a gente deixar de fora. A banda Moleke tem músicos de nome que trabalham não só comigo, mas com outros artistas da música. A maioria da rapaziada, mesmo tendo outros trabalhos, está comigo desde do início da minha carreira”, explicou o sambista.

Sobre as mudanças no mercado musical desde que iniciou a carreira e todo o impacto da tecnologia na forma de se consumir música parece passar longe das preocupações do artista. “Não entendo muito disso não... mas é o futuro, né?”, comentou.

Zeca tem uma carreira irretocável, uma postura digna e uma fidelidade a um estilo que é só dele e apesar de todo esse sucesso, não esquece suas raízes e mantém um laço forte com sua comunidade. Para ele, a arte não torna a pessoa um intocável. “O artista é gente como todo mundo. É claro que ficamos mais expostos e isso as vezes dá uma ideia de que somos diferentes, mas todo mundo é igual”, afirmou.

Entre os planos para 2018 está a gravação de um disco de inéditas e sobre o panorama político social brasileiro para o próximo ano, Zeca está pessimista. “Não estou muito otimista. Enquanto os políticos não investirem na educação e na saúde, ao invés de usarem o dinheiro em benefício próprio, não vejo muita saída”, lamentou.

 

CRONOLOGIA*

1959

Zeca Pagodinho, batizado de Jessé Gomes da Silva Filho, nasceu no Irajá em 4 de fevereiro e foi criado em Del Castilho. Filho de Seu Jessé e Dona Irinéa, quarto de uma família de cinco crianças, desde cedo trocava as aulas por uma boa roda-de-samba. Depois da quarta-série, não quis mais saber de escola.

1970

Nos anos 70, o partido-alto começa a se tornar uma febre nos subúrbios do Rio. E entre um samba e outro, Zeca se virava como podia. Feirante, camelô, office-boy, contínuo e anotador de jogo do bicho. Fez de tudo. Desta época, surgiram amizades como Sérvula, Dorina, Paulão Sete Cordas, Monarco, Mauro Diniz, Almir Guineto, Bira Presidente, Beto Sem Braço e Arlindo Cruz. Frequentava também as rodas do Cacique de Ramos.

1983

No início dos anos 80 Pagodinho começa a se estabelecer como um versador de respeito. Em parceria com o flautista e partideiro Cláudio Camunguelo, teve sua primeira música gravada: "Amargura". A faixa entrou no repertório do segundo disco do grupo Fundo de Quintal, fundado em 1977 e originário do Cacique de Ramos. A aproximação com o grupo acabou levando Zeca Pagodinho para perto de Beth Carvalho. Foi ela quem gravou seu primeiro sucesso: “Camarão que dorme a onda leva". A madrinha ainda gravou "Jiló com Pimenta" (Arlindo Cruz e Zeca).

1985

O pagode se preparava para estourar no Brasil. A RGE lança a coletânea "Raça Brasileira" (1985). Entre as canções de Zeca estavam "Mal de Amor", "Garrafeiro", "A Vaca" e "Bagaço da Laranja". Foram 100 mil cópias vendidas.

1986

O sambista estreava em disco solo, "Zeca Pagodinho”. Emplacou os sucessos "Coração em Desalinho", "Quando eu contar (IáIá)", "Judia de Mim" e "Brincadeira tem Hora", atingindo a marca de um milhão de cópias vendidas.

1987

Pela RGE ainda gravou "Patota do Cosme" (1987). Em seguida, se mudou para a RCA (atual Sony-BMG), ao lado de Beth Carvalho, Paulinho da Viola e Martinho da Vila. Na casa nova, ele gravou "Jeito Moleque" (1988), "Boêmio Feliz" (1989), "Mania da Gente" (1990), "Pixote" (1991), "Um dos Poetas do Samba" (1992) e "Alô, Mundo!" (1993).

1995

Vai para a Universal Music Brasil e grava "Samba Pras Moças".

2002

Lança “Deixa a Vida Me Levar" que estabelece o artista como um dos grandes nomes da música brasileira. A música título vira o tema da Copa e o disco ganha o prêmio de “Melhor Álbum de Samba” no Grammy de 2002.

2003

Lança o “Acústico MTV Zeca Pagodinho" (CD e DVD), que ganha segunda edição em 2006.

2008

“Uma Prova de Amor”, CD com 16 faixas, sendo 13 inéditas chega às lojas. Sob produção musical de Rildo Hora, o disco conta com participação de João Donato em "Sambou, Sambou", releitura de uma canção do próprio pianista, Jorge Ben Jor em “Ogum”, na qual ele recita a oração de São Jorge, e a Velha Guarda da Portela, parceira de longa data de Zeca, no pot-pourri que reúne os sambas "Falsa Jura", "Pecadora" e "Manhã Brasileira".

2010

Lança o 22º CD, 'Vida da Minha Vida", dedicado à sua madrinha Beth Carvalho.

2013

Começam as celebrações de seus 30 anos de carreira. Lança “Zeca Pagodinho Multishow Ao Vivo: 30 anos, Vida que Segue”, onde interpreta sambas de sua história afetiva.

2014

É lançado o " Sambabook Zeca Pagodinho", projeto multimídia, onde artistas como Alcione, Arlindo Cruz, Diogo Nogueira, Gilberto Gil, Jorge Aragão, Lenine, Maria Rita, Amir Guineto, Beth Carvalho, Djavan, Marcelo D2, Jorge Ben Jor, Mariene de Castro, Monarco e a Velha Guarda da Portela, entre outros interpretam músicas compostas pelo sambista. Além de CD e DVD, faz parte do Sambabook , um livro com a discografia do cantor, além de um caderno de partituras.

2015

Em abril Zeca lança seu 23º álbum. Incluindo canções de Monarco, Amir Guineto, Nelson Rufino, entre outros compositores, o projeto reúne 14 faixas.

2016

A terceira edição do projeto “Quintal do Pagodinho” é lançada em CD e DVD pela Universal.

2017

Em julho é eleito o Melhor Cantor de Samba pelo projeto “O Quintal do Pagodinho 3 Ao Vivo” no Prêmio da Música Brasileira e em outubro inicia a série “Samba do Zeca”, que acontece mensalmente no Jockey Club de São Paulo.

*Fonte: www.zecapagodinho.com.br

 

SCORE

Zeca pagodinho tem

30 discos lançados

4 Grammy Latino

4 Prêmios da Música Brasileira

3 Troféus Imprensa


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