16/10/2017 às 19h07min - Atualizada em 16/10/2017 às 19h07min

Uberlândia tem 1,1% das casas com focos de Aedes

Parte dos criadouros estavam sendo alimentados por água da torneira

ISABEL GONÇALVES | REPÓRTER
Pesquisa foi realizada por 160 agentes do CCZ em mais de 11 mil casas da cidade / Foto: Secom/PMU/Divulgação

 

O último Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa) de Uberlândia em 2017 mostrou que 1,1% das casas pesquisadas têm focos de reprodução do vetor da dengue, zika vírus e chikungunya. Os índices foram divulgados ontem pela Prefeitura de Uberlândia e indicam uma situação de médio risco. No mesmo período de 2016, o índice era de 2,1%.

Todos os bairros de Uberlândia foram visitados por 160 agentes do Centro de Controle de Zoonose (CCZ), inclusive os distritos, entre os dias 3 e 6 de setembro. De acordo com a Prefeitura, após a vistoria de 11.755 imóveis na cidade, o bairro Jardim  Inconfidência, na zona sul, foi o que apresentou maior índice de focos.

Segundo o coordenador do Programa Municipal de Ações para o Controle do Aedes, José Humberto Arruda, o número é considerado positivo e próximo do controle. Ele reforça, porém, que a sociedade precisa continuar ajudando a combater o mosquito transmissor mesmo nos períodos de seca.

Dos criadouros, 92% estavam nos quintais e corredores e 8% no interior das casas (salas, cozinhas e banheiros). De acordo com a pesquisa, em 12,8% das casas foram encontrados focos nos vasos sanitários. Além disso, vasos de plantas (11,5%), pratos de plantas (8,3%), ralos (8,3%) e vasilhas plásticas (7,7%) serviam de criadouro.

Segundo José Humberto Arruda, com exceção das vasilhas plásticas, que muitas vezes são recipientes de uso doméstico lançados no quintal, os demais reservatórios que se destacaram são criadouros alimentados por água de torneira pelo próprio morador.

“Nossa preocupação aumenta porque percebemos que são criadouros intradomiciliares que mantiveram a presença do mosquito mesmo com a ausência de chuva por mais de 120 dias. Quando as águas retornarem de vez, esses mosquitos mantidos nos domicílios, juntamente com os ovos que persistiram viáveis em depósitos não removidos, farão rapidamente a infestação em âmbito maior e mais perigoso”, enfatiza o coordenador do Programa Municipal de Ações para o Controle do Aedes.

Com base nesse último Levantamento, a equipe técnica do Programa Municipal de Ações para o Controle do  Aedes poderá direcionar de forma precisa as ações para o combate ao mosquito no Município.

“De acordo com os índices, vamos nortear e intensificar  as   ações conforme  o que foi levantado. O planejamento inclui a realização de mutirões e ações junto  à comunidade, como reuniões nas associações de moradores de bairros e atividades nas escolas, bem como o fortalecimento da parceira com os agentes comunitários de saúde da atenção primária”, explicou Arruda.

 

DOENÇAS

As doenças transmitidas pelo mosquito também tiveram queda em Uberlândia, segundo a Prefeitura.  Nos primeiros seis meses do ano, o Centro de Controle de  Zoonoses (CCZ) registrou uma redução de 82% nos casos das doenças transmitidas pelo Aedes (dengue, chikungunya e zika vírus). No mesmo período em 2016, eram 9.249 casos confirmados das doenças. Já em 2017, o Município registrou 1.645 casos.

Para Arruda, o trabalho diário de eliminação de focos pelos agentes do CCZ e a retomada da ação de bloqueio, logo em janeiro, foram determinantes para essa redução.  As ações de bloqueio são realizadas em bairros que tiveram casos suspeitos das doenças transmitidas pelo Aedes, conforme explicou o coordenador.

Também foram intensificadas as visitas nos imóveis fechados para aluguel ou venda, após uma parceria com as imobiliárias, e o acompanhamento e inserção do peixe lebiste, uma solução para eliminação das larvas do Aedes nos locais que não podem ser tratados com larvicidas, como em piscinas, fontes e tanques de decantação.

A redução nos casos, conforme explicou Arruda, é reflexo do envolvimento de vários setores. “Além do trabalho do CCZ, tivemos apoio de empresas, associação de moradores, instituições diversas, da população em geral, bem como da participação efetiva da Atenção Primária, com os agentes comunitários de saúde. Precisamos continuar com essa conscientização para evitarmos novos casos”, afirma.

 

LIRAa – outubro 2017

Imóveis visitados - 11.755

Bairros com maiores índices - 
- Jardim  Inconfidência - 5,3%
- Vigilato Pereira - 4,6%
- Carajás - 4,4%
- Lídice - 3,8%
- Dona Zulmira - 2,9%

Bairros de grande porte
- Shopping Park - 2,6%
- Jardim das Palmeiras - 1,8%
- Osvaldo Resende - 1,6%
- Planalto - 1,4%
- Tibery - 1%

Depósitos predominantes (5 maiores)
- Vaso sanitário - 12,8%
- Vaso de planta - 11,5%
- Prato de planta - 8,3%
- Ralo - 8,3%
- Vasilha plástica - 7,7%

*Os índices de infestação inferiores a 1% estão em condições satisfatórias. De 1% a 3,9%, em situação de alerta. Superior a 4%, há risco de surto das doenças causadas pelo Aedes aegypti.


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