13/10/2017 às 05h01min - Atualizada em 13/10/2017 às 05h01min

Grupo Corpo sempre em movimento

Companhia mineira é uma das maiores representantes da dança no Brasil com expressividade no exterior

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
“Suíte Branca” é uma parceria do Grupo Corpo com a coreógrafa Cassi Abranches / Foto: José Luiz Pederneiras/Divulgação

 

Uberlândia recebe neste final de semana, em curta temporada, uma das melhores companhias de dança do Brasil, o Grupo Corpo, mineiro de Belo Horizonte, onde iniciou suas atividades em 1975 por iniciativa de seu diretor geral e artístico Paulo Pederneiras. Ao seu lado ele sempre teve a parceria dos irmãos Miriam, Pedro e Rodrigo Pederneiras. A turnê, que chega hoje ao Teatro Municipal, marca os 40 anos da companhia, celebrados em 2015, e traz dois espetáculos, “Suíte Branca” e “Dança Sinfônica”, que serão apresentadas nesta ordem a partir das 20h30.

Às vésperas da viagem para Uberlândia o coreógrafo Rodrigo Pederneiras encontrou um espaço na apertada agenda para conversar com a reportagem do jornal Diário do Comércio sobre como funciona a companhia que é um orgulho para o estado de Minas Gerais e para o Brasil. “Esse é um programa muito especial para nós por ter sido especialmente preparado para celebrar nossas duas décadas. Já passamos com ele por Belo Horizonte, Ipatinga e Porto Alegre recentemente e é com muita alegria que chegamos ao Municipal de Uberlândia”, disse Rodrigo.

Dentro dessas comemorações, Rodrigo destaca o primeiro trabalho do Grupo Corpo com a coreógrafa paulista Cassi Abranches, ex-bailarina do Grupo, responsável por “Suíte Branca“, que traz uma trilha sonora composta especialmente para a companhia por Samuel Rosa, vocalista da banda mineira Skank. 

O espetáculo que abre a noite tem 32 minutos e come- ça com acordes de guitarra e a silhueta sinuosa de uma bailarina riscando o ar. Misté- rio e movimento marcam as performances dos bailarinos que, vestidos de branco, desafiam a gravidade.

Com mais de 30 peças em seu repertório, o Grupo Corpo costuma abrir poucas vagas, só mesmo quando algum dos bailarinos se aposenta ou parte para outras funções dentro da companhia. “Sempre que surge uma vaga temos candidatos de todo o país. Fazemos audições e os que se destacam com uma técnica clássica mais apurada convidamos para passar três dias conosco, para vermos como se adaptam ao nosso repertório e, a partir daí, fazemos a escolha”, explica Rodrigo.

O Corpo é uma grande escola para quem passa por ele. Os bailarinos que saem dos palcos e não atuam nos bastidores do próprio grupo criam suas próprias companhias. “Já passaram por aqui várias gerações de bailarinos”, comenta Rodrigo. Paralelo ao grupo, eles têm uma escola e trabalha com projetos sociais que atingem em média 600 crianças e adolescentes. “Nessas escolas não trabalhamos somente a dança, também outras artes como música, criação de instrumentos,entre outras atividades”, conta Rodrigo Pederneiras.

A apresentação do Corpo em Uberlândia faz parte do projeto “Uberlândia na Rota do Teatro” e contará com uma performance dos alunos do curso de dança do Instituto de Artes da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), no foyer do teatro, às 19h30. Hoje, o público assistirá a “Facesentido”, com Alexandre Roiz e “Corpo evolução”, de Lang Soares. Amanhã será apresentado “O”, de Zezé Grillo e domingo “Corpo Imaginário”, elaborado pela discente no Estágio Supervisionado Fabiana Garcez e orientado pela professora Daniella de Aguiar.

 

SOBREVIVÊNCIA

Arte no Brasil carece brutalmente de incentivos

O ballet exige bastante de seus bailarinos. São horas intermináveis de ensaio, estudos, dedicação de corpo e alma e o Grupo Corpo, há 42 anos, realiza um trabalho de excelência. “Aqui ninguém tem a ideia de ir atrás do sucesso ou algo assim. O que nos desafia é sempre chegar a algo que não tenhamos feito e apesar disso nos renovarmos. Esse trabalho já nos levou a várias partes do mundo”, explica Rodrigo Pederneiras. 

Ele é o coreógrafo de “Dança Sinfônica”, também no programa desta turnê que marca os 40 anos do Grupo e tem a trilha sonora marcante de Marco Antônio Guimarães, do grupo Uakti. “O Grupo Corpo tem essa marca registrada, a linguagem que é muito própria, que outra companhia não tem, e ao mesmo tempo a gente sempre convidando gente nova para criar as novas trilhas com trabalhos mais contemporâneos”, comenta.

Para Rodrigo, no Brasil há uma carência brutal de incentivo à arte e à cultura no Brasil, onde isso não é levado a sério como deveria. “Não preservamos nada de nossa memória. Vão passando por cima das instituições culturais por causa de política ou por dinheiro e o que é mais importante, a qualidade da produção cultural, é deixada de lado”, lamenta o coreó- grafo, que elogia a cena em países do primeiro mundo. “O respeito que sem tem pela preservação da arte e da cultura em muitos países que visitamos deveria ser exemplo para o Brasil que considera algo fundamental como a cultura desnecessária”, explica o coreógrafo mineiro.

 

SERVIÇO

O QUE: Espetáculos “Suíte Branca” e “Dança Sinfônica”

QUEM: Grupo Corpo (BH)

QUANDO: hoje, amanhã e domingo, às 20h30

LOCAL: Teatro Municipal de Uberlândia (Av. Rondon Pacheco, 7.070, Tibery)

INGRESSOS: R$ 60 (meia) e R$ 120 (inteira) à venda na Brasal Construtora (Av. Vinhedos, 1.100), www.megabilheteria.com e na bilheteria do teatro.

INFORMAÇÕES: 3235-1568

 

FICHAS TÉCNICAS

SUÍTE BRANCA (2015)

Coreografia: Cassi Abranches

Música: Samuel Rosa

Cenografia: Paulo Pederneiras

Figurino: Freusa Zechmeister

Iluminação: Paulo Pederneiras e Gabriel Pederneiras

Duração: 32 minutos

 

DANÇA SINFÔNICA (2015)

Coreografia: Rodrigo Pederneiras

Música: Marco Antônio Guimarães

Cenografia: Paulo Pederneiras

Figurino: Freusa Zechmeister

Iluminação: Paulo Pederneiras e Gabriel Pederneiras

Duração: 42 minutos


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