10/09/2017 às 05h14min - Atualizada em 10/09/2017 às 05h14min

Projeto leva a prática do tênis a jovens de baixa renda

Professor voluntário procura mais apoio para o Grand Winner

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Alunos do projeto Grand Winner que participaram do treino acompanhado pela reportagem / Foto: Adreana Oliveira

 

Todo esporte requer de seus praticantes disciplina, paciência, força e delicadeza e uma visão sempre à frente do adversário para a obtenção de um resultado positivo. Todo esporte requer investimento, e muito, não só em material humano como em todo o equipamento necessário para sua prática. Ainda considerado por muita gente como um esporte de elite, o tênis também ganha o coração de crianças e jovens que mesmo sem condições de pagar por aulas encontraram em um projeto social uma forma de ter uma chance a mais de sonhar.

O projeto social Grand Winner, que ganhou este nome há pouco mais de um ano, surgiu há mais de uma década, fruto da vontade de um tenista amador e voluntário, Digah Cavalcante, de proporcionar a prática do tênis a crianças e jovens de baixa renda. Além da prática esportiva em si, o esporte pode levar a maior socialização de seus praticantes e melhorar a concentração em atividades como as escolares, por exemplo.

Atualmente, Digah tem poucos colaboradores e voluntários para ajudar seus 28 meninos e meninas que integram o projeto a perseguir esse sonho. As crianças a partir de 6 anos de idade treinam em quadras alugadas por ele – que paga o aluguel mais a energia usada – e usam raquetes e bolas adquiridas pelo treinador e alguns voluntários.

“Já faz dois anos que ficamos sem apoio financeiro, mas não é isso que vai me fazer parar com as aulas. Sei da importância do projeto para estes meninos. Alguns deles treinam até cinco vezes por semana fora do horário escolar e se tivéssemos mais estrutura estaríamos atendendo mais crianças, o que agora não é possível”, afirmou Digah.

Em uma sexta-feira a tarde a reportagem acompanhou um dos treinos do Grand Winner. O sol batia forte nas quadras e o suor escorria pelo rosto dos meninos e meninas que se revezavam nos treinos em duplas, nos saques e aprimoravam suas habilidades sob o olhar atento do treinador que não deixa passar nada. João Marcos Almeida fez 19 anos e decidiu permanecer no projeto que integra já há cinco anos do seu total de oito anos dedicados ao tênis. “Esse é um projeto muito bonito e muito bom. Me proporciona uma jornada que eu não teria de outra forma e me deu forças para voltar aos estudos depois de um tempo parado”, explicou.

Desses 28 alunos, aproximadamente 15 devem viajar nesta semana para mais uma etapa da Superliga de tênis, que acontece em Araxá (MG), entre 15 e 17 de setembro. “A cada etapa eles conseguem se desenvolver um pouco mais e melhoram a leitura do adversário. São lições do esporte que se aprende para a vida e ficam para sempre com esses jovens, algo que ajudará na vida adulta deles”, disse o treinador Digah Cavalcante.

 

ARAXÁ

O desafio principal é superar-se a cada partida, dizem alunos

A 5ª etapa da Superliga de Tênis, que acontece em Araxá nesta semana, de 15 a 17 de setembro é a próxima parada de alguns dos alunos do projeto social Grand Winner, de Uberlândia. Eles concorrem nas categorias simples masculino e feminino. Para isso, as crianças e jovens que participarão da competição – para atletas a partir dos 11 anos – se dedicam mais ainda aos treinos. Mesmo com o calor e o tempo seco que castigam a cidade nas últimas semanas, regados a bastante água, frutas e barrinhas de cereal, eles aprimoram seus movimentos em quadra.

Há dois anos no projeto, com quatro no total no tênis, Ana Luiza Fernandes chegou a esse esporte depois de experiências na natação e no vôlei. “Me identifiquei com o tênis como não havia me identificado com os outros dois”, afirmou ela. A menina diz ainda que chegar às finais é seu objetivo em Araxá e quanto mais troféus conseguirem para o projeto, mais chances ela acredita que ele tenha de ganhar apoiadores. “Nosso maior desafio, primeiramente, é nos superarmos a cada dia diante das dificuldades”, afirmou.

Aos 16 anos e com apenas um ano de tênis, Talia Gonçalves está com uma expectativa boa para sua estreia em competições. “Será meu primeiro torneio e apesar do nervosismo estou me preparando bem para o que vem pela frente”, disse ela que também espera novos patrocínios para o projeto. “Quanto mais gente apoia, melhor fica nossa autoestima porque já damos o melhor que podemos em quadra, nos esforçando mais a cada dia. Juntando isso a uma estrutura melhor imagina onde podemos chegar”, comenta a jovem atleta.

Recentemente o grupo ganhou o uniforme, a expectativa é que fique pronto antes da viagem para Araxá, na próxima sexta-feira.

 

FORÇA DE VONTADE

Falta do apoio financeiro não é motivo para treinador desistir

Grand Slams como o de Rolland Garros, realizado em Paris, na França, distribuem milhões de dólares em prêmios. Neste ano, os vencedores das chaves de simples, Rafael Nadal no masculino e Jelena Ostapenko no feminino, receberam 2,1 milhões de euros, algo próximo de R$ 7,1 milhões, cada.

O Grand Slam francês distribuiu no total 36 milhões de euros (R$ 123 milhões). Essas são cifras inimagináveis para os alunos da Grand Winner, mas servem de exemplo na hora de vislumbrar um futuro no esporte com a certeza de que mais do que sorte, é preciso suar muito a camisa.

Digah Cavalcante faz questão de passar a experiência que tem para seus alunos e com ou sem apoio financeiro ele não desiste da sua parte. “O projeto ganhou esse novo nome há um anos, Grand Winner, mas faço esse trabalho há mais de 10 anos, quando começamos no projeto social da Associação Esporte Solidário e Cultural (Aesc). Depois acabei abraçando tudo sozinho com a colaboração de alguns amigos. Não deixo esses meninos, não”, afirma o treinador.

As quadras de saibro em que treinam ficam na rua Vidigal, no bairro Altamira. As aulas acontecem nos períodos da manhã e tarde de segunda a sexta-feira e há alunos que treinam nos cinco dias da semana. Lucas Fiuza Ambrósio tem 14 anos, é aluno do 9º ano na escola e está no projeto há quatro anos.

Para ele, o Grand Winner representa uma chance de conseguir viver de um esporte do qual ele gosta e que também ajuda a melhorar a concentração na escola. “Se não fosse pelo tênis eu ficaria em casa sem fazer nada depois da escola. Tenho conseguido bons resultados como um segundo lugar no Triângulo Mineiro e quero me dedicar cada vez mais ao esporte, afirma o jovem tenista.

Seus voleios e saques e a postura em quadra mostram que ele leva jeito para esse esporte. Os pais ficam tranquilos enquanto ele treina e apoiam a iniciativa. “E se eu não tirar boas notas não me deixam vir treinar por isso tenho mais comprometimento com a escola também”, diz o garoto.

 

Interessados em colaborar com o projeto social Grand Winner podem entrar em contato pelos telefones 99158-4762 (Digah) e 99929-3800 (Beatriz)


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