26/07/2017 às 05h40min - Atualizada em 26/07/2017 às 05h40min

Casa aberta destaca produções locais

Trupe de Truões abre seu espaço para exibição de filmes de hoje até o próximo domingo

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Com quatro produções na Mostra, o cineasta Carlos Segundo considera 2017 o início de um novo ciclo na carreira / Foto: Divulgação

 

A produção audiovisual uberlandense parece passar por mais um daqueles momentos inspiradores no qual muita gente se destaca. Com uma iniciativa inédita, o grupo de teatro Trupe de Truões resolveu fazer a sua parte para elevar ainda mais o setor e promove, de hoje a 30 de julho, a 1ª Mostra de Cinema Casa Aberta. A programação é toda gratuita e conta com exibições de webséries, documentários, longas e médias metragens produzidos por uberlandenses ou realizadores que tiveram na cidade a sua ascensão. 

Ronan Vaz, integrante da Trupe de Truões, afirma que a Mostra de Cinema é uma iniciativa que visa estabelecer uma inter-relação entre teatro/cinema e contribuir para a difusão da produção audiovisual da cidade. A mostra reúne desde novos coletivos e realizadores a produtores mais experientes. Alguns deles com uma carreira dedicada a iniciativas semelhantes que perduraram durante alguns anos na cidade.

Entre eles está o cineasta Carlos Segundo, que no sábado terá quatro de suas produções dos últimos cinco anos exibidas. São dois documentários híbridos - “Connexion Munich”, de 2012, e “Balança Brasil”, deste ano, e dois curtas de ficção - “Borra”, de 2015, e “Ainda sangro por dentro”, de 2016. 

Nascido em São Paulo e radicado por muitos anos em Uberlândia, Carlos Segundo acabou de mudar-se para Natal (RN), onde passou em um concurso para professor de audiovisual na área de direção na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Para ele, que considera sua primeira produção dentro do cinema datada de 2007 para 2008, este ano de 2017 representa um marco.

“Fecha um ciclo e começa um novo. Agora, no Nordeste, começo uma nova aventura sem deixar de estar presente em Minas. Foram 10 anos de trabalhos tanto de realização pessoal quanto de tentativa de produção coletiva”, recorda ele, que junto a Alessandro Carvalho, Iara Magalhães e Nara Sbreebow (também presente na Casa Aberta), idealizaram, em 2007, a mostra Perpendicular de cinema que teve quatro edições em cinco anos. 

Ele lembra também de outras iniciativas como o Cineclube da Esquina, que foi feito em parceria a Curta Minas de Belo Horizonte, e a Mostra Contorno, que terá sua terceira edição em Uberlândia em dezembro. “É um momento bem rico e isso é reflexo de uma jornada que começou há muito tempo. Eu vi essa galera crescer junto, como o Yuji Kodato, o Pácis Júnior (diretores) e alguns que eu não conheço pessoalmente e acompanhei de longe. É um momento rico da produção, do fomento e da exibição do audiovisual, do cinema em Uberlândia e fico feliz de fazer parte dessa história”, afirma o cineasta.

Segundo ele, esse momento de eclosão da produção audiovisual e para o cinema brasileiro é nacional. “De forma geral estamos indo na contramão da crise e eu fico feliz pelas iniciativas que estão sendo criadas. E quanto mais, melhor. É importante ter cineclubes, como tem em Uberlândia, é importante que a produção se fortaleça, que o poder público incentive e mantenha uma produção contínua, essa é uma grande briga, fazer política nesse sentido, brigar por espaço e por recursos”, diz Carlos Segundo.

Ele comenta que o nome da cidade acompanha o produtor como uma marca. “Certa vez perguntaram pelo Carlos ao curador Kleber Furtado em Tiradentes, ele devolveu ‘o Carlos de Uberlândia?’. Isso mostra que a arte é importante para a cidade porque não só transforma como potencializa, rompe as barreiras geográficas das cidades e as leva para outros lugares”, afirma o cineasta que entre uma produção e outra continuou estudando e terminou recentemente seu doutorado pela Unicamp.

 

TRUÕES

Além da exibição dos filmes, a 1ª Mostra de Cinema Casa Aberta apresentará duas exposições fotográficas: uma delas destaca os 15 anos da Trupe de Truões com imagens que relembram um pouco de sua trajetória; a outra, “Varal de Instantes – Fotos para viajar”, apresenta o trabalho da fotógrafa Thaneressa Lima. 

 

COMÉDIA

Média metragem traz super-herói made in Udi

Remela é um carteiro chamado Juraci, que mora em uma cidade pequena nas beiradas do universo chamada Esquina do Fim do Mundo. Ele é sonâmbulo e sai pelas ruas como se fosse um super-herói. Esse personagem surgiu a princípio para uma história em quadrinhos, depois viu sua inviabilidade no teatro e, dez anos depois, ganhou forma em um média-metragem dirigido por seu criador, Deivid Osborges, e Pácis Arantes Júnior. 

“E saiu da melhor forma possível. Foi meu primeiro trabalho como cineasta, e essa nomenclatura traz um grande peso. Eu e Pácis trabalhamos com orçamento apertado, mas conseguimos muitas parcerias, desde produtoras que ajudaram com o equipamento até o elenco todo com atores de Uberlândia e Araguari, amigos que abraçaram o projeto”, conta Osborges, que também atua no papel principal.

“Atuar para mim foi muito divertido. Quando você faz comédia para criança você tem a liberdade de exagerar, foi muito bom, foi uma loucura em geral e ver os amigos muito bem em cena é um mérito. Ver gente que você desde o início do roteiro já imaginou naquele papel foi genial. Espero que o Remela possa nos salvar com novas histórias”, diz Osborges, que apoia iniciativas como o Casa Aberta e acredita que a cidade deveria ter esse tipo de eventos com mais frequência.

Para o diretor Pácis Júnior, considerando o mercado, principalmente quando se traça um paralelo entre Minas e o eixo Rio/São Paulo, Uberlândia nunca viveu um “bom momento”. “Ainda é utopia falar em bom momento devido à cultura comercial que existe em nossa região. Aqui, as emissoras de TV cobram caro para veicular conteúdos de produtoras independentes, o que está na contramão dos dois principais estados do país. Produzimos o ‘Remela’ em Uberlândia, mas tivemos que procurar veículos fora da cidade para conseguir um licenciamento do produto audiovisual”, conta ele. Hoje, o Sesc-MG é o principal parceiro da produção e vai veiculá-lo em todo o estado via Cine Sesc.

Mas ele reforça que, quanto à produção, aqui é uma terra fértil e vive-se um bom momento. “Tem a Nara Sbreebow, o Carlos Segundo, o Renato Cabral, o ‘Piadorama’, a turma da animação 2D e 3D, e vários outros que produzem em boa quantidade e qualidade. Alguns projetos, como esta 1ª Mostra de Cinema Casa Aberta, são de extrema importância para a região, já que esta não pode contar com retransmissoras de canais abertos para fomentar o setor”, finaliza.


Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »