23/07/2017 às 10h07min - Atualizada em 23/07/2017 às 10h07min

Campeonato Amador começa com confronto de campeões

Floresta e Lagoinha jogam no Airton Borges; rodada tem mais 22 jogos

EDER SOARES | REPÓRTER

Enfim chegou o momento que todos os torcedores esperavam. Começa na manhã deste domingo (23) aquela que é considerada uma das maiores competições de futebol amador de todo o Brasil. Organizado pela Liga Uberlandense de Futebol (LUF),  o Campeonato Amador coloca em campo, nas Divisões Especial e Acesso, aproximadamente 1,6 mil pessoas, entre atletas, comissão, técnica e quadro de árbitros.  Ao todo as duas divisões agrupam 50 equipes, sendo 20 pela Divisão Especial, que é a primeira divisão, e mais 30 times da Divisão de Acesso, a segunda divisão.

Para começar com tudo o certame, o Estádio Airton Borges, considerado o templo da competição, colocará frente a frente os campeões do ano passado: Floresta, campeão da Divisão Especial e o Lagoinha, campeão da Divisão de Acesso e que também faturou o título da Copa Uberlândia deste ano.  “Não tenho dúvida que teremos um dos melhores campeonatos de todos os tempos. As equipes chegam muito competitivas e niveladas tecnicamente. Quem irá ganhar é os torcedores do Campeonato Amador, que verão jogos de alto nível técnico, além de sempre muito disputados”, disse o presidente da LUF, Renato Batista.

 

PRIMEIRA DIVISÃO

Na primeira fase da Divisão Especial, os 20 clubes estão divididos em duas chaves com dez equipes cada. Os times jogarão, em turno único, chave x chave e os 12 primeiros, independentemente de grupo, avançam para a segunda fase. Os quatro piores times serão automaticamente rebaixados para a Divisão de Acesso de 2018.

Neste período do certame, os times serão divididos em três grupos de quatro equipes. Elas jogarão dentro dos grupos, em turno único, avançando para a terceira fase os dois primeiros de cada chave, mais os dois melhores terceiros colocados. Daí em diante, a competição será no formato de mata-mata, até chegar aos dois finalistas.

 

SEGUNDONA

A Divisão de Acesso terá neste ano a participação de 30 equipes, divididas em três grupos. Avançam para a segunda fase os cinco primeiros colocados de cada grupo, mais uma equipe melhor classificada pelo índice técnico.

Na segunda fase serão formados quatro grupos com quatro equipes em cada. Os dois melhores de cada chave se classificam para as quartas de final, e assim segue o campeonato até se conhecer os finalistas. Os quatro primeiros da competição garantem vagas na elite do ano que vem.

 

FAVORITOS

Atual campeão tem mais dois títulos da 1ª Divisão

Entre aqueles considerados favoritos ao título da elite do futebol amador deste ano está o atual campeão, Floresta. A tradicional equipe, fundada em 1946, onde agora é o bairro Aparecida, na região central da cidade, tem sede atual no bairro Minas Gerais, na zona norte. Dentre os títulos, constam o Campeonato da Primeira Divisão de 1962 e 1963, e da Segunda Divisão de 1997, 2002 e 2011. Na esfera profissional, o Floresta representou Uberlândia no Campeonato Mineiro da  Segunda Divisão de 1963,1964 e 1965.

Para esta temporada, o treinador da equipe será Carlos Alberto de Souza, o Carlão, que foi preparador físico de equipes como o Uberlândia Esporte Clube, URT, Araxá e CAP Uberlândia, e que já comandou Floresta em outras oportunidades. O clube manteve poucos atletas campeões do ano passado. Segundo o presidente da equipe, Célio Magalhães, a equipe vem bastante renovada para esta temporada, pois com a conquista do título do ano passado, a maioria dos atletas foram assediados e partiram para outras equipes. O Floresta contratou jogadores como o lateral direito Geison, ex-Uberlândia e o goleiro Fernando Pompeu, ex-Uberaba e que estava disputando a Série A3 do Campeonato Paulista.

“Tivemos dificuldades para trazer mais parceiros e manter o mesmo time. Mesmo assim, entendo que formamos um bom time e que vamos brigar para conquistar o bicampeonato da competição. Sabemos o quanto o Campeonato Amador competitivo e equilibrado, mas temos confiança no trabalho feito”, disse.

 

TABAJARA

O C&A Construtora Tabajara, campeão de 2015, trocou o comando técnico. Saiu Wisner Dantas, que foi para o Rio Branco, e chegou Celisvaldo Silva, o Pezão, que já levantou o caneco do Campeonato Amador por três vezes comandando o Guará. O clube trouxe também jogadores experientes como o volante alemão, o meia Thiaguinho, além do maior artilheiro da competição, Haender, que já assinalou 237 gols em jogos oficiais da LUF.

“O importante é que estamos fazendo um trabalho novo. Estamos com bem menos orçamento do que em anos anteriores, mas queremos brigar pelo título. Sabemos da responsabilidade em assumir um time do naipe do Tabajara, mas vamos trabalhar muito para conseguir dar um bom conjunto para equipe, pois a competição é muito difícil e precisaremos de todos os jogadores”, afirmou.

 

VOLUNTÁRIOS

Equipe que tem como presidente o Major Mauro Elias, e coordenador técnico o Sargento Gelmo, ambos da Polícia Militar, o Voluntários é um dos fortes candidatos ao título. O time tem como objetivo conquistar o título inédito da Primeira Divisão. O treinador será mais uma vez Luis Carlos Lu. Para ser o cérebro do time, a diretoria trouxe um dos melhores jogadores da competição nos últimos anos, Cristiano Naninho. Para o gol, a aposta está nos 1,96m dos goleiro Gedielson, vice-campeão no ano passado vestindo a camisa do Luizote. “Queremos brigar para nas finais. O Voluntários vem fazendo bons times, mas ainda não conseguiu chegar ao título. Esperamos que neste ano, com o bom time que estamos montando, que possamos finalmente conquistar este objetivo”, disse o presidente do Voluntários, Major Mauro Elias.

 

RIO BRANCO

Campeão nos anos de 2011 e 2013, o Rio Branco, que não fez boa campanha no ano passado, volta a apostar na experiência do técnico Wisner Dantas, que levou o time ao título de 2013. Wisner é considerado por muitos como o melhor treinador do futebol amador na atualidade, isto em virtude de ter sido atacante de sucesso com as camisas do Uberlândia Esporte Clube e do América Mineiro, e também por estar sempre se reciclando fazendo cursos na área de treinador profissional.

O Rio Branco contratou jogadores como o atacante Charles, que estava ano passado no Mansur, o goleiro Cabeça, que estava no Luizote; Lira lateral direito, e o zagueiro Bahia, ambos campeões no ano passado pelo Floresta.

“Estamos numa segunda prateleira de favoritos. Acho que existem umas três ou quatro equipes que estão um degrau à nossa frente, mas vamos brigar. Eu prefiro esperar umas quatro rodadas para, aí sim, tecer uma opinião melhor formada sobre quem serão os reais favoritos”, disse Wisner.

 

TOCANTINS

Uma das equipes de maior torcida do Futebol Amador, o Tocantins quer quebrar o jejum de 11 anos sem títulos da Primeira Divisão. A última vez em que o Toca levantou o caneco foi em 2006, quando na final bateu seu maior rival, o Guará. Em 2012, as duas equipes voltaram a se encontrar na finalíssima, mas o Guará foi quem acabou levando a melhor. A equipe, que é presidida por Wellington Bocão é uma das que mais está investindo. O treinador será, pelo segundo ano seguido, Guilherme Ferreira.

Para o ataque, a diretoria trouxe de volta o atacante Neto Caixeta, campeão com o Floresta no ano passado, e o velocista Queijinho, da cidade do Prata. Para dar segurança à meta, o escolhido foi o experiente Roger, rodado por várias equipes do futebol amador e que profissionalmente vestiu a camisa do Uberlândia Esporte, Valério de Itabira, entre outros clubes. “Apesar da crise no país, o futebol amador vem se fortalecendo cada vez mais. Vejo no mínimo sete equipes com condições de brigar de igual para igual pelo título do campeonato. Espero que o Tocantins possa dar liga e que nós possamos, primeiramente, conseguir a nossa classificação para a segunda fase”, disse.  

 

ECONOMIA

Há quem ganhe dentro e fora dos gramados

A maior expectativa dos torcedores do Futebol Amador fica pelo início da Divisão Especial, na qual se encontram as equipes mais renomadas e que investem pesado na contratação de atletas profissionais. Para os nossos leitores terem uma ideia, nada é divulgado pelos cartolas da elite amadora, mas algumas agremiações, aquelas que entram para buscar o título chegam a investir cerca de R$ 60 mil por temporada. Alguns atletas recebem entre R$ 400 e R$ 600 por partida, e outros já chegaram a receber até R$ 20 mil por toda a temporada.

Muitos jogadores preferem disputar o Campeonato Amador de Uberlândia do que competições profissionais, como a Série D do Campeonato Brasileiro, na qual muitos clubes passam por dificuldades e não pagam seus atletas com regularidade. Além do ganho dentro de campo,  alguns atletas ganham também empregos em empresas geralmente investidoras dos clubes na temporada em vigência.

Do lado de fora do Estádio Airton Borges e dos 11 poliesportivos que abrigam os jogos, existe um grande número de trabalhadores que tiram os seus sustentos, ou mesmo somam um complemento à suas rendas mensais. É tradição as barracas de alimentação com os famosos espetinhos, refrigerante e a tradicional cervejinha de domingo. 

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