11/07/2017 às 05h45min - Atualizada em 11/07/2017 às 05h45min

Aquarelas são o destaque na galeria Ponto Azul

Mostra reúne quatro artistas de Uberlândia, um de Araguari e um do Rio de Janeiro

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Lilian Tibery é curadora da exposição e participa com uma série que retrata figuras humanas e praias / Foto: Adreana Oliveira

 

Um imponente e enorme cactus chama atenção na Rua da Carioca, no bairro Morada da Colina. Rodeado por belas árvores ele é um ponto de referência da Galeria de Arte Ponto Azul que está com sua primeira exposição do ano aberta até sexta-feira (14). "Águas vivas" reúne trabalhos em aquarela de seis artistas, quatro de Uberlândia, um de Araguari (MG) e um do Rio de Janeiro (RJ). 

Lilian Tibery é a proprietária da galeria, onde no piso superior funciona seu ateliê, e também participa da mostra com uma série de trabalhos que retratam as praias do Rio de Janeiro. Ela explica a inspiração para o nome da exposição. "O nome da mostra refere-se a base de diluição do pigmento, a água, que então colorida se torna condutora da vida expressada em paisagens, pessoas, cenários, sonhos, e manchas. Eu queria uma exposição simples, que não requer conhecimento aprofundado em artes para entender. Algo que retrate de forma bela nessas aquarelas a beleza do cotidiano", explica a artista plástica.

Ela guiou a visita da reportagem do jornal Diário do Comércio na última sexta-feira. A galeria tem cinco anos e em 2016 não foram realizadas exposições. "A crise chegou para todos por isso preferi trabalhar só com meu acervo no ano passado. As pessoas estavam inseguras quanto às vendas então, mantivemos os pés no chão e começamos bem 2017 com esta exposição", conta a artista.

Em um espaço aconchegante e bem iluminado, os trabalhos de Lilian, Helvio Lima, Jorge Grisi, Júlio Monteiro, Ropre AC e Valtênio Spíndola dialogam pelas paredes. Artisas Helvio Lima, Julio Monteiro, Jorge Grisi, Lilian Tibery, Ropre, Valtenio. "São perfis bem diferentes de artistas que trabalharam sobre os temas pré definidos que foram paisagem, figura humana e marinha. A única que ficou livre para definir o que apresentaria foi a Ropre, que nos surpreendeu com belas telas que representam as viagens de trem entre Uberlândia e Uberaba", afirma Lilian.

A curadora optou por trabalhar com artistas da região, valorizando as pratas da casa. Além das paisagens de Ropre AC, Helvio Lima entra com uma série de paisagens que trazem seus traços bem particulares. Lilian optou por aquarelas feitas na praia retratando a calmaria e a beleza dos dias de sol, rua e figuras humanas. O cartunista Valtênio chega com a aquarela digital, uma visão mais moderna da aquarela.

A região foi contemplada com as telas de Júlio Monteiro, de Araguari e as paisagens dentro da categoria marinha de Júlio Grisi, que faz parte do grupo Urban Sketchers, do qual Lilian também participa. "Estou muito satisfeita com a repercussão da exposição e fico feliz também porque as pessoas interagem não só com as telas mas também folheiam os livros que estão na galeria, interagem com todo o espaço", diz Lilian que comemora também a realização de algumas vendas.

Para Lilian é importante que surjam mais galerias particulares fora dos espaços institucionais públicos que se apoiam em iniciativas comuns. "Uberlândia tem uma cena efervescente e precisamos aproveitar isso.

 

TRENS

Viagens entre Uberlândia e Araguari inspiram Ropre AC

A artista plástica Alessandra Cunha foi a única que ficou fora das temáticas pré-determinadas para a exposição. A série inspirada nas viagens de trem entre Uberlândia e Araguari surpreendeu a curadora da exposição coletiva "Águas Vivas", Lilian Tibery. Tanto que o número de telas, 12, acabou ganhando mais espaço. "Eu troquei uma parede com ela para conseguir contemplar as 20 telas", conta Lilian.

Ropre disse que para esta exposição realizou uma nova experiência pictórica sobre papel, onde cada imagem mescla o desenho aos experimentos com aquarela, ou tinta aguada. "Assim, cada pintura, inspirada nas paisagens do meu cotidiano, apresenta-se como uma nova tentativa de pintar um desenho com toda fluidez da água sem deixar o peso dos contrastes que fazem parte de meu repertório imagético", explica.

 

VALTÊNIO

Já o cartunista Valtênio Spíndola, apesar de entrar com uma técnica mais moderna, traz toda uma história por traz de cada trabalho que está na exposição “Águas Vivas”.

Sobre a aquarela digital, Valtênio explica que o material leva técnicas, hoje avançadas em mídia, mas que relembram o início quando era usado o ecoline em ilustrações e mesmo para animações feitas para filme em 16 mm. "Na época experimentei muito. A tinta ecoline tem uma transparência incrível. hoje uso técnicas que relembram, mas pelo contexto estou mais perto da 'aquarela do Brasil', afinal são charges, ilustrações e cartuns", comenta.

 

SERVIÇO

O QUÊ: Exposição Coletiva Águas Vivas

QUANDO: até 14 de julho

ONDE: Galeria Ponto Azul: Rua da Carioca, 1581A, Morada da Colina

ENTRADA FRANCA

INFORMAÇÕES: 3214-9082

ARTISTAS: Helvio Lima, Jorge Crisi, Júlio Monteiro, Lilian Tibery, Ropre AC e Valtênio Spíndola


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