29/06/2017 às 05h16min - Atualizada em 29/06/2017 às 05h16min

Artistas se engajam para defender o funk

AGÊNCIA ESTADO | SÃO PAULO
Anitta fez críticas ao projeto que discute criminalizar o funk / Foto: Divulgação

 

Diversos cantores como Anitta, Valesca Popozuda, Buchecha, MC Koringa e Tati Quebra Barraco foram convidados para participar de uma audiência pública no Senado Federal que discute criminalizar o funk no Brasil. O convite partiu do gabinete do senador Romário (PSB-RJ) e o debate deve ocorrer nas próximas semanas na Comissão de Direitos Humanos.

A ideia foi levantada pelo empresário paulista Marcelo Alonso no portal e-cidadania e ganhou a assinatura de mais de 20 mil pessoas favoráveis à criminalização do movimento. O próprio idealizador da petição também foi chamado para a discussão em Brasília.

“Eu, como carioca nato e eterno funkeiro, faço questão de defender essa bandeira. A ideia é convidar o maior número de pessoas que fazem parte deste segmento no nosso País”, declarou Romário, durante sessão do Senado,

Após o convite ao debate, nomes do cenário do funk nacional se posicionaram contra a proposta. “Isso é um retrocesso enorme. O funk é cultura, é trabalho e gera emprego como qualquer outro ritmo. É triste ver o país no caos em que está e as pessoas se preocupando em criminalizar algo que não incomoda ninguém”, afirmou a cantora Valesca Popozuda ao “E+”. A funkeira declarou que ainda não recebeu uma convocação formal para a audiência, mas está disposta a discutir o tema. 

O cantor MC Koringa foi outro músico que declarou seu repúdio à ideia. “Por que não se fala do bem que o funk faz. Quantas pessoas dependem direta e indiretamente do funk? Cantores, DJs, operadores de som, técnicos de luz, gráficas que fazem convites para festas, aqueles que vendem comida do lado de fora dos bailes. Se você tirar isso delas, essas pessoas vão buscar outros recursos e podem até parar na criminalidade”, ressaltou.

A cantora Anitta, em sua conta no Twitter, já havia feito duras críticas à proposta. Ela se referiu aos assinantes da petição como “desinformados que precisam sair do conforto dos lares para conhecer um pouco o nosso País”.

Também convidada à discussão, a antropóloga da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autora do livro “A Estética Funk Carioca”, Mylene Mizrahi vê o debate como questionável e sem legitimidade.

“Você não pode dizer que 20 mil assinaturas sejam uma grande adesão. O que deveria ser discutido são as formas de exclusão da nossa sociedade, a homofobia, o racismo. Querer criminalizar um movimento é colocar uma camisa de força na cultura popular. É ditatorial”, analisou. 

Procurado pela reportagem, o empresário Marcelo Alonso não quis comentar a proposta.


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