20/06/2017 às 19h07min - Atualizada em 20/06/2017 às 19h07min

Uberlândia terá time no Estadual feminino

Inter de Minas é o primeiro representante da cidade e do Triângulo Mineiro no Campeonato Mineiro

EDER SOARES | REPÓRTER
Técnico Alexandre Damas tem hoje 14 jogadoras no elenco e espera ter ao menos 25 para a competição / Foto: Eder Soares

 

Pela primeira vez na história, Uberlândia e a região do Triângulo Mineiro terão uma equipe de futebol feminino profissional disputando o Campeonato Mineiro. Quem trabalha para ser o pioneiro neste quesito é o Inter de Minas, equipe que se profissionalizou neste ano e também disputará o Campeonato Mineiro da Segunda Divisão, a partir do mês de julho, com o time masculino sub-23. O Campeonato Mineiro Feminino ainda não tem a data definida para começar, mas deverá ser em meados do mês de agosto e terá a participação de clubes como Atlético e América.

As jogadoras já trabalham na academia de futebol do clube, localizada no bairro Martins. Até o momento, o Inter de Minas conta com um grupo de 14 jogadoras, mas a intenção do clube é ampliar o elenco para um número entre 25 e 27 atletas. Para isso, o Inter promove seletivas, principalmente dando prioridade para jogadoras de Uberlândia e da região.

O treinador da equipe é Alexandre Damas, que não dá trégua para as meninas e acredita no potencial do Inter de Minas para fazer um bom papel logo no seu primeiro ano no profissionalismo do futebol feminino. “Estamos com um trabalho intenso aqui, apesar de ser a primeira experiência delas no futebol profissional. Mas elas vêm de um trabalho dentro do futsal. A nossa expectativa é buscar algo positivo e que possamos, a partir do Campeonato Mineiro, conquistar uma vaga para competições nacionais, seja Copa do Brasil ou Série A2 do Brasileiro”, disse Damas.

O treinador falou também da expectativa em relação às pretensões em termos de classificação no Mineiro. “A princípio, queremos terminar a competição entre os três ou quatro melhores do estado. Ainda não temos certeza do que encontraremos, mas estamos nos preparando muito para chegar ao melhor nível possível, independentemente dos adversários que vierem pela frente”, afirmou.

 

JOGADORAS

Mesmo conscientes das dificuldades que o futebol feminino vive no Brasil, principalmente em função da falta de apoio e do preconceito por parte de pessoas que enxergam o futebol como esporte somente para homens, as meninas do Inter de Minas não deixam de sonhar e se agarram na oportunidade de disputarem, pela primeira vez, uma competição profissional.

Aline Raquel, de 21 anos, é lateral direito. Ela começou no futebol com 14 anos no projeto Divas do Dom Almir, que tem como coordenador o técnico Alexandre Damas.  Ela acredita que precisa agarrar esta oportunidade como se fosse a única da sua vida. “Tenho que treinar muito e ir para cima. A preparação está muito forte para que possamos nos condicionar bem e chegar ao Campeonato Mineiro e buscar uma boa colocação”, disse.

Iniciante no futebol de campo, a meia Natália Vergentino só tem 15 anos e sonha em um dia ser uma jogadora reconhecida nacionalmente, quem sabe até chegar perto do que é a melhor jogadora de futebol de todos os tempos, a brasileira Marta, que brilha pelos campos do mundo e também com a camisa da Seleção Brasileira. Para ela, poder disputar um campeonato profissional é um sonho a ser realizado. “As coisas não acontecem por acaso. O Inter de Minas tem uma visão muito correta e profissional sobre o futebol e isso nos dá uma segurança para fazer o nosso melhor. Ainda tenho muito chão pela frente, mas quero vencer”, afirmou. 

 

CBF

Clubes das principais divisões terão que investir no feminino

Investir em futebol feminino será obrigatório para todos os times das principais divisões do futebol brasileiro até 2021. Os times que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro precisam se adaptar e montar suas equipes femininas a partir do ano que vem. Segundo o novo Regulamento de Licença de Clubes publicado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), as medidas são gradativas. Os times que disputam a Série B deverão se adequar às regras até 2019, os da Série C, até 2020 e os das Série D, até 2021.

O novo regulamento determina também condições para que as agremiações nacionais disputem as principais competições organizados pela entidade (Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil), bem como os torneios geridos pela Conmebol (Libertadores, Recopa e Sul-Americana).

O documento não garante a profissionalização das jogadoras, mas obriga o fornecimento de suporte técnico, equipamentos, campo para treino e calendário de partidas e competições oficiais. Caso não possa ou não queira criar a própria equipe feminina, o clube requerente da licença poderá firmar um acordo de parceria com uma agremiação já existente.

 

1995

Uberlândia foi sede do Campeonato Sul-Americano

Mesmo não tendo um representante em anos anteriores na competição estadual, Uberlândia já foi palco de uma das principais competições femininas da América do Sul. No ano de 1995 Uberlândia foi sede do segundo Campeonato Sul-americano de Futebol Feminino, entre os dias 8 e 22 de janeiro, no Estádio Parque do Sabiá. O Brasil foi campeão daquela edição após bater a Argentina na final por 2 a 0. O time era dirigido pelo falecido técnico Zé Duarte, que também foi treinador do Uberlândia Esporte Clube nos anos 80.

Os torcedores, que lotaram as dependências do Sabiá naquela competição, deliravam com jogadoras como Sissi, Kátia Cilene, Roseli e Pretinha, essas duas últimas jogavam como pontas e infernizavam a vida das adversárias. Apesar de competições de sucesso como essa, o futebol feminino não evoluiu tanto no país, e nem mesmo Uberlândia se tornou uma referência no futebol feminino como muitos esperavam.

“Eu me lembro muito bem dos jogos no Parque do Sabiá, que ficava lotado em todos os jogos, principalmente com a Seleção Brasileira. Eu imaginava que depois daquele campeonato, a cidade se tornaria uma referência no futebol feminino em função da comoção que havia por aqui. Pelo contrário, nada aconteceu”, disse o torcedor Odilon Silva, que é assumidamente um amante do futebol feminino.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) organiza o Campeonato Brasileiro Feminino, que tem duas divisões, Séries A1 e A2. A competição está em andamento e a tabela com as divisões, jogos e classificação podem ser acompanhados pelo site oficial da CBF.

 

Equipes do Brasileiro Feminino de 2017 – Série A1

Corinthians – SP

Iranduba – AM

Kindermann – SC

Audax – SP

Sport – PE

Vitória – PE

São Francisco – BA

Grêmio – RS

Santos – SP

Rio Preto – SP

Flamengo – RJ

Ferroviária – SP

Foz – PR

São José – SP

Ponte Preta – SP

Vitória - BA

 

Equipes Brasileiro Feminino de 2017 – Série A2

Pinheirense – PA

Tuna Luso – PA

Lideral – MA

Viana – MA

Tiradentes – PI

Duque de Caxias – RJ

Nautico – PE

Mixto – MT

Cresspom  -DF

Portuguesa – SP

Aliança – GO

Uda – AL

Caucaia – CE

Adeco – SP

América – MG

Botafogo - PB


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