29/05/2017 às 17h10min - Atualizada em 29/05/2017 às 17h10min

Provocativo, sueco “The Square” leva a cobiçada Palma de Ouro

Sofia Coppola, Nicole Kidman e Joaquin Phoenix também estão entre os premiados da edição deste ano

AGÊNCIA ESTADO | CANNES
O cineasta sueco Ruben Ostlund, diretor de “The Square”, durante coletiva após a premiação em Cannes / Foto: Loic Venance/AFP/Divulgação

 

No ano passado foi a mesma coisa. As equipes dos filmes vencedores são convidadas para a premiação. Os jornalistas ficam anotando quem entra. Em 2017, na hora da Palma de Ouro, faltava só Ken Loach subir ao pódio. Ele ganhou, por “Eu, Daniel Blake” - sua segunda Palma. Este ano, o sueco Ruben Ostlund foi um dos primeiros a chegar. Todo mundo foi ganhando seus prêmios. Mesmo assim, quando Monica Bellucci perguntou ao presidente do júri, Pedro Almodóvar, quem levaria o prêmio maior e ele respondeu – “The Square” -, Ostlund deu um pulo e gritou - "Yes!"

Sim, sim, sim. Havia, talvez, filmes melhores na competição, mas pouca gente duvidava que o sueco e o francês “120 Batimentos por Minuto”, de Robin Campillo, seriam premiados. “120 Batimentos” ganhou, no dia anterior, o prêmio da crítica. Na coletiva do júri, Pedro chorou ao falar do filme de Campillo. A Palma foi para o sueco - nem Ingmar Bergman recebeu o prêmio na competição Venceu uma Palma honorária, no centenário do cinema. Só Alf Sjöberg, em 1951, venceu com “Senhorita Júlia”, e naquele tempo ainda não havia Palma.

Ostlund tem a fama de enfant terrible. Seu filme envolve um comentário sobre as imposturas da arte moderna. O protagonista é diretor de um museu de arte. O tipo do cara progressista, politicamente correto, mas quando roubam seu celular ele deixa cair a máscara e reage como um troglodita. Como um jovem Michael Haneke, e na contramão de Loach, Ostlund não põe fé na humanidade. O título vem de uma instalação no museu. Na festa de inauguração, há uma performance - o artista confronta a plateia com seu instinto. Imita um macaco. É o momento divisor de águas de “The Square”. É pegar ou largar.

Além do prêmio de direção para Sofia Coppola, o júri outorgou prêmio especial do 70º aniversário para Nicole Kidman, que tinha dois filmes na competição (“The Beguiled” e “A Morte do Cervo Real”), mais um em apresentação especial (a série “Top of the Lake” - China Girl).

Joaquin Phoenix recebeu o prêmio de melhor ator pelo thriller “You were never really here”, e a diretora escocesa Lynne Ramsay dividiu o de roteiro com o grego Yorgos Lanthimos, de “A Morte do Cervo Real”. O prêmio de melhor atriz foi para Diane Kruger, por “In the fade”, de Fatih Akin. A bela Diane não foi a melhor, mas o júri foi seduzido por sua mãe coragem. O marido e o filho são mortos num ataque do terror (neonazistas). O tema "terror" atravessou o festival, mais no cotidiano (medidas excepcionais de segurança) do que na tela. Os filmes discutiram o estado do mundo - refugiados, crise da classe média, a Rússia de Putin. Se você acha que o Brasil virou um purgatório, a Rússia é o inferno. A prova é “Loveless”, de Andrey Zvyagintsev, que ganhou o prêmio do júri.


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