19/05/2017 às 09h01min - Atualizada em 19/05/2017 às 09h01min

Aécio Neves se afasta da presidência do PSDB

SENADOR MINEIRO FOI AFASTADO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR PELO SUPREMO

Agência Brasil – Brasília

O senador Aécio Neves apresentou ontem pedido de afastamento da presidência do PSDB. Em comunicado oficial, ele informou que pretende se dedicar exclusivamente à sua defesa nos próximos dias e que essa será sua única prioridade. Mais cedo, Aécio foi afastado do mandato a pedido do ministro relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.

“Me dedicarei diuturnamente a provar a minha inocência e de meus familiares para resgatar a honra e a dignidade que construí ao longo de meus mais de 30 anos de vida dedicada à política e aos mineiros, em especial”, diz o comunicado.

O estatuto do PSDB prevê que, em caso de licenciamento do presidente, este pode escolher um entre os sete vice-presidentes do partido. Depois de ouvir os colegas de bancada que passaram boa parte da tarde em sua casa, em Brasília, Aécio optou pelo senador Tasso Jereissati (CE) para ocupar o cargo.

“Estou seguro de que, sob seu comando, com o apoio de nossas bancadas no Senado e na Câmara, dos nossos diretórios estaduais, de nossos líderes municipais e de todos nós, ele fará o partido seguir de forma firme e corajosa sua vitoriosa trajetória”, disse.

O líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer (SC), disse que o partido aguardará a apresentação da defesa do senador mineiro, confiando na Justiça brasileira. “Cada pessoa que é citada em um processo judicial tem que ter direito à defesa. Isso faz parte do Estado Democrático de Direito. Estamos em um país onde as liberdades têm que ser preservadas e valorizadas. E qualquer pessoa tem que ter o direito à defesa antes de ser efetivamente julgada por um ato”, afirmou.

O líder tucano também reforçou o que foi dito mais cedo pelo ministro de Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, no sentido de que o PSDB não tem intenção de retirar o apoio ao governo de Michel Temer neste momento.

“Nossos ministros continuam trabalhando, estão trabalhando, e nós não vamos tomar nenhuma providência com relação à permanência deles no governo, ou não, antes de termos uma conversa com o próprio presidente Michel Temer, coisa que vai acontecer ainda no dia de hoje [ontem] comandada pelo senador Tasso Jereissati”, disse.

Em nota, Tasso disse que "mantendo sua responsabilidade com o país, que enfrenta uma crise econômica sem precedentes", o partido pediu aos seus quatro ministros que permaneçam em seus respectivos cargos, "enquanto o partido, assim como o Brasil, aguarda a divulgação do conteúdo das gravações dos executivos da JBS".

 

MANDADOS

Primo e irmã de Aécio são presos pela Polícia Federal

 

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Agentes da PF apreenderam malotes nos gabinetes dos senadores Aécio Neves e Zezé Perrela

 

 

 

A Polícia Federal prendeu ontem Frederico Pacheco de Medeiros, primo do senador suspenso Aécio Neves (PSDB-MG). O mandado de prisão de Medeiros foi emitido após o jornal O Globo noticiar que gravações em posse da Justiça revelam o parlamentar pedindo uma propina de R$ 2 milhões a Joesley Batista, dono do frigorífico JBS. Aécio teria indicado seu primo para receber o montante. Segundo o jornal, as gravações fazem parte da delação premiada da JBS, homologada ontem por Fachin.

Frederico foi encontrado em um condomínio na região metropolitana de Belo Horizonte. Mais cedo, também foi presa Andrea Neves, irmã de Aécio Neves. Foi cumprido ainda um mandado de prisão contra Mendherson Souza Lima, assessor do senador Zezé Perrella (PMDB-MG). Segundo o jornal O Globo, investigações mostraram que os recursos pedidos por Aécio Neves ao dono do frigorífico foram depositados na conta de uma empresa de Perrella.

Todos os mandados são de prisão preventiva e foram assinados por Edson Fachin, ministro do Superior Tribunal Federal (STF) relator dos processos relacionados com a Operação Lava Jato.

Foram realizadas ainda buscas no estado de Minas Gerais e Rio de Janeiro e em Brasília, em endereços ligados aos dois senadores e à Andrea Neves. Entre os alvos estão os gabinetes dos parlamentares na capital federal, um imóvel de Andrea Neves no Rio de Janeiro e uma fazenda de Aécio Neves em Cláudio (MG).

 

Outro lado

 

A defesa do senador Aécio Neves confirmou ontem o pedido de empréstimo de R$ 2 milhões para custear gastos com advogados nas investigações da Operação Lava Jato, mas que foi um pedido a "um amigo que pode ajudar", sem relação com o cargo que ocupa. Os advogados afirmaram que vão buscar no STF cópia do processo que resultou no seu afastamento do cargo para formular um requerimento de reconsideração da decisão do afastamento ao ministro Edson Fachin.

Em nota na quarta-feira, a assessoria de Aécio Neves disse que o senador "está absolutamente tranquilo quanto à correção de todos os seus atos. No que se refere à relação com o senhor Joesley Batista, ela era estritamente pessoal, sem qualquer envolvimento com o setor público. O senador aguarda ter acesso ao conjunto das informações para prestar todos os esclarecimentos necessários".

O senador Zezé Perrella publicou uma mensagem em seu Twitter em que diz que nunca conversou com Joesley Batista, não conhece ninguém do grupo Friboi (uma das marcas da JBS) e que nunca recebeu doação “oficial ou extraoficial” da empresa. “O sigilo das minhas empresas citadas, dos meus filhos está absolutamente à disposição da Justiça, onde ficará comprovado que eu não tenho nada a ver com essa história”, acrescentou.


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