12/05/2017 às 17h31min - Atualizada em 12/05/2017 às 17h31min

Duas mulheres e muitas histórias

"Tempo de águas" celebra parceria entre o uberlandense Grupontapé e Galpão, de Belo Horizonte

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Da Redação
A jovem (Katia Lou) e a velha (Katia Bizinotto) em cena do espetáculo "Tempo de águas"

A vida se encarregou de unir duas Katias no caminho da arte. As atrizes Katia Lou e Katia Bizinotto nasceram no mesmo dia, escolheram o mesmo ofício e são co-fundadoras do Grupontapé de Teatro, de Uberlândia, já com 22 anos de estrada. Com o espetáculo "Tempo de águas", que estreou sexta-feira e segue temporada neste mês, elas celebram essa amizade. Com a direção de Inês Peixoto, celebram a parceria com o Grupo Galpão, de Belo Horizonte, uma das principais referências do Grupontapé.

Essa é a primeira montagem no Brasil do texto da dramaturga argentina Patrícia Zangaro, com tradução de Katia Lou e Eduardo Moreira, do Galpão. As atrizes conheciam o texto e voltaram a lê-lo juntas. A trama conta a história de duas mulheres, uma velha e a outra jovem que, confinadas por causa de uma tempestade, refletem sobre a condição de suas vidas em meio a atritos e entendimentos. Um encontro inesperado que traz à tona revelações de um universo feminino, sobretudo humano. De certa forma, valoriza o protagonismo feminino, da mulher contando sua própria história.

Segundo Kátia Bizinotto, o espetáculo mostra um ciclo pelo qual todas as mulheres devem passar. "Quando essas mulheres ficam confinadas começa a aparecer a natureza de cada uma. Elas começam a se relacionar e nesse sentido a peça traz para o público vários aspectos que os faz observar o que cada uma enfrenta dentro de seu desenvolvimento pessoal e coletivo", explica.

O homem, o filho, o marido, estão contemplados na dramaturgia apesar de não aparecerem em cena. Ainda segundo a atriz, a questão jovem e velha muitas vezes é distinta porque é possível que a jovem tenha certa maturidade e o mesmo falte na velha em algumas ocasiões porque jovialidade e velhice podem ser puramente questão de espírito. "Abordamos também a questão da memória, como os ensinamentos são registrados e passados, a ancestralidade de nossas famílias", diz Kátia Bizinotto.

Apesar de não ser uma peça de cunho feminista é feminina. Traz as lutas da mulher por gerações retratadas por homens, mas desta vez com o texto de uma mulher, direção de uma mulher e com duas atrizes em ação. "Temos a fusão de duas mulheres que trazem suas experiências de vida e, juntas, vão revelando as suas histórias, desejos e interesses para o público", diz a atriz.

OLHAR FEMININO

Inês Galvão afirma que assinar a direção de "Tempos de águas" foi um presente. "É uma alegria compartilhar essa história com as duas Katias que vivem um momento de celebração. Fico honrada para celebrar com elas com esse texto tão lindo. Esse projeto foi um presente para nós três", afirma a diretora.

Ela explica que o texto de Patrícia e as histórias contadas no confinamento da jovem e da velha trazem temas que tanto Bizinotto quanto Lou gostariam de tocar neste momento. "Esse texto foi um aprendizado. Fizemos um mergulho em danças sagradas de comunidades arcaicas para descobrir a atmosfera que daríamos a ele. A trilha sonora é outro ponto importantes deste trabalho, algo muito ligado à natureza", afirma Inês.

Ela adianta que o espetáculo leva a um aprofundamento nas questões do feminino, da mulher e seus direitos de se instruir, de fazer suas escolhas e escrever as próprias memórias. "O mais interessante é ver a transformação dessas duas mulheres que numa situação trágica conseguem enxergar aquela luz no fim do túnel", conta a diretora que elogia todos os envolvidos na produção. "É um convite à imaginação. Uma leitura estética bem particular. Estamos bem realizadas com esse projeto que é muito importante pra nós e deve ser tornar importante para quem vai assistir também", finaliza Inês.

SERVIÇO

O QUÊ: Espetáculo “Tempo de águas"
QUEM: Grupontapé de Teatro
QUANDO: hoje, às 20h e todas as sextas, sábados e domingos de maio também às 20h
ONDE: Escola Livre do Grupontapé de Teatro (Rua Tupaciguara, 471, bairro Aparecida)
INGRESSOS: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada). A bilheteria abre uma hora antes e hoje, Dia das Mães, as filhas que levarem a mãe ganham o ingresso dela.
CLASSIFICAÇÃO: Livre
DURAÇÃO: 70 minutos
INFORMAÇÕES: 3213-1325


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