02/05/2017 às 10h58min - Atualizada em 02/05/2017 às 10h58min

Movidos pela paixão e pela emoção

Na véspera do Dia do Trabalho conversamos com músicos que, apesar das dificuldades, não desistiram do sonho

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Da Redação
Vini Moura deixou de lado a advocacia há um ano para se dedicar à música mesmo com as dificuldades do mercado

A vida sem música não seria a mesma. Pare por alguns instantes e tente se lembrar dos momentos em que a música não estava presente no seu cotidiano. Seja no rádio, na televisão, no telefone celular, em um toca-discos ou amplificado em uma caixinha bluetooth que cabe na palma da mão. E os filmes, as noitadas, as baladas regadas a muita música eletrônica, sertanejo, funk ou as casas de shows e arenas que recebem os mais variados estilos, o que seria disso tudo sem música, sem músicos?

Na véspera do feriado do Dia do Trabalho o jornal Diário do Comércio conversa com músicos de Uberlândia que conseguem tirar seu sustento deste trabalho, sem ficar dividindo agenda com outros empregos considerados “formais”. Todos eles já ouviram aquela perguntinha sem graça: “ah, você é músico, e trabalha com o que?”

Vini Moura trabalhava com advocacia. Tem diploma da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), carteirinha da Ordem de Advogados do Brasil (OAB) e até tinha clientes. Mas não era feliz. A música, algo que lhe trazia uma certa felicidade, era apenas uma coadjuvante em sua história. Há um ano ele decidiu trocar o terno e gravata definitivamente pelos microfones, guitarras, violões. Passou a se debruçar, no lugar dos processos, em cima de cadernos e mais cadernos para novas composições. Seu primeiro videoclipe, da música “Te encontrar”, já temais de 90 mil visualizações no YouTube.

Tomar essa decisão não foi fácil. “Estava no Instagram e vi uma foto de uma pessoa, do pescoço até a cintura, de terno, camisa e no lugar da gravata tinha uma corda no pescoço. No texto a mensagem: ‘quanto você recebe por mês para desistir dos seus sonhos?”. A situação estava tão complicada que ele precisou procurar uma psicóloga por conta da ansiedade. Ela, também coaching, percebeu que ele precisaria mudar ou sacrificaria a própria saúde.

“Agora eu encaro a música como uma empresa, além da minha paixão. Tomo conta de tudo que leva meu nome no ambiente virtual, cuido da agenda, defino repertório entre autorais e covers e felizmente tenho feito muitos shows”, afirma o músico que além dos bares e casas de show toca em casamentos, formaturas...

Vini Moura faz a pré-produção de seu primeiro EP em casa. Agora é questão de verba até ele ser lançado. A correria é muita, o descanso é pouco. O que é possível aprender via cursos na internet ele aprende, a veia do faça você-mesmo. “Eu canto pop rock mas temos muito a aprender com os artistas sertanejos, que têm esse olhar de empresa para sua arte”, comenta o músico de 25 anos que, agora, está muito mais feliz e pelo menos não gasta mais com psicóloga.

CARREIRA

Investimento de tempo, dinheiro e muita paixão

Tico é guitarrista da Mafu e dá aula de guitarra e baixo

No dia em que finalizava esta reportagem o músico Pedro Ferreira, natural de Belo Horizonte, radicado anos em Uberlândia, estava no Rio de Janeiro, onde gravou o programa “Altas Horas” com o cantor Alexandre Pires. Além de tecladista e pianista, ele é produtor, arranjador e maestro que além de artistas uberlandenses já trabalhou com o Daniel, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Ben Jor, Fábio Jr, Martinho da Vila e Leonardo, entre outros. Tem na bagagem uma indicação ao Grammy Latino pelo CD “Estrella”, de Alexandre Pires, em 2003.

Nesse meio é preciso investimento em equipamento e estudo e nem sempre o público, o mercado, entendem isso. Músico profissional há 25 anos, Pedro Ferreira foi aos 17 anos para Brasília, onde começou a tocar, e depois seguiu para São Francisco, nos estados Unidos, onde aperfeiçoou o estudo tocando com jazzistas da Califórnia. Para manter um trabalho de qualidade é preciso respeito pela música e público, estar sempre estudando e aprimorando os conhecimentos técnicos e não buscar o sucesso a qualquer preço. Precisamos do resgate da verdadeira música”, afirma.

 

LETYCIA LANDIM

Disciplina é a palavra-chave na vida de cantora Letycia Landim, que canta desde os 6 anos. Aos 8 ingressou no Conservatório Estadual de Música Cora Pavan Capparelli e começou a cantar em bandas aos 12 anos. A uberlandense, graduada em Publicidade e Propaganda e com MBA em Trading Marketing vive da música há 18 anos. “Nunca deixei de estudar e sou movida pelo amor que tenho pela profissão”, afirma a cantora. Letycia é uma das intérpretes mais requisitadas da região e sua técncia apurada lhe permite passar a mesma emoção seja cantando Ivete Sangalo, Adele ou Lady Gaga.

LÍSIAS

Lísias vem de uma família de músicos de Tupaciguara, o DNA musical de pai e mãe. Aos oito anos de idade já cantava. Profissionalmente, vive da música há 38 anos e segundo ele é algo que acontece mais pela paixão do que pela razão. “Acho que é uma coisa de Deus porque eu me transformo quando estou no palco, quando vejo as pessoas dançarem. Eu não penso em show, eu levo a música como uma responsabilidade de poder dar um momento de alegria para as pessoas”, afirma o músico. Para ele, o dinheiro é uma consequência e por isso sempre se esforça para dar o melhor que pode. “Essa é uma paixão que eu nunca vou deixar de ter. No palco ou quando estou me divertindo com os meus amigos quando pego no violão me transformo. Tento passar isso os amigos músicos: Tente tocar e cantar com sentimento, com o coração, consciente, que você vai conseguir transmitir um momento de alegria para as pessoas”, afirma.

PEDRO FERREIRA

O maestro Pedro Ferreira está em turnê com o cantor Uberlandense Alexandre Pires, divulgando o CD e DVD “DNA Musical”, que conta a história musical do cantor com participações de ícones da MPB brasileira. “É um trabalho incrível e isso tem muito a ver com minha responsabilidade com a música, que vai além dos palcos”.

Pedro tem uma relação diária com a música, uma rotina de estudos e pesquisa musical de aperfeiçoamento técnico. Além disso, tem que estar atento aos novos sons. “Não o que está na mídia pois o momento é de péssima qualidade”, comenta o maestro.

 

TICO

O guitarrista Tico, da banda Mafu, já tem a música como profissão há cerca de 15 anos. Ao olhar para trás, quando tomou essa decisão, ele não imaginava que duraria, havia uma certa insegurança. “Eram outros tempos. Cresci ouvindo rock e gostando de rock, agora, o mercado da música é totalmente diferente e a gente precisa se adaptar para se manter nele”, afirma o músico que também dá aulas de guitarra e baixo. Além da Mafu, Tico tem um projeto de Blues e acompanha a cantora Thaís Barja em alguns shows. Para ele, apesar da instabilidade, a música oferece uma grande gama de serviços e quem se prepara tem mais chances de seguir adiante. “Mas o que importa é fazer algo que, além de ser responsável pelo seu sustento ainda te faz sorrir”, explica Tico.


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