17/04/2017 às 10h55min - Atualizada em 17/04/2017 às 10h55min

A moda para as mulheres reais

Serviços de consultoria de imagem e personal shopper andam juntos

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
DA REDAÇÃO
Carina Alencar afirma que a mudança tem que ser de dentro para fora

Elaine da Silva Martins Mendonça é médica. Sua profissão exige credibilidade e zelo pela própria imagem. Para ela, vestir-se com segurança sabendo o que lhe cai bem é essencial para uma imagem harmoniosa e equilibrada. Porém, ela não conseguiu esse equilíbrio sozinha, e a necessidade de mudança a levou a procurar uma especialista em imagem e estilo.

“A pessoa bem vestida passa credibilidade e confiança, e a consultoria de imagem e personal shopper levam praticidade e economia para a sua vida, pois proporcionam um guarda-roupa planejado e coordenado”, afirma a médica, que disse ainda que o resultado da consultoria superou as expectativas. “Deixou minha vida mais prática e me sinto mais bonita. Já tenho meus looks montados e parei de gastar com roupas que não têm nada a ver comigo”, disse. Para ela, quem pensa que roupa tem só a ver com moda está equivocado. “Vestir-se de uma forma correta é se comunicar com o mundo. No trabalho passo mais seriedade e segurança”, comenta a médica.

Quem ajudou Elaine a encontrar o equilíbrio em seu visual foi a consultora de imagem e personal shopper Carina Alencar, baiana radicada em Uberlândia com dedicação a esse mercado há dois anos. “É uma profissão nova no Brasil, principalmente no interior, onde percebo que muitas pessoas ainda não sabem o que um consultor de imagem pode fazer por elas, para elas”, disse.

Ela explica que a consultoria de imagem e o serviço de personal shopper podem ser oferecidos de forma conjunta ou separadamente. “É tudo no mesmo nicho, mas são segmentos diferentes. Se você vai a um casamento durante o dia e não sabe que roupa usar, você contrata o personal shopper para te ajudar com essa compra. A gente analisa o dress code do local, o tipo físico da pessoa, a coloração ideal para escolher a melhor roupa para ir a este evento.”

Já a consultoria de imagem é um trabalho feito de dentro para fora, e isso voltado para a mulher real, que tem medidas diferentes, gostos diferentes e não aquele padrão que impera nas revistas. “Esse serviço é mais voltado para o autoconhecimento. A cliente vai descobrir que tipo de corpo e pele ela tem, que tipo de cores harmonizam com a pele dela, saber se o corte de cabelo está ideal”, explica Carina.

A consultora aplica um questionário que abrange todas as áreas da vida da pessoa. A ideia não é transformá-la, e sim trazer à tona a melhor versão dela. Depois é feita uma visita e, a partir daí, será avaliado o que a pessoa tem no armário para ver o que manter e o que descartar. “Não é nada parecido com esses realities de TV. Não vou chegar à casa da cliente e jogar todas as roupas dela fora. Quando necessário, a gente vai a uma loja e compra peças que vão ficar bem naquela pessoa. É uma compra assertiva”, disse.

 

DESAFIOS

Carina Alencar afirma que as pessoas ainda têm receios sobre os serviços de uma consultora de imagem ou personal shopper. “O primeiro é que acham que é um serviço caro. Outro é pensam que é um reality de TV que vai pegar tudo que você tem e falar que nada serve e, por último, acham que vou fazer com que elas se vistam como eu”, disse.

A especialista reforça que o principal é a essência da pessoa, que é única. “Muitas vezes a pessoa desconhece o próprio estilo e compra peças que não combinam, por isso acha que não está bem vestida o tempo todo”, comenta.

Há espaço para a variedade. “A pessoa pode ter mais de um estilo, mas tem que seguir o que ela gosta porque assim se sentirá bonita e segura. Tudo isso descobrimos por meio de um briefing. Só depois partimos para a etapa de avaliação que envolve o tipo de corpo, coloração ideal. O serviço de personal shopper vai ajudar na hora de adquirir novas peças de acordo com o orçamento da pessoa. Isso não significa que teremos que fazer compras toda semana, pelo contrário, hoje em dia a moda voltada para a sustentabilidade leva a comprar roupas que vão durar mais”, disse Carina.

Carina Alencar faz questão de ressaltar que o trabalho não é fútil como alguns podem pensar. Além de consultoria de imagem, ela lê pelo menos um livro técnico por mês e, em média, três cursos por ano, entre eles o de jornalismo de moda. “Recentemente fiz o primeiro curso promovido pela Pantone de colorimetria, algo novo no Brasil, mas já estudado há anos. É interessante a gente mostrar o efeito de cada cor no rosto da pessoa, a diferença que faz a cor do cabelo. É aprendizado que não acaba mais”, explica.

 

MERCADO

Profissional deve investir em formação constante

DIVULGAÇÃO


Sônia Medeiros é professora e coordenadora do curso de Design de Moda da Esamc

A professora e coordenadora do curso de Design de Moda da Esamc, Sônia Medeiros, notou que o serviço de consultor de imagem e personal shopper tem sido mais procurado e o mercado tem poucos profissionais. Ela alerta que pessoas que buscam esse serviço precisam pesquisar e saber se o profissional tem mesmo know how para atendê-la. “Quem trabalha nesta área precisa estar ligado ao comportamento da sociedade. Percebo que eles ainda não buscam uma formação na área de criação. Além disso, é preciso conhecer bem a história da moda, sua cronologia e sempre se atualizar”, explica.

Para ela, a principal colaboração desses profissionais está ligada a uma moda cada vez menos exclusiva. “As pessoas têm biotipos diferentes, a maioria não tem aquele corpo da modelo que desfila na passarela e, ao ficarem cientes do seu biótipo, fica mais fácil se vestir melhor e se sentir melhor. Particularmente ainda acho esses serviços muito voltados para quem tem um poder aquisitivo mais alto. A maioria das mulheres procura se informar por meio de blogs, programas de TV e afins”, comenta.

L. Silva, economista que prefere não se identificar, não se arrepende do investimento feito na consultoria de imagem. Antes, ao se arrumar para sair ou para trabalhar, não gostava de como estava vestida e por cerca de quatro anos comprou coisas que sequer sabia usar. “Sempre doava roupas que havia usado uma ou nenhuma vez. Cheguei à conclusão de que sozinha não conseguiria mudar isso. Parei de comprar e foquei em encontrar alguém. Busquei por dois anos e nada de encontrar esse especialista aqui na região, ou não tive tempo de procurar”, recorda.

Ela conta que Carina Alencar a ajudou a se olhar de verdade. “Quando ela me pediu uma foto do passado mexeu profundamente comigo. Quando encontrei a foto, neste dia específico eu sorria e chorava ao mesmo tempo, me lembrei de quem era”, afirma a economista.

O impacto depois da consultoria foi grande. Os colegas no trabalho perceberam, a vida em família melhorou e ela começou a se sentir bem. “O mais legal é que uma das minhas amigas começou a se vestir melhor também e aprendi que quando a gente muda,as pessoas ao nosso redor também mudam. A primeira mudança tem sempre que partir de dentro da gente”, finaliza.

 

Independência. Carina Alencar afirma que não quer suas clientes dependentes de seus serviços e a consultoria serve mesmo para a pessoa melhorar a sua autoestima e se autoconhecer. Entre suas clientes há executivas, mulheres que mudaram de cargo na empresa, mães de dois filhos que precisam cuidar da carreira, da casa e ainda ter tempo para o marido, mas querem cuidar de si. “Eu trabalho para que elas se conheçam mais. Cada 15 minutos que deixam de gastar procurando uma roupa já são 15 minutos a mais para dormir, para curtir a família. A maior parte das minhas clientes não está atrás de ostentação ou de curtidas em redes sociais, elas querem se reencontrar e ter um tempo para elas”, afirma a consultora de estilo.

CONFIANÇA

Período de mudanças incentiva mulheres a mudar

BRUNNO ROGGER/DIVULGAÇÃO


Maíra Camargo e especialista em consultoria de imagem e estilo

Maíra Camargo se especializou em consultoria de imagem e estilo no Centro Universitário Belas Artes, em 2014, e desde então atua nesse mercado. A paranaense mora em Uberlândia e conta que antes de qualquer coisa é necessário fazer consultoria de imagem e estilo, depois entra em ação o lado personal shopper. “Conheço o guarda-roupa da cliente e realizamos uma limpeza. Retiramos peças que não são usadas e que não favorecem o corpo ou estilo dela. Além disso, separamos as peças que devem ser reformadas. Durante a limpeza do closet identifico o que a cliente precisa comprar. Organizo a lista de compras e saímos à procura de peças de acordo com a necessidade e valor que ela pode investir”, explica.

Para se atualizar ela faz uma série de cursos rápidos e participa de eventos de moda. Assim como Carina Alencar, Maíra quer clientes independentes. “Sempre peço para elas fazerem uma autoanálise e conhecerem seu corpo e estilo. Quanto mais se conhecem e sabem o que querem, menos precisam de ajuda”, explica.

Em Uberlândia ela tem clientes de todas as idades, estilos e classes sociais que têm uma coisa em comum. “Geralmente estão em um momento de mudança na vida. Como consultora, tenho que me adaptar à cliente e deixá-la confortável e satisfeita com sua imagem”, finaliza.


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