08/03/2017 às 10h26min - Atualizada em 08/03/2017 às 10h26min

ARTES VISUAIS

Universo feminino, submissão e anseios

Alessandra Cunha durante a abertura da exposição / RAQUEL CRISTINA/DIVULGAÇÃO



 

A artista plástica Alessandra Cunha é natural de Uberlândia, graduada em Artes Plásticas pela UFU em 2010. E como a maioria dos artistas, durante muito tempo conciliou sua paixão com outra função. No caso dela, trabalhava na área de RH da Unidade de Atendimento Intensivo (UAI) Pampulha. Em 2013, em uma decisão corajosa e incerta, resolveu se dedicar exclusivamente à arte. Não foi fácil, mas a atitude tem rendido bons frutos como convites e seleções em editais em outros estados. “Como em toda história de artista que não nasceu rico, e ainda mora no interior, é bem difícil se manter no sistema da arte. Mas, como estudei vários anos para ser profissional de artes visuais, imagino que já estou no meio do caminho para atingir o objetivo financeiro e de reconhecimento”, afirma a artista.

Alessandra Cunha está com uma nova exposição em cartaz na galeria Lourdes Saraiva e tem tudo a ver com o dia de hoje, o Dia Internacional da Mulher, que tem se tem o que comemorar, também tem o que se lamentar. “Cadafalso” refere-se à triste submissão das mulheres aos mandos dos homens ao longo da história da humanidade. “Não se trata de uma bandeira puramente feminista, trata-se de simples relatos poéticos/visuais de como as pessoas do sexo masculino se portam diante das demandas de dominação religiosa, política e econômica. As mulheres, crianças, homens pobres, negros, homossexuais, transgêneros, e simpatizantes, são tratados como seres inferiores e desvalorizados de todas as formas”, diz a artista.

A ideia da exposição surgiu quando a uberlandense visitou a exposição de pinturas e instalação da artista alagoana Hilda Moura, em outubro passado, em Maceió. “Algo se descolou do lugar de conforto. As pinturas da artista ainda ignorada por mim, afetou-me com um silêncio capaz de quebrar meu próprio silêncio, sobre o assunto que identifiquei comum em nossos trabalhos”, afirma Alessandra.

Porém, ao contrário de Hilda, que apresenta belas pinturas contidas e harmoniosas, as de Alessandra trazem um grito colorido e até doloroso pautado pelos contrastes e vibrações. “Os símbolos, nesta série de pinturas são explícitos, chocantes, desejosos de um impacto reflexivo. Como um oposto do que foi sentido ao visitar as pinturas da artista alagoana. Se o trabalho dela é silencioso e provocou uma turbulência em mim, desejei pintar turbulentas imagens para causar um silencio no observador”, comenta.

Processo

Nesta construção poética, a pintura, aliada à costura manual, são as técnicas escolhidas por Alessandra Cunha por possibilitar o uso das cores como uma proclamação do bem estar. “Essa ideia camufla a realidade medonha de se viver em uma sociedade ainda machista que mata mulheres, gays e transexuais, apenas por estarem ali, perto do agressor. E, para tratar do oprimido, utilizo imagens e elementos que nos revelam o opressor. Ou seja, não são usadas imagens de corpos ou objetos femininos, mas, há uma ênfase no corpo masculino e em símbolos que são memorizados em prol de sua elevação ao poder”, afirma Alessandra Cunha.

O conjunto é formado por 32 pinturas acrílicas sobre algodão cru, previamente costuradas; encapando uma placa de MDF 0,6cm; com medidas aproximadas de 47cm X 34,5cm. “Este trabalho questiona também as violências veladas contra as pessoas que passaram a ser escravas de um sistema onde o homem, ora protege suas crias e companheiras, ora apenas usava-as como objeto para satisfação sexual e perpetuação da espécie e linhagem”, finaliza a artista.

SERVIÇO

O QUE: Exposição “Cadafalso”

QUEM: Alessandra Cunha

QUANDO: Até 12 de abril de segunda a sexta-feira das 12h às 18h

ONDE: Galeria Lourdes Saraiva, na Oficina Cultural (Praça Clarimundo Carneiro, 204, Fundinho)

ENTRADA FRANCA

INFORMAÇÕES: 3214-9889


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