03/03/2017 às 09h13min - Atualizada em 03/03/2017 às 09h13min

“Shisei” traz desenhos criados entre duas estações

Tatuador Alexandre Hori Namazu inicia nova fase dedicada à tradição japonesa

ADREANA OLIVEIRA | REPÓRTER
ADREANA OLIVEIRA

Por duas estações Alexandre dedicou-se ao que os espectadores podem ver na mostra “Shisei”, em cartaz até 28 de abril no Casa Espaço de Desenvolvimento Humano, em Uberlândia. Tatuador profissional desde 2003, nos últimos dois anos ele iniciou uma imersão no universo das tatuagens japonesas tradicionais (horimono), estilo no qual seguirá se especializando, e consolidou sua assinatura como Alexandre Hori Namazu.

Estão em exposição 12 pinturas de nanquim feitas durante a primavera de 2016 e verão de 2017. As imagens têm forte impacto visual e são frutos de um estudo para horimono. “Esses desenhos são projetos de tatuagem, a finalidade é a tatuagem, não o desenho. Tem características de esboço, meio trabalho rápido, é como se fosse um ensaio”, afirma Hori Namazu.

Porém, quem vê as telas enxerga ali muito trabalho envolvido, muito cuidado. Alexandre gastou entre seis e oito horas em cada desenho, mas, neste caso, tempo é algo relativo. “Escolho o tema dentro da tatuagem tradicional japonesa e não tem como sair disso. É como se você tivesse uma banda mas não vai compor, só vai interpretar. A partir daí vão-se algumas horas, mas por trás disso tem que entender os códigos. É como resolver uma questão matemática, são necessários anos de estudo para culminar no que é visto”, comenta o tatuador sobre o processo.

Em mais de uma década dedicada à tatuagem essa mudança vem de encontro ao momento pelo qual o tatuador passa e por tudo que já passou. “A tatuagem japonesa é muito madura, exige um conhecimento e experiência para ser compreendida. Esta mostra é o pontapé inicial. Estou convicto de que farei somente tatuagem japonesa daqui para frente”, afirma Hori Namazu.

Para ele, tatuagem, no início, vinha com toda aquela bagagem que muitos já conhecem: rebeldia, rock, subversão. “Eu amadureci como pessoa e como tatuador. Tudo isso foi importante como referência pessoal na época mas hoje não carrego mais essa questão da revolta. E a tatuagem japonesa tem essa suavidade, é mais introspectiva, diferente da forma como o Ocidente ainda vê na tatuagem algo para horrorizar, ou chutar o balde”.

SHISEI

“Shisei”, que dá nome à exposição de Alexandre Hori Namazu, é um sinônimo japonês para tatuagem e também é usado também para definir firmeza e atitude que modelam o espírito; a capacidade de autocontrole, de paciência, de aguentar o indizível, de resistir perante a adversidade, de aguentar com dignidade e força. Alexandre vê o tatuador mais como artesão do que como artista. “É um trabalho bem feito mas a gente não cria, a gente reproduz. Quando você pega algo como uma flor de temática é algo que já está por aí há 200 anos e o seu desafio não é fazer o novo é manter a tradição, manter os códigos. É um trabalho mais parecido com o de um alfaiate, de um padeiro. Não se trata de inspiração, de colocar questões novas”. Sempre trabalhando com o desenho direto na pele (free hand) Alexandre Hori Namazu tem uma leitura vigorosa das lendas e gravuras japonesas (Ukyio-e). Seu trabalho é sempre mais emocional e intuitivo do que técnico, seja a tattoo feita com máquinas elétricas ou tebori (processo manual). Para ver mais trabalhos do tatuador acesse: @hori_namazu no Instagram.

 

SERVIÇO

O QUE: Mostra de Desenhos “Shisei”

QUEM: Alexandre Hori Namazu

ONDE: Casa Espaço de Desenvolvimento Humano (R. Vigário Dantas, 89, Fundinho)

QUANDO: Até 28/04 de segunda a sexta-feira das 8h30 às 11h e das 13h às 17h30

ENTRADA FRANCA

MAIS INFORMAÇÕES: 3235-4028

 


Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »